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CIVILIDADE, NÃO PERFORMANCE: POR QUE RÓTULOS NÃO SALVAM A DIGNIDADE HUMANA

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Hermes Magnus
Por: Hermes Magnus
05/04/2025 às 15h00 Atualizada em 05/04/2025 às 15h06
CIVILIDADE, NÃO PERFORMANCE: POR QUE RÓTULOS NÃO SALVAM A DIGNIDADE HUMANA

A sociedade contemporânea, em sua ânsia por parecer justa, acabou se tornando perversa. Em nome da inclusão, impôs-se uma nova cartilha de siglas, rótulos e performances obrigatórias, que pouco têm a ver com o respeito autêntico e muito a ver com a estética do politicamente correto. A dignidade humana foi transformada em uma identidade de mercado. E o ser humano, reduzido a um slogan.

 

Tomemos como exemplo uma cerimônia recente na Sinagoga Central, em que uma pessoa trans teve espaço de fala durante o Shabbat. À primeira vista, um gesto simbólico. Bonito, até. Mas ao olhar mais fundo, vemos um sintoma de um problema maior: a substituição da transformação profunda — que viria do reconhecimento genuíno do outro como humano — por uma performance de tolerância. É o progressismo protocolar, que fala em nome da aceitação, mas raramente toca na raiz da exclusão.

 

O mesmo ocorre no debate público mais amplo. Gays, lésbicas, pessoas trans, não-binárias, negros, indígenas, asiáticos: todos transformados em categorias operacionais, facilmente exploradas por políticos e instituições que usam essas causas para se promover, e não para mudar a lógica da exclusão. O rótulo virou instrumento de uso eleitoral e de publicidade institucional. E a dignidade, essa que só existe na ausência de rótulos, foi deixada de lado.

 

Não se trata de negar as diferenças — mas de recusar a fetichização dessas diferenças como forma de controle. Quando o ser humano é reconhecido apenas enquanto parte de um grupo rotulado, perde-se a universalidade do respeito. E ao perder essa base comum, abre-se caminho para mais ignorância, mais tribalismo, mais incivilidade.

 

Respeitar o ser humano como ser humano — esta é a tarefa urgente. Não se trata de criar categorias, mas de dissolvê-las onde elas nos separam. A verdadeira civilidade começa quando ninguém precisa justificar sua existência. Quando a aceitação não exige microfone, nem desfile, nem legislação especial — mas apenas olhos limpos e consciência desperta.

 

A humanidade não pode ser administrada por siglas. Ela precisa ser reconhecida no singular: um por um, em silêncio, no gesto. E enquanto isso não for compreendido, continuaremos assistindo à propaganda da igualdade, sem jamais tocarmos na sua substância.

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Hermes Magnus
Hermes Magnus
Olá, sou conhecido como o denunciante que fez os políticos verem o sol nascer quadrado pela primeira vez na história do Brasil! Com um apito na mão e um senso de humor inabalável, estou por aqui para garantir que a verdade sempre encontre seu caminho, mesmo que isso signifique abalar algumas estruturas. Lembre-se, a transparência é o melhor disfarce!
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