
Enquanto as árvores tombam, os postes florescem. Em Belém do Pará, a COP30 finalmente encontrou a solução definitiva para o problema da sombra tropical: árvores metálicas com samambaias penduradas. Porque plantar uma árvore amazônica – essa inconveniente criatura que cresce, dá sombra real e precisa de água e solo – é um atraso inaceitável para um evento com prazo e cronograma suíços. Afinal, quem quer esperar anos para a natureza fazer o trabalho que um serralheiro pode resolver em dois dias?
Sim, senhoras e senhores: a nova Amazônia é de ferro, reciclado é verdade, porque até a hipocrisia agora tem selo ecológico.
Para que ninguém se iluda: desmatou-se, sim, para abrir uma estrada. Mas foi por uma boa causa. Uma causa global. Uma causa com hashtags em inglês. Derrubar árvores centenárias para receber os protetores da floresta é um sacrifício que vale a pena. Sobretudo se render um story bonito com o crachá da ONU balançando no vento quente, com legenda em inglês e filtro sépia.
Os ribeirinhos? Ora, esses coadjuvantes da ecologia que insistem em querer água potável e esgoto tratado. Que ousadia! Em pleno século XXI, querer dignidade em vez de uma ONG sorridente tirando foto do barco a remo… Falta a esses povos o espírito da sustentabilidade instagramável.
Belém está sendo “preparada” para o planeta. Mas não para os seus habitantes. A COP não é uma conferência. É um espetáculo. É como se a Broadway decidisse montar O Rei Leão no meio da savana africana… com leões de pelúcia e palmeiras de plástico, porque os de verdade são perigosos e imprevisíveis.
No final, talvez reste mesmo só isso: um planeta cenográfico, pintado de verde musgo e cheio de placas dizendo “Think Green” ao lado de um canteiro cimentado.
Mas comemoremos! Afinal, o importante não é a floresta existir. É parecer que ela existe. E a COP nos ensina que para salvar o mundo, basta um estande climatizado, um discurso emocionado e uma árvore de lata com um vaso de samambaia pendurado.