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A PARADOXAL LEVEZA DO SER

Memórias & Retalhos dum Eco Inteligente e Não Replicante™

Marco Paulo Silva
Por: Marco Paulo Silva Fonte: Juntando as peças com intelecto, lucidez & cognição impoluta™
21/08/2026 às 14h35 Atualizada em 21/08/2026 às 14h40
A PARADOXAL LEVEZA DO SER

Não se pode alcançar a mais elevada consciência sem se confrontar a finitude material, pois aquela nos diz que esta última sempre será um processo transmutativo, jamais o ponto final…

 

Será esta a razão de ser de possuirmos consciência?

Por que razão o intelecto nos trai ou engana-se a si próprio?

Por que é que a liberdade contém a semente do mal?

 

Porque o ser humano encerra em si uma encruzilhada de forças e contraforças espirituais / frequenciais / quânticas.

 

Ele é, também, e ainda: intuição, imaginação, pensamento conceptual e simbólico, e capaz de criar representações internas muito além da percepção sensorial imediata.

Mas tais dons carregam sempre com eles uma “sombra”— a ilusão e/ou o afastamento, em maior ou menor grau, da realidade e da verdade.

A mesma faculdade que nos permite imaginar, teorizar, simbolizar e criar permite-nos, também, desprender-nos da concretude.

A imaginação permite-nos “dar o salto”, sim, mas o poder de transcender a percepção transporta, sem embargo, a possibilidade do equívoco e da errância…

A ilusão, portanto, e a existir, não será um erro a eliminar – entenda-se. Faz parte!

“Vem no pacote”!

É a “sombra / o negativo / a coroa” do próprio intelecto.

 

A nossa condição humana traz ainda algo igualmente periclitante: a “independência”.

O chamado “livre-arbítrio”.

Um implante satanizante, brado-o e ratifico-o, há muito, pois o que é exclusivo do Divino é imaculado, incondicional, perfeito, dadivoso e puro amor, tudo o resto é derivativo, relativizante, corrompível e conspurcável…

As trevosas forças impelem o ser humano para o instinto, a fratura, a desconexão, a separação e a existência egoica / egoística.

Isoladamente, tais forças podem tornar-se violência e maldade sobre os demais.

E é tão comum, diuturno e constante (tal malefício)…

Mas, lá está, sem elas, algo de essencial estaria em falta: a nossa individualidade e liberdade possível.

 

Um ser que só deveria agir de acordo com a perfeita harmonia divina não precisaria, verdadeiramente, escolher – assim seria o que seria, ponto!

Se a humanidade fosse composta apenas por forças de luz, poderíamos ser indelevelmente harmoniosos — seria o bastante, mas jamais “livres à condição”…

A possibilidade do mal está, pois, diametralmente ligada à possibilidade da liberdade.

Não porque o mal seja bom, mas porque a capacidade de escolher cria a possibilidade de escolhê-lo.

O mal é então a “sombra” da liberdade…

 

Já a morte está intrinsecamente ligada à própria consciência.

A vida constrói, nutre e fortalece o organismo.

Mas a consciência traz à tona a “interrupção”.

O sistema nervoso contém processos de “dissolução” e de “retirada” — formas em microescala de “morte”.

Vide o fenômeno da febre: quando as forças vitais aumentam, a consciência obscurece-se; quando diminuem, a consciência aguça-se…

A consciência exige uma força contrária à vida.

Sem alguma forma de morte não poderia haver consciência humana comum.

A “morte” não é meramente um acontecimento exterior e / ou aleatório.

Faz parte da estrutura através da qual o ser humano se torna consciente…

 

Somos, pois, o templo que carrega tendências opostas / contraditórias:

 

Imaginação <-> Ilusão

Independência <-> Maldade

Vitalidade <-> Consciência da morte

 

O nosso propósito não será o de destruir tais opostos, mas de transformá-los.

Eis a alquimia!

O alquimista não culpa a sua escuridão – ele estuda-a e disseca-a.

A ilusão tornar-se-á inteligência.

O instinto transformar-se-á em liberdade sem dano a terceiros ou ao próprio.

A experiência da morte tornar-se-á em consciência no seu estado mais puro e elevado.

 

O breu não terá de ser, pois, o destino final.

Mas “matéria-prima” para uma imperativa transmutação.

Transportamos forças que nos podem elevar e forças que nos podem enganar.

Possuímos imaginação, mas podemos perder-nos na fantasia, alucinação ou delírio.

Possuímos independência, mas podemos nos tornar perversos.

Possuímos vida, mas pereceremos.

E é precisamente através de todos estes paradoxos que nos tornamos entidades conscientes e sencientes.

 

O busílis não é tornarmo-nos seres infalíveis, mas sim, sagazes o suficiente para reconhecer qualquer quimera que se preze, nefastos ideários, falsas crenças, proselitismos ou doutrinações mil.

Não é tornarmo-nos incapazes de praticar o mal, mas, antes, livres o suficiente para escolher o bem, o bom, o belo e o justo.

Não é denegar, abolir ou escamotear a “morte” de nossas mentes, mas despertar a consciência inerente à condição mortal de se ser…

 

E a derradeira questão a ser feita não será:

“Por que é que a ilusão, o mal, a doença e a morte existem?”

Mas sim:

“No que nos poderemos transformar por conta delas existirem?” 

Eco

 

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Marco Paulo Silva
Marco Paulo Silva
Nascido, em 1975, e criado em Terras lusitanas, formei-me, academicamente, em Psicologia Clínica.
Na busca pelo binômio - independência financeira / vocação -, há mais de duas décadas que dedico minha vida profissional à investigação criminal e segurança pública.
A partir de 2020 enveredei numa saga literária cujas façanhas já deram azo a três diamantinas obras: COSMION, POMPA & CIRCUNSTÂNCIA e DZÁIT-GÁIST...
O futuro a Deus pertence...
Hoje, vivo em São Paulo, Brasil.
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