
Valha-nos, sem embargo, a bravura individual mais do que improvável e expectável – aquele mágico fator que toda e qualquer tirana equação jamais consegue prever, antecipar, resolver e dominar.
Os exemplos reais e ficcionais – tendo em conta a linha do tempo, as leis do espaço, do devir histórico e certos cantos literários – são por demais profusos para que aqui me seja pertinente enumerar ou enaltecer.
Bastar-nos-á, pois, o atualíssimo caso na hodierna conjuntura tupiniquim. Mas já lá iremos...
É aqui, na Pindorama, que eu vivo há 14 anos;
É a realidade mais crua, dura e vívida que, sem idiopatias ou cegueiras cognitivas, se enxerga com a mais cristalina das clarezas;
É, portanto, a ela que aqui me referirei com a máxima propriedade e conhecimento de causa.
Reparai: sou um nato cidadão português que nada ganha em se engajar nestas minudências tropicais (muito pelo contrário, só tenho perdido...), não tenho lado, não sou pago por ninguém, não tenho o rabo preso com quem quer que seja, isto é, luto, antes de qualquer outra coisa, numa particular e intrínseca guerra espiritual e moral aqui materializada por desalmados tropicalistas que (a priori) nem sequer será minha... Só que não!
Esta geolocalizada realidade replica e é uma variante dum corrompido macro-levante espiritual contra toda a harmonia, ordem, amor e paz original que, a todo o tempo, ressoa neste nosso mundo e a ele é trazido pelos próprios humanos contra si mesmos, que a todos vem tragando, que sempre tragou e tragará, aquém e além-fronteiras, e que, por isso, a todos afeta ou afetará sem dó nem piedade estejam eles despertos, errônea e soberbamente convictos, imbecilizados ou hipnotizados.
Quem imaginaria que a venezualização, o PC chinês, a cubanização exasperante e, pasme-se, a chegada do PCC canarinho (narco estado paralelo & de crime organizado paulistano) a todas as esferas do mais alto poder institucional iria aqui aportar tão rápido trespassando as linhas terrestres, costas marítimas, sedes midiáticas e virtuais deste giganto Brasil?
Sim, quem imaginaria!?
Eu respondo-vos de megafone: os poucos que observaram com a mínima lucidez, neutralidade e equidade tudo o que aqui ocorreu entre os anos de 2018 e o momento atual; Os poucos que não se calaram, que rebateram as atrocidades narrativas, as repetidas e esdrúxulas assunções e afirmativas oriundas de todos os quadrantes, perfis e tipologias humanas e que, por isso, viram amigos e familiares a fazê-lo (porque naturalmente rebatidos e contraditados pela mais elementar das justiças e o mínimo de compromisso com a verdade) se afastarem com ódio no coração; os poucos que se expuseram e bradaram, incessantemente, alertando quem aqui vive (iludidos, ignorantes, doutrinados, vendidos, padecentes cognitivos e de caráter) e o resto do mundo (desinformado, manipulado, ignoto, néscio e, também ele, formatado, mestre e doutorado em doutrina) das malignidades e barbaridades que vieram e vêm sendo aqui, gradativamente, praticadas até chegarmos ao regime e estado de coisas vigente; Os poucos que, missionária e sacerdotalmente, pois que nunca antes ficara tão claro, exposto e manifesto, alertaram para o silêncio da grande mídia nacional e internacional em mostrar a verdade real e fatual, por um lado, a ser, ela própria, a garota-propaganda do regime, a prostituir e a deturpar a mais elementar verdade, a manipular, desavergonhadamente, tudo e todos, por outro, e, não se dando ainda por satisfeita, a edificar toda esta distopia que ajudou como ninguém a ser instaurada, instituída e levada a reinar sem freios, pudores ou sofisticados disfarces que caracterizam todas as DEMOcracias por esse mundo fora. E tudo por dinheiro, sempre ele, dinheiro que tudo compra, corrói e destrói...
A breve trecho nem colunas / artigos de opinião assim alocadas numa despretensiosa revista como esta, nem relatos como este aqui lavrados pelo mais invisível andarilho e pela mais inofensiva e amidiática das criaturas serão, sequer, permitidas. Mais doído e danado ainda, palavras ou relatos assim serão taxados de hediondos crimes de opinião, da mais censurável fakenews e / ou atentatórios ao estado kakistocrático de não direito (o real e republicano regime mundial) sem possibilidade de qualquer recurso ou defesa...
Mas, voltando ao início, quem diria que seria um humilde, simpático, afável e franzino aposentado, embora não uma pessoa simples do povo, mas um desembargador que antecipadamente decidira sair da ativa, não só para poder exercer sem ressalvas ou reservas éticas o seu direito de livre expressão, mas para se livrar das amarras, mordaça e antolhos do próprio poder (judiciário) que representava, poder, esse, que aqui (como na Venezuela, por exemplo) deixou de zelar pelos seus princípios mais nobres e basilares (justiça, isenção e garantia dos preceitos constitucionais) para ser sequestrado e encarnar a arma mais contundente e danosa a serviço dos ímpios psicopatas, déspotas, bárbaros e carrascos que tomaram de assalto estas terras e instituições.
Quem diria, dizia-vos, que seria ele a dar o mote e a lançar o brado só com a cara e a coragem, a destacar-se entre alguns outros heróis & guerreiros (justiça lhes seja feita) e a liderar com sua intrépida oratória e alto gabarito jurídico toda uma reação e resgate, ainda que tardio, trazendo-nos luz ao fundo deste tenebroso túnel.
Não tenhamos ilusões: só um poder (maior) transcendental vergará outro poder (menor) transcendental que regula este descomunal e danado paradigma terreno.
Mas, qualquer vitória da resistência neste lugar de padecimentos, ainda que pontual, merece ser sempre cantada, vangloriada e saboreada à La David e Golias.
O nome dele é Sebastião Coelho – o herói improvável do momento, mas que, certamente, fincará e cravará seu nome na verdadeira história deste país – aquela (a verdadeira história, seja ela daqui ou da Cochinchina) que é sempre abafada nas catacumbas da obscuridade...
Anotai-o e saudai-o para que seja lembrado!
In memoriam
Eco