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É POSSÍVEL DESEJAR UM FELIZ ANO NOVO PARA 2025?

eles conseguem prender 100, 500, 1000, mas não conseguem prender 1 milhão, 5 milhões, 50 milhões...

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
26/12/2024 às 16h29
É POSSÍVEL DESEJAR UM FELIZ ANO NOVO PARA 2025?
Foto WEB

Em 31 de dezembro de 2019, publiquei um artigo com o título “E 2019 terminará com muitas perguntas que continuarão sem respostas”. A mais importante e relevante para o contexto histórico daquela época, e que, até hoje, continua tendo a mesmo importância e relevância, e sem resposta: quem mandou matar Jair Bolsonaro? Junto dela, outras perguntas relacionadas, e também sem resposta, tornam ainda mais misterioso tudo o que envolveu o atentado contra o ex-presidente em 2018:

  • Quem financiou Adélio Bispo?
  • Quem pagou os advogados de Adélio Bispo?
  • Quem autorizou a entrada de Adélio Bispo no Congresso Nacional no momento que ele esfaqueava Jair Bolsonaro em Juiz de Fora?

O que faz destas perguntas não respondidas algo profundamente mais intrigante é o fato de Bolsonaro ter sido presidente do Brasil por 4 anos, ter tido sob o comando do seu governo a Polícia Federal, e, mesmo assim, não ter conseguido descobrir ou provar quem esteve por trás de tal conspiração que tentou tirar sua vida para que não fosse eleito. Mas a coisa não se resume a isso. Outras perguntas importantes e relevantes para a história do Brasil também permanecem “misteriosamente” sem respostas:

  • Por que STF tem tanto medo de Lula?
  • Por que o STF tem tanto medo de Renan Calheiros?
  • Por que Bolsonaro escolheu Augusto Aras para a PGR?
  • Quais os nomes de todos os ministros de tribunais superiores delatados na Lava Jato?
  • Por que o inquérito inconstitucional de Toffoli e Moraes continua vigorando mesmo sendo inconstitucional e ilegal?
  • Por que o sorteador eletrônico do STF só escolhia Gilmar Mendes quando a ação envolve corruptos da Lava Jato e agora só escolhe Toffoli e Alexandre de Moraes quando se trata de qualquer tema relacionado a conservadores de direita?
  • Por que as investigações da Lava Jato em São Paulo nunca foram para frente?
  • Por que delatores cumpriram penas e pagaram suas multas e os políticos e agentes públicos delatados não?

E não fica nisso.

  • Por que Dilma Rousseff nunca foi presa?
  • Por que Guido Mantega nunca foi preso?
  • Por que Aécio Neves nunca foi preso?
  • Por que Romero Jucá nunca foi preso?
  • Por que a delação de Antônio Palocci não produziu efeitos devastadores?
  • Quem financiou os hackers de Araraquara?
  • Quem pagou os advogados dos hackers?

Estamos no final de 2024, a poucos dias destas perguntas completarem 5 anos sem respostas, ou pelo menos sem as respostas corretas e devidas para algumas poucas, para a maioria delas continuamos e continuaremos sem saber por muitos anos, e talvez a minha geração nem saiba, quiçá a história revele um dia. Obviamente, todos nós temos indícios de respostas para quase todas, mas, na atual conjuntura, qualquer insinuação pode dar cadeia por muitos anos, especialmente se forem escritas com batom em alguma estátua.

Nos últimos 5 anos, vivemos o momento mais farsesco de toda história do Brasil. Um festival de mentiras e narrativas, de abusos de poder e distorção dos fatos e das leis, de inversão e perversão da realidade, de uso das instituições públicas e privadas para modificar o cotidiano dos cidadãos, restringindo direitos e liberdades, principalmente o direito à verdade e a liberdade de dizê-la.

O que se avizinha para 2025, faz do desejo de um ano novo não ser mais do que mero desejo retórico. É sincero o desejo de muita saúde a todos, de prosperidade, de felicidade, mas é difícil crer que consigamos tudo isso no caminho que o Brasil ruma. Temos um governo perdulário e irresponsável; temos um judiciário comprometido com uma agenda que não diz respeito às necessidades do país; temos um legislativo inerte, corrupto e apenas preocupado em manter tudo como está; temos as instituições de segurança cooptadas por um projeto que não tem absolutamente nada de democrático. E, por fim, temos uma população - e quando digo população me refiro aos milhões de pessoas que não tem a menor noção do que é cidadania, de quais são seus direitos, e da realidade que vivemos – que aprendeu a viver um dia de cada vez, sem pensar no que será do seu próprio futuro e do futuro de seus descendentes.

Somos um povo que se acostumou a viver sem respostas para perguntas fundamentais para suas próprias vidas, que não sabe se indignar e muito menos o poder que a indignação coletiva tem para mudar os destinos de um país. Pior do que isso, um povo que passou a ter medo de perguntar e se acostumou a tratar mentiras e narrativas como verdades, e não se preocupar mais em entender as coisas como de fato elas são. Mas, existem dezenas de perguntas que, uma hora ou outra, terão que ser respondidas:

  • O que há por trás de tantos desmandos no Brasil?
  • Quem dá poder a essas autoridades para abusar do poder que têm?
  • Quem realmente manda neste país?
  • Por que nossas instituições privilegiam tanto os criminosos em detrimento dos honestos?
  • Haverá freio para tantas arbitrariedades?
  • É possível prever que em algum momento recuperaremos nossos direitos e liberdades?
  • Teremos respostas para tantas perguntas?
  • Seremos capazes de mudar os rumos do Brasil antes que seja tarde demais?
  • Já somos, de fato, um país igual à Venezuela?
  • Quem mandou matar Jair Bolsonaro?

Como eu mesmo, vejo muitas pessoas inconformadas com tudo isso. Porém, por mais barulho e manifestações que façamos em redes sociais, ainda somos poucos, e menos ainda os que se dispõem a colocar em risco seus privilégios e a pouca liberdade que ainda têm. E não posso dizer que não entendo isso. Entendo. Como também entendo que, da forma como estamos e protestamos, sem engajamento real, dificilmente alguma coisa vai mudar. Muita gente me diz que ir para às ruas é arriscar ser preso. Também não discordo disso. Penso, no entanto, que há métodos mais inteligentes de protestar, sem sair de casa, sem correr esse tipo de risco. Contudo, penso, também, que eles conseguem prender 100, 500, 1000, 5000, 10000, mas não conseguem prender 1 milhão, 5 milhões, 50 milhões. E diz o ditado que uma andorinha não faz verão. Só que não queremos fazer verão. Precisamos é fazer uma primavera, como outras tantas que mudaram o rumo de muitos países.

Acredite, ou não. Por mais que não pareça, essa foi minha maneira de desejar que 2025 seja um ano novo. Não é um desejo tradicional, daqueles que a gente fala porque fala, porque aprendeu ao longo da vida que tem que falar para as pessoas próximas, tipo aquele “tudo bem” que respondemos mecanicamente quando alguém pergunta como estamos, mesmo estando tudo péssimo. Desejo mesmo um ano novo, diferente de tudo o que vivemos nos últimos 10 anos, quando a Lava Jato nos mostrou o verdadeiro Brasil em que vivemos e nutrimos a esperança de que tudo seria diferente, mas não foi. E aqueles personagens todos, dos quais pensamos estar livres, é que estão no comando novamente, para se vingar da nossa esperança.

Que em 2025 você tenha muito amor e muita saúde. É o voto mais sincero que consigo desejar.

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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