
Se você ainda não percebeu, ou não entendeu, o quanto estamos parecidos com a Venezuela, acho bom começar a adestrar seu paladar para comer cachorros, grilos, baratas e outras espécies de animais e insetos, pois se uma virada de chave não acontecer, a chance de serem estes os pratos disponíveis no cardápio do brasileiro aumenta exponencialmente. E com um detalhe: não estarão nos restaurantes, mas nas ruas, enquanto durarem os estoques. Não descartemos, também, a ampliação da busca por comida nos lixos, coisa que é já há um bom tempo é possível ver em qualquer rua ou avenida das grandes cidades, quando não será mais possível fingir que não vê, principalmente se tiver que brigar por ela.
O Brasil do PT, da esquerda, dos corruptos e oportunistas, é uma versão remodelada do excesso de democracia venezuelana, onde a ditadura usa disfarces mais convincentes aos incautos que, tal quais os venezuelanos, continuam a acreditar nas mentiras do Sistema apesar da verdade lhes ser esfregada na cara diariamente, nos preços dos supermercados, no aumento da violência urbana, no crescimento assustador de moradores de rua, na ampliação das proteções aos bandidos e garantia da impunidade, na perseguição a políticos conservadores de direita. A degradação das garantias à cidadania é exposta diariamente nos telejornais, em especial naqueles que vivem da audiência da violência.
Muita gente acredita que a capacidade que o brasileiro tem de rir de si mesmo é uma virtude. Mas não é. Rir da própria realidade é tão somente uma fuga da realidade, muito mais simples do que olhar no espelho e admitir a porcaria de vida que leva. Para nosso povo, parece ser mais engraçado contar para os outros como lidou com uma tentativa de golpe, ou até mesmo com um golpe sofrido, do que se indignar com o acontecido e cobrar das autoridades uma providência para não acontecer novamente. E é assim que lidamos também com as desgraças sociais nas quais os governos nos enfiam. Hoje, as pessoas dão risada do episódio de confisco do dinheiro no governo Collor, mas se esquecem da quantidade de empresas que quebraram, do desemprego que a medida causou e das pessoas que tiraram a própria vida por causa disso.
A maioria de nós fica feliz quando assiste a um vídeo com cenas reais de violência urbana, nas quais os bandidos acabam morrendo, mas desconsidera que antes de morrer ele já prejudicou muita gente, provavelmente tendo até matado pessoas inocentes que estavam apenas tentando levar sua vida dentro do que deveria ser a normalidade de uma sociedade. Sentimo-nos vingados e, com a alma mais leve, depois de algumas risadas, deixamos para lá que quem matou esse bandido responderá processo, será possivelmente preso, e esse cotidiano surreal reforçará a atuação do judiciário e da imprensa na proteção dos bandidos, no ataque às autoridades, e as verdadeiras vítimas estarão cada vez mais desprotegidas.
Tudo isso aconteceu na Venezuela. Quando a Suprema Corte venezuelana não permitir que Chávez fizesse o que queria, o ditador eleito pelas urnas eletrônicas Smartmatic simplesmente deu um jeito de alterar a lei e quase dobrou o número de ministros, indicando ele mesmo os novos integrantes. Ao entender que as forças armadas venezuelanas poderiam ser um problema, Chávez passou a promover generais, tendo hoje cerca de 2000 generais na ativa, contra apenas 300 no Brasil.
Obviamente, a ascensão de muitos ao posto de general promoveu um efeito cascata, com promoções a rodo de coronéis, tenentes, majores, capitães e por aí vai. Assim, resolveu-se qualquer oposição do judiciário e das forças armadas. O mais fácil, porém, foi a imprensa. Quem aceitou dinheiro para falar bem do governo continuou no jogo. Quem não aceitou foi simplesmente fechado. E vida que segue – muitas e muitas vezes, preso.
Quem teve condições, transferiu seu dinheiro para outros países e fugiu da Venezuela, deixando para trás propriedades e a própria história. Outros fugiram pela selva mesmo, sem dinheiro, sem saber o que seria do futuro, migrando para o Brasil e Colômbia e destes países para outros destinos. Já os políticos opositores, a maioria, foi calada, presa, cassada pela justiça, ameaçada pelas forças armadas, muitos se exilaram, e uma parte simplesmente desapareceu ou morreu.
Nos últimos anos, Maduro optou por retirar seus opositores da vida pública, cassando seus direitos políticos às vésperas das eleições, até chegarmos à fraude da última eleição que o manteve no poder, e para a qual a esquerda brasileira, institucionalmente, fingiu que não viu institucionalmente ou apoiou incondicionalmente, como fez o PT. E se até aqui você não viu nenhuma semelhança com o Brasil atual, procure um psicólogo, rápido. Ou até um psiquiatra, pois pode estar precisando de um remédio para recompor sua química cerebral. O enredo é quase idêntico, apenas com um verniz diferente.
Jair Bolsonaro ficou inelegível por uma reunião com embaixadores. Zero crime nisso. Agora foi indiciado por um golpe que não aconteceu, mesmo que tivesse até planejado. Não tem nenhuma responsabilidade sobre o que estão imputando a ele. De novo, zero crime nisso. Com ele, mas 33 pessoas também foram indiciadas sem ter cometido delito algum, e repito, mesmo que tivessem pensado em fazer, planejado fazer, não fizeram nada.
O caso Daniel Silveira é exemplar. Foi cassado por suas palavras em pleno exercício de seu mandato e de suas prerrogativas parlamentares. Deltan Dallagnol foi cassado por filigranas. Fernando Francischini foi cassado no Paraná por criticar as urnas eleitorais, cassando junto os demais deputados que entraram com ele pelo quociente eleitoral.
Carla Zambelli, apesar de se manter no cargo enquanto recorre ao TSE, também teve seu mandato cassado e, se seguirem o que aconteceu com Francischini, levará consigo de 3 a 4 deputados federais, entre eles Luiz Philippe de Orleans e Bragança, uma voz incômoda à esquerda brasileira por ser uma liderança capaz de alçar voos maiores na carreira política caso Bolsonaro não recupere sua elegibilidade.
Pablo Marçal também se tornou inelegível após a palhaçada que protagonizou na eleição municipal de São Paulo, mas não exatamente pela farsa, sendo o problema real seu inequívoco potencial eleitoral, um perigo imenso para a esquerda em 2026, uma vez que mesmo contando que não tenha capacidade de ser eleito, tiraria muitos votos da esquerda. Além disso, outros deputados federais da direita são perseguidos e constantemente ameaçados, exemplos de Nikolas Ferreira, Carlos Jordy, Felipe Barros e tantos outros.
O paredão moderno não é mais um muro extenso no qual os condenados são postos lado a lado de frente para o pelotão de fuzilamento. Muito menos se parece com paredão de reality shows, no qual são eliminados por votação. O paredão moderno elimina sem tiro, sem sangue, sem mesmo a vítima ter cometido crime algum. O fuzilamento é na caneta, com ar cerimonioso, em ambiente requintado, sem que o réu precise estar presente, parafraseando a premissa de Lavrentiy Beria, o chefe da polícia secreta de Stalin a quem é atribuída a frase “Mostre-me o homem e eu lhe direi o crime”. No paredão brasileiro, “Invente um crime e eu lhe direi o homem.”
Bem vindo à Nova Venezuela!