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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E O SILÊNCIO DA MÍDIA SOBRE A LIBERDADE DE FÉ

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
29/04/2025 às 12h07
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E O SILÊNCIO DA MÍDIA SOBRE A LIBERDADE DE FÉ

A liberdade religiosa, um pilar da Constituição Brasileira, enfrenta desafios crescentes em um país historicamente marcado pela convivência entre crenças. Um caso recente na Paróquia Bom Jesus das Oliveiras, na zona norte de São Paulo, chocou a comunidade cristã: um homem invadiu o templo e destruiu imagens sacras. Esse ato de vandalismo, longe de ser um incidente isolado, reflete uma onda de hostilidade contra valores cristãos que preocupa fiéis e lideranças religiosas. Enquanto a grande mídia minimiza esses episódios, enquadrando-os como meros atos de desordem, fontes conservadoras, como a Revista Oeste, alertam para um aumento de intolerância que ameaça a essência da liberdade de culto no Brasil.

O ataque à Paróquia Bom Jesus das Oliveiras, ocorrido em abril de 2025, foi registrado pela Polícia Civil de São Paulo como crime de dano ao patrimônio. O invasor quebrou imagens de Nossa Senhora e São José, símbolos centrais da fé católica, antes de ser contido por fiéis. A Arquidiocese de São Paulo, em nota, lamentou o ocorrido, destacando que “atos de intolerância ferem a dignidade da fé e o direito constitucional à liberdade religiosa”. Dados do Disque 100, canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mostram que as violações à liberdade religiosa cresceram 66,8% em 2024, com 2.472 casos registrados, contra 1.481 em 2023. Embora religiões de matriz africana sejam as mais visadas (52% das denúncias), ataques a templos cristãos, como igrejas católicas e evangélicas, representam 12% do total, um número que, segundo a, permanece subnotificado devido ao receio de retaliação.

As notícias das conhecidas ‘grande mídia’, raramente contextualizam esses incidentes como ataques à liberdade religiosa, preferindo tratá-los como casos pontuais de vandalismo ou distúrbios individuais. Essa omissão contrasta com a percepção de comunidades cristãs, que veem um padrão de hostilidade alimentado pelo avanço de pautas progressistas. Em 2024, pelo menos cinco igrejas católicas em São Paulo e Minas Gerais sofreram invasões semelhantes, com pichações e destruição de símbolos sacros. Um relatório da organização Portas Abertas, indica que, globalmente, mais de 365 milhões de cristãos enfrentam perseguição ou discriminação, e o Brasil, embora não esteja entre os países mais hostis, registra um aumento de “perseguição educada”, marcada por pressões culturais e políticas contra valores cristãos.

 

Essa hostilidade se manifesta não apenas em atos físicos, mas também no discurso público. A promoção de pautas como a descriminalização do aborto e a redefinição de conceitos tradicionais de família, defendidas por setores progressistas, é percebida por lideranças cristãs como uma afronta aos princípios bíblicos. Um levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, de março de 2025, revela que 58% dos brasileiros consideram que a fé cristã está sendo desrespeitada na esfera pública, especialmente em debates legislativos. O pastor Silas Malafaia, em entrevista à Jovem Pan, criticou a “hipocrisia” de movimentos que pregam tolerância, mas desrespeitam símbolos cristãos, citando o ataque à Paróquia Bom Jesus como exemplo de “intolerância seletiva”.

A Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso VI, garante a inviolabilidade da liberdade de crença e o livre exercício dos cultos, com proteção legal a locais de culto e suas liturgias. A Lei 9.459/1997 classifica a discriminação religiosa como crime inafiançável e imprescritível, com pena de um a três anos de prisão e multa. Desde 2023, a Lei 14.532 equiparou injúria racial e religiosa ao racismo, elevando a pena para até cinco anos. Apesar disso, a aplicação dessas leis é limitada. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que, de 2022 a 2024, apenas 18% dos casos de intolerância religiosa registrados no estado resultaram em indiciamentos, devido à dificuldade de comprovar o viés religioso nos ataques.

 

O caso da Paróquia Bom Jesus das Oliveiras não é apenas um ato de vandalismo, mas um sinal de alerta. A antropóloga Lia Zanotta, da Universidade de Brasília, observa que a intolerância religiosa no Brasil muitas vezes reflete conflitos culturais mais amplos, onde “a hierarquização de valores cristãos sobre outras crenças, ou vice-versa, alimenta a violência”. No entanto, ela reconhece que ataques a igrejas cristãs, embora menos frequentes que os contra religiões de matriz africana, são subnotificados pela mídia, o que dificulta o debate público.

 

Para a comunidade cristã, o impacto vai além do material. “Quando uma imagem sacra é destruída, é a nossa fé que é atacada”, afirma o padre João Carlos, da Paróquia Bom Jesus. A Igreja Católica, que representa 51% da população brasileira (123 milhões de fiéis, segundo o IBGE de 2010), e as igrejas evangélicas, com 22% (42 milhões), enfrentam o desafio de manter a relevância de seus valores em um contexto de crescente secularismo. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública alerta que a polarização política, intensificada desde 2018, tem agravado a intolerância, com ataques a símbolos religiosos sendo usados para sinalizar rejeição a grupos específicos.

A verdade é que a liberdade religiosa, embora garantida por lei, está sob ameaça no Brasil. O ataque à Paróquia Bom Jesus das Oliveiras é um grito de alerta contra a banalização da intolerância, que a grande mídia insiste em ignorar. Enquanto pautas progressistas avançam, os valores cristãos, que moldaram a identidade de milhões de brasileiros, são desafiados por atos de desrespeito e silêncio cúmplice. Cabe à sociedade exigir que a justiça seja feita e que a fé, em todas as suas formas, seja respeitada. Sem isso, o Brasil arrisca perder um de seus maiores tesouros: a convivência pacífica entre crenças, que sempre foi sua marca de honra.

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