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A FALSA LIBERDADE DAS MULHERES MODERNAS

Para as mulheres da minha geração

Alana Figueiredo
Por: Alana Figueiredo
27/02/2025 às 11h49
A FALSA LIBERDADE DAS MULHERES MODERNAS
Imagem gerada por IA

Nos ensinaram que deveríamos ser independentes. Desde cedo, ouvimos que o mercado de trabalho era nosso destino e que nossa intelectualidade deveria ser nossa maior ferramenta. Crescemos estimuladas a superar os homens, a não depender deles, a buscar realização profissional acima de tudo. Ser dona de casa ou mãe foi visto como um desperdício de potencial.

Fizemos faculdade, buscamos especializações, disputamos espaço em ambientes tradicionalmente masculinos. Passamos a nos orgulhar de nossos currículos e das nossas conquistas profissionais. Mas, em algum momento, de algum lugar – as vezes o lugar é nosso próprio subconsciente – vieram as cobranças: “Mas e a casa? E o marido? E os filhos?”

De repente, percebemos que não fomos preparadas para uma função que nos pertence por natureza. Ser mãe às vezes nem é uma escolha, mas quando é tornou-se uma escolha tardia e, muitas vezes, um dilema angustiante. Nos casamos tarde, engravidamos (ou não) mais tarde ainda e nos deparamos com a culpa esmagadora de não sermos mães presentes o suficiente. Somos cobradas por uma sociedade materialista que nos ensinou a rejeitar os papéis femininos tradicionais, mas que agora nos critica por não sabermos cozinhar o bastante, por não termos um lar “doméstico” o suficiente, embora sejam locais com todo tipo de modernidade e conforto, nos sentimos cobradas por não conseguirmos equilibrar trabalho e maternidade com maestria, e quando conseguimos, estamos exaustas.

Além disso, não fomos preparadas para casar de forma racional, para escolher um parceiro para a vida de maneira consciente, não nos disseram o quão importante essa escolha seria em nossa trajetória, mas nos julgam quando os relacionamentos falham. A impressão que eu tinha há alguns anos, antes de ter minha filha, era que o casamento deveria ser um apêndice — se tivesse, ótimo, mas se não tivesse, significaria mais liberdade. Aprendemos a saber fazer tudo sozinhas. Eu faço.

Mas, sendo solteira a vida toda, hoje digo com convicção que a solidão é um problema identitário na vida da mulher. Fomos criadas para sermos companheiras e auxiliadoras, mas essas características não têm espaço no mercado de trabalho competitivo. Então, o que faço com aquilo que fui criada para ser? Isso gera uma crise enorme, especialmente quando não há inteligência emocional para lidar com estas situações — outra coisa que também não nos avisaram. Nos disseram que deveríamos minimizar nossas emoções e ser racionais, como os homens.

Ou seja, nos cobram tudo, mas não ensinaram nada e nós estamos criando tudo, ou ao menos nos adaptando e ensinando aos nossos filhos, que há uma necessidade de equilíbrio. Equilíbrio este que estamos ensinando conforme vamos experimentando, é na tentativa e no erro.

Exigem que não falhemos em nada. A essas pessoas, eu sou uma extrema decepção. Mas se precisamos ser excelentes no trabalho, cuidar da casa, educar os filhos, manter um casamento feliz e, ainda por cima, ter tempo para autocuidado, decepcionaremos muita gente. Não dá para agradar todo mundo. Jesus, que salvou todo mundo, não conseguiu agradar todo mundo. Vamos decepcionar, mas se estivermos cumprindo com nosso propósito, então está tudo bem e precisamos aceitar isto. Sem pesos.

Nos prometeram liberdade, nos entregaram um pacote de culpas. Nos disseram que poderíamos ser tudo, mas esqueceram de dizer que seria exaustivo, humanamente impossível.

É nesta geração o momento de questionarmos essa pressão dupla, tripla, exponencial. Talvez seja o momento de rejeitarmos as regras que não nos servem e encontrarmos um caminho que seja verdadeiramente nosso.

Deus > eu > família > os outros > o trabalho.

Esse é o equilíbrio que precisamos reivindicar.

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Alana Figueiredo
Alana Figueiredo
Engenheira com MBA em Gestão de Projetos, possui experiência no setor de agrárias e se destaca por suas habilidades de escrita e comunicação. Ao longo de sua carreira, desenvolveu um profundo interesse por temas culturais e políticos, que agora compartilha como colunista. Tem visão crítica e informada, sempre com um olhar atento às dinâmicas sociais e econômicas que moldam a sociedade.
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