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EDUCAÇÃO EM CAMPANHA, RESULTADO ESCASSO

O QUE O ELEITOR DEVERIA SABER SOBRE O POPULISMO EM TORNO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Alana Figueiredo
Por: Alana Figueiredo
21/04/2026 às 09h50
EDUCAÇÃO EM CAMPANHA, RESULTADO ESCASSO
Imagem gerada por IA

Em todo ciclo eleitoral, a promessa de investir em educação se repete.

O discurso soa nobre, tecnicamente incontestável e politicamente seguro. Afinal, quem seria contra melhorar a educação?

O problema é que, no Brasil, embora essa promessa acompanhe praticamente todo o período desde a redemocratização, nunca tivemos resultado bom o suficiente para dizer que ela foi cumprida.

O país convive há décadas com um discurso eleitoral que trata a educação como prioridade. Ao mesmo tempo, os resultados seguem insuficientes, desiguais e, em muitas regiões, alarmantes. Será que o problema está na falta de recurso ou na incapacidade de executar?

Dizer que vai investir em educação é fácil. Difícil é mostrar como esse investimento será transformado em alfabetização na idade certa, aprendizagem real, qualidade docente, gestão eficiente e melhora consistente dos indicadores.

É justamente aí que o eleitor precisa elevar o nível da análise.

Devido ao tamanho continental do país, não faz sentido falar do Brasil como se ele fosse uma realidade única. Dentro do Brasil, há muitos “Brasis”. Quem quer entender a política brasileira com seriedade precisa abandonar a leitura simplista do país como uma massa uniforme.

O Brasil real acontece nos municípios.

É nos municípios que os alunos entram em sala, que a merenda chega ou não chega, que o professor encontra estrutura ou abandono, que a gestão pública demonstra capacidade — ou incapacidade — de fazer funcionar o que foi prometido.

Os padrões regionais aparecem depois.

Primeiro existe a realidade municipal. Depois vem a repetição dessas realidades, que produz um retrato regional mais amplo.

Esse ponto importa porque a desigualdade educacional brasileira não está distribuída ao acaso. Ela se organiza territorialmente. Há regiões com indicadores mais sólidos e outras em que a alfabetização, a aprendizagem e a qualidade da educação básica continuam muito abaixo do necessário.

Essas diferenças são pedagógicas e políticas. Isso porque a educação molda contexto — e contexto influencia voto.

Aqui entra a parte que exige mais lucidez.

Relações sociais e eleitorais nunca são lineares. Por isso, não se trata de dizer, de forma simplista, que determinada região vota de um jeito apenas por causa da educação.

Mas também não faz sentido fingir que contexto educacional, acesso à informação, repertório cívico e capacidade de leitura crítica não influenciam a forma como decisões políticas são tomadas.

Influenciam.

Regiões com maior vulnerabilidade educacional tendem a apresentar ambientes mais propensos à política de dependência, à comunicação mais emocional, à promessa mais imediata e à menor exigência de desempenho institucional.

Já regiões com maior capacidade de organização econômica, maior densidade produtiva e melhores indicadores de informação tendem a responder de forma diferente aos ciclos eleitorais.

Isso indica que decisões políticas também são moldadas pelo ambiente em que as pessoas vivem. E esse ambiente inclui educação.

Portanto, o eleitor precisa mudar o filtro.

Enquanto o debate eleitoral continuar preso ao “vou investir mais”, o resultado continuará pobre.

As perguntas corretas seriam: o que o candidato fez até aqui com os recursos, a estrutura e a autoridade que já existiam? Quem já governou entregou resultado? Quem ocupou cargo executivo conseguiu melhorar indicadores concretos? Quem fala em educação sabe distinguir o que é gasto do que é gestão? Quem promete expansão sabe explicar execução? Quem pede mais recurso consegue provar eficiência com o recurso que já teve?

Essa mudança de perguntas eleva o nível do voto. E voto mais elevado melhora a política, porque melhora a qualidade de quem é eleito.

O Brasil sofre com baixa capacidade de transformar prioridade em resultado.

Esse padrão aparece em várias áreas, mas na educação ele se torna especialmente cruel, porque compromete o presente da criança e o futuro do país ao mesmo tempo.

Sem alfabetização adequada, sem base cognitiva forte e sem ambiente escolar consistente, o país forma gerações menos preparadas para a autonomia, para o trabalho produtivo e para a participação política qualificada.

Depois, tenta corrigir isso com mais slogan. Não funciona.

Educação é, sim, um tema eleitoral.

Mas deveria deixar de ser apenas um tema de promessa e passar a ser um tema de cobrança.

O eleitor brasileiro precisa aprender a se importar menos com o discurso e mais com a capacidade de execução. Precisa olhar menos para a intenção anunciada e mais para o resultado demonstrado.

Porque, no fim, o futuro de um país depende da sua capacidade de fazer no presente.

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Alana Figueiredo
Engenheira com MBA em Gestão de Projetos, possui experiência no setor de agrárias e se destaca por suas habilidades de escrita e comunicação. Ao longo de sua carreira, desenvolveu um profundo interesse por temas culturais e políticos, que agora compartilha como colunista. Tem visão crítica e informada, sempre com um olhar atento às dinâmicas sociais e econômicas que moldam a sociedade.
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