
Os Correios, outrora símbolo brasileiro, fecharam 2024 com um rombo de R$ 2,6 bilhões, o maior desde 2016, segundo as demonstrações financeiras publicadas no Diário Oficial da União em 9 de maio de 2025. Enquanto a estatal afunda, a verba de patrocínio disparou 819%, saltando de R$ 3,3 milhões em 2023 para R$ 33,7 milhões em 2024. Os números, oficiais, levantam uma questão: como justificar gastos em eventos como o Lollapalooza enquanto o vermelho cresce?
O prejuízo, quatro vezes maior que os R$ 633 milhões de 2023, tem raízes claras. A receita caiu 1,74%, para R$ 18,9 bilhões, puxada pelo tombo de R$ 531 milhões no segmento internacional, conforme o relatório da estatal. O Programa Remessa Conforme, com impostos de 20% a 60% sobre importações, reduziu o volume de encomendas, especialmente da China. Custos operacionais subiram 4,7%, para R$ 15,9 bilhões, com destaque para gastos com pessoal (R$ 10,3 bilhões), impulsionados por reajustes salariais e benefícios, segundo o balanço.
A dívida de R$ 7,6 bilhões com o fundo de pensão Postalis, herdada de investimentos ruins entre 2011 e 2016, também pesa. Os Correios pagarão R$ 30 milhões mensais por 30 anos, conforme acordo com o TCU. Apenas 15% das 10.638 agências são lucrativas, mas a estatal mantém todas por obrigação legal, elevando custos.
Enquanto isso, os R$ 33,7 milhões em patrocínios bancaram eventos como o Lollapalooza (R$ 6 milhões), o Sertões e a turnê de Gilberto Gil, segundo o Portal da Transparência. A justificativa? “Reposicionar a marca”, diz a estatal. No X, o perfil @leiatheinvestor
chamou o gasto de “absurdo” em meio a atrasos com fornecedores e R$ 400 milhões de dívidas no plano de saúde dos funcionários.
A gestão de Fabiano Silva dos Santos, indicado pelo PT, enfrenta críticas por decisões como desistir de recorrer em uma ação trabalhista de R$ 600 milhões. Críticos questionam a prioridade em “festas” enquanto a estatal definha. O Brasil precisa de Correios eficientes, não de rombos e palcos. A conta, como sempre, sobra para o contribuinte.