
O take 3 nesta coluna - em meu íntimo conflita ainda se o não deveria ter feito no primum actum - servirá, unicamente, para, daqui em diante, me posicionar em relação ao leitor, dizer-lhe ao que venho e o que ele deverá esperar ou não esperar (dependendo da perspetiva) no que tange às minhas contribuições aqui sobre certos domínios e ordens de grandeza. Em concreto, me posicionar em relação a dois mastodônticos assuntos que, de forma quase unânime, todos decretam (com alguma razão, em certa parte, diga-se - no epílogo da hermenêutica direi de minha justiça) -, que todos decretam, dizia, que “não se devem discutir”- religião & política.
Meu “alter” diz-me que é um “risco” expor-me a tal nível, mas assumo-o conscientemente, mais que não seja para que alguém que me leia a jusante não venha a ser pego de surpresa e, porventura, venha a ofender minha inteligência e pessoa taxando-me de “anti, ista ou daquilismo”.
A ênfase será “o momento” - porque só ele, de fato, importa e existe -, portanto, não me verão aqui discorrer sobre como me posicionava ou pensava nos meus verdes e incautos anos e qual a evolução de minhas idiossincrasias acerca desses dois temas em particular, ao longo duma biografia que já conta com quase meio século - os últimos 33 deles de incessante busca, autodidatismo e aprimoramento...
Curto e grosso - e sou-o cada vez mais convicto; jamais, ressalve-se, sofisticamente dogmático -, no que à religiosidade concerne, revejo-me naquilo que acutilantemente se define por omnista. Isto é, creio que nenhum conglomerado religioso, de todo, é detentor de integrais verdades e/ou revelações, mas que partes destas poderão ser encontradas em todos eles - e sempre, mas sempre, e isso é fulcral reter, em forma de metáforas, parábolas e/ou analogias. Aderir/converter-se a um credo, seja ele qual for, pela via da literalidade é o primeiro passo para “errar o caminho, a busca e, consequentemente, o sentido”... Sincreticamente falando, e esta é uma das maiores verdades que o nosso discernimento poderá almejar, direi que existe um único cordão umbilical entre a nossa componente físico-mundana (micro) e o sacro-transcendental (macro), a saber: o liame espiritual puro e simples. Partindo deste óbvio e inexorável pressuposto, conclui-se que todas as nomenclaturas & construtos - as ditas “religiões oficiais, estatizantes, estereotipadas, pomposas, ciosas, aglutinadoras e senhoras de si” - serão (e, neste particular, estarei a suspender o juízo), derivações, expansões e orbitações cujos diferentes signos e significantes remetem a um só e nuclear significado: a vital religação espiritual à Sumidade Emanante e Matricial...
Umas mais estruturadas, encorpadas e consistentes - as abraâmicas -, outras mais superficiais, esotéricas, pontuais e limitativas. Mas, certamente (e aqui interrompo a suspensão do breve juízo), partições com o intrépido e calculado fito de segmentar a holística e sagrada verdade de nós - a de que todo o indivíduo nasce com a divina centelha, ou seja, porta o universal em humana forma. E de que não é que ele faça apenas parte da criação. Ele é um co-criador de realidades -, partições, pois, para confundir, dividir, clivar e apartar o “rebanho”, rebanho, esse, que, assim, e convenientemente, fica mais fácil de manipular e controlar pelos “CEO’s Pastores, Arquitetos & Construtores das urdiduras, crenças e savanas humanas” - um governo oculto que, ipsis litteris, “esconde/camufla todo ouro e oferta limalhas de bronze enferrujado”…
Portanto, defino-me então como um seletivo omnista, adepto fervoroso das leis/princípios herméticos e cuja personalidade, têmpera, caráter, moral, ética e fé, de forma paulatinamente inegociável, veio-se moldando “na forja trino-crística”.
Sim! Em Cristo - a Canônica e Arquétipa Palavra que em nós se faz mente e carne (a cruz). O Verbo, a Mensagem e a Imagética que não será uma entidade antropomórfica, corpórea ou personificável, mas um estado culminante de logos e consciência com o qual deveremos entrar em fase, se sincronizar e fundir... Um cristão sui generis se assim me quiserdes enxergar, inteiramente livre no pensamento, imaginação e sensciência (não na expressão, pois que esta, dependendo da temática, é coartada à escala global, o que mostra o tamanho da coisa que a todos controla), independente, imune e averso a qualquer mind control representado na ideia que, atemporalmente, “vem alugando um latifúndio de proporções mundiais nas mentes” (das menos às mais capazes), a saber: a do “monolítico algoz que usa de estratagemas mil para ludibriar e se vitimizar” (dissertaremos no futuro), que “se escuda numa derivação anagrâmica” (ibidem²), “cultua um hexagrama” (ibidem³), reproduz panteões sumérios, jogos babilônicos, circos romanos, ordens jesuíticas e que é o criador de todos os “fraternos antagonismos” (todos!) fulanizados em forma de luas crescentes com estrelas, califados, sultanatos, tariqas sufis, beltranizados em negras nobiliarquias, vaticanos e reinantes papados e sicranizados em irmandades secretas, ocultistas, supremacistas, corporativistas, cleptocráticas e financistas”...
Sim! (retomando e aproveitando o ensejo para expor uma minha e muito cara teoria criacionista) Trindade crística - a estética equacional e geometria arquitetônica da Criação e de tudo o que Dela emana, vibra e se manifesta. Da Trindade-Mor (9) representada pelo Espírito Altíssimo (energia quântica e vibracional infindável), o Pai (a união lemniscate do polo masculino e feminino) e o Filho (tudo o que é criado) fruirá todo um trino composto (6) de magnetismo (o neutro harmônico), onda frequencial (polarizada) e energética (polarizada) que se materializa, por sua vez, na triangulação tridimensional (3), antropológica e ontológica do Ser representada pela consciência (liame espiritual e centelha), razão (polarizada) e emoção (polarizada). E aqui residirá a chave-mestra que abrirá o portal do mistério dos mistérios: a de que em última e escalar instância o acesso ao Divino dá-se, reside e só em nós é possível de ser concretizado - o salto dos saltos de consciência e arrebatamento, o salto dos saltos quânticos, a pedra das pedras filosofais...
O que acabei de dissertar enquadrar-se-á como reflexões, pensamentos, epifanias e experiências religiosas? Sim!
Pertencem a algum sistema de crenças “patenteado”? Não, que eu saiba!
Tem nome? Não será, de todo, uma preocupação, não é o que importa, mas é “Crística”, é “Trina” e, sobretudo, “Quântica” - a Deífica geometria, matemática, musicalidade, fisicalidade e expressão...
Tudo isto, o que ainda discorrerei e outros conteúdos mil - data vênia à autopromoção - embasam e floreiam minhas três obras literárias (COSMION, POMPA & CIRCUNSTÂNCIA e DZÁIT-GÁIST), para quem comigo desejar mergulhar mais fundo ou voar mais alto…
Esclarecimentos dados quanto a “credos”, passemos ao tópico “política”. Neste caso serei bem mais sucinto, pois nunca foi tão fácil percebê-lo. A fulcral questão já não é, em definitivo, a de “esquerda versus direita” que são as “enferrujadas e obsoletas duas lâminas (uma só cortante - a esquerda - enquanto a outra mero mote e justificativa para o golpe) da articulada tesoura revolucionária” (criada em 1789), teatral, demagógica e proselitista de tomada de poder da máquina pública/estatal. O busílis joga-se entre a tirania, o engodo, a perfídia, o parasitismo, a maldade, a corrupção a todos os níveis possíveis e imaginários, a feiura, a perversidade, a pseudo-liberdade (que não passa duma “cenoura de burro”, libertinagem e autofagia), a ignorância, o falatório, a servidão e a destruição de tudo e de todos (“menos os do partido e de quem o criou/financia/lucra”) versus a genuína liberdade, autenticidade, governabilidade, boas e nobres intenções, rigor, probidade, lisura, erudição, decência, capacidade, meritocracia, o de fazer e o de manter, conservar e, se possível, melhorar o que de bom, justo, belo e verdadeiro o Homem consegue produzir e criar. Escolher um dos lados, ainda que não entendível tão intrincada trama, definir-vos-á como pessoa, espelhar-se-á coletivamente e, esta, a sociedade, será a fiel expressão e retrato de cada uma dessas escolhas. A minha, há muito (quando de fato o entendi na plenitude), é óbvia e nem preciso esboçá-la (quanto mais desenhá-la), mas “dai uma mirada lá fora e vide o ponto a que a coisa chegou”...
Direi, por fim, e resgatando o trecho inicial, que estes dois assuntos, como tão sabiamente decreta a sabedoria popular, não serão os mais “desejáveis” para se discutir, publica ou abertamente, e não o serão por uma simples razão: a esmagadora maioria das pessoas não quer dialogar/entender/saber acerca, não quer abandonar sua “grutinha”, mas impor suas enviesadas e cristalizadas visões de mundo (amalgamadas, a mor das vezes, em ilusão, fanatismo, desalinho, superficialidade e caos) e ai daquele que as possa contrariar ou não seguir tais cartilhas, cartilhas, essas, que para merecerem ser “lavradas em pedra” deverão ser absoluta, total, imperativa e categoricamente compreendidas e, tão logo o sejam - demore o tempo que demorar - consubstanciarem-se, aí sim, como rochosos mandamentos...
Eco