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VELOCIDADE POLÍTICA É MODELO DE PODER

PAULO GUEDES RESUMIU UMA PERCEPÇÃO COMUM COM UMA FRASE PROVOCATIVA

Alana Figueiredo
Por: Alana Figueiredo
14/04/2026 às 12h15
VELOCIDADE POLÍTICA É MODELO DE PODER
Imagem gerada por IA

Durante o Fórum da Liberdade (2026), Paulo Guedes disse: “O que um tucano leva 30 anos pra fazer, um liberal faz em meses e um socialista não faz.”

Parece uma crítica ideológica, mas é a conclusão de um economista que interpreta o “espírito do tempo”, (outra expressão utilizada pelo ex-ministro da economia ao longo de sua palestra).

A frase se refere a modelos políticos que produzem velocidades diferentes de decisão.

Existe uma tendência de analisar política a partir de valores: quem quer ajudar mais, quem tem propostas melhores, quem “se importa”. Mas, na prática, decisões não acontecem por intenção. Elas acontecem por estrutura.

Cada modelo de Estado define quantos atores precisam concordar, quantas etapas são necessárias e qual o custo de mudar o que já existe. E isso determina, inevitavelmente, a velocidade com que qualquer decisão pode ser tomada.

Três modelos, três ritmos

A frase de Guedes pode ser interpretada como uma simplificação de três lógicas distintas:

1.        O “tucano” (o social-democrata)

Baseada em negociação ampla, construção de consenso e equilíbrio entre interesses.

Na prática, isso significa mais atores envolvidos, mais mediação e, consequentemente, mais tempo para qualquer mudança relevante

O resultado é previsível: decisões mais lentas — ainda que, muitas vezes, mais negociadas.

2.        O liberal

Parte do princípio de que o excesso de intermediação trava o funcionamento da economia. Por isso, tende a reduzir camadas de decisão, a simplificar regras e diminuir o papel direto do Estado.

Com menos pontos de veto, o sistema responde mais rápido. A decisão não é necessariamente melhor — mas é mais ágil.

3.        O socialista

Nesse modelo, o poder se concentra mais fortemente no Estado, com maior controle sobre setores da economia. Em teoria, isso permitiria decisões rápidas. Na prática, porém, surgem dois efeitos: aumento da rigidez institucional e dificuldade de adaptação a mudanças

O resultado costuma ser o oposto do esperado: baixa capacidade de execução real ao longo do tempo.

O custo invisível da lentidão

No debate público, fala-se muito sobre “o que deve ser feito”. Fala-se pouco sobre quanto tempo o sistema leva para fazer qualquer coisa.

Esse tempo tem custo — e quanto maior a demora, maior a ineficiência acumulada ao longo do sistema.

Ele aparece em forma de reformas que se arrastam por décadas, projetos que nunca saem do papel, insegurança para quem investe e dificuldade de planejamento de longo prazo

Lentidão institucional impacta diretamente a vida das pessoas — mesmo que de forma invisível.

O problema brasileiro

No Brasil, esse efeito se intensifica, pois temos alta complexidade regulatória, múltiplos centros de decisão e estruturas que se sobrepõem.

Como resultado, temos um sistema que demora para decidir, demora para executar e, muitas vezes, não consegue concluir o que começou.

Mesmo quando há vontade política, o modelo impõe limites.

Velocidade também é política

A discussão sobre modelos políticos costuma girar em torno de valores, ideologias e narrativas. Mas existe uma dimensão menos visível — e igualmente importante: a capacidade de decidir.

Porque, no fim, não basta ter boas ideias. É preciso ter um sistema capaz de transformá-las em ação.

A frase de Paulo Guedes é provocativa — e talvez por isso funcione. Mas a provocação maior está no diagnóstico: velocidade de decisão depende do modelo que sustenta o poder. E modelos diferentes produzem realidades diferentes.

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Alana Figueiredo
Alana Figueiredo
Engenheira com MBA em Gestão de Projetos, possui experiência no setor de agrárias e se destaca por suas habilidades de escrita e comunicação. Ao longo de sua carreira, desenvolveu um profundo interesse por temas culturais e políticos, que agora compartilha como colunista. Tem visão crítica e informada, sempre com um olhar atento às dinâmicas sociais e econômicas que moldam a sociedade.
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