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TOFFOLI – UM PEIXE PEQUENO NA REDE

Ah! Mas Toffoli é ministro do STF, não é peixe pequeno!

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
12/02/2026 às 10h08
TOFFOLI – UM PEIXE PEQUENO NA REDE
Imagem IA

AH! MAS TOFFOLI É MINISTRO DO STF, NÃO É PEIXE PEQUENO!

Certamente alguém dirá isso ao ler esse título. Mas reafirmo: Toffoli é peixe pequeno. E mais: é só um bagrinho de merda nesse lago imundo!

Há tempos escrevi um artigo com o título “Dias Toffoli, a cadeira mais mal ocupada do STF”- hoje offline. Lembro que um dos meus leitores mandou uma mensagem dizendo que Alexandre de Moraes seria essa cadeira mal ocupada. Não é.

Ainda que a ascensão de Moraes ao STF tenha sido por vias muito tortas, ele pelo menos tinha uma carreira no Ministério Público, foi secretário de Transportes da prefeitura de São Paulo e secretário de Segurança do Estado de São Paulo. Toffoli não tinha sido nada além de assessor de José Dirceu e advogado ligado ao PT, tendo sido reprovado duas vezes em concurso para a magistratura. É como se um médico que nem fez residência fosse nomeado para o Conselho Federal de Medicina.

É lamentável ter que gastar palavras e pensamentos com uma figura tão insignificante, mesmo sendo ela um ministro do Supremo Tribunal Federal, alguém que, a meu ver, não tem estatura para o cargo, nem grande representatividade no cenário maior das engrenagens de poder que orbitam escândalos de corrupção no país. Pegaram um fogueteiro do crime organizado e deram para ele uma posição de comando na organização.

Não estou aqui desconsiderando os danos que ele possa ter feito usando a prerrogativa do cargo, apenas pontuando que o fato de estar ali não lhe dá, na minha avaliação, autoridade moral ou intelectual para nada. Lula o colocou lá — e depois viu decisões suas que contrariaram interesses do próprio grupo político que o indicou. E, como se sabe, traição não costuma ser tolerada no mundo do crime.

As conversas de Toffoli com Daniel Vorcaro, reveladas a partir da extração de dados do celular do empresário, mesmo sem sabermos ainda o teor integral das mesmas, expõem no mínimo uma proximidade imprópria para alguém na função que ocupa. Certo de que nada poderia alcançar sua cadeira, teria sido pouco — ou nada — cuidadoso. Esqueceu que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, e que estava do lado fraco. Na situação em que está Vorcaro, conhecida a existência dessas interações, não é difícil imaginar o potencial de pressão investigativa que pode emergir daí.

E OS PEIXES GRANDES?

O ministro Gilmar Mendes já havia sido citado em interceptações telefônicas no passado, em conversas tornadas públicas no contexto de outras investigações, nas quais interlocutores estavam sob monitoramento da Polícia Federal. Em uma delas, o então senador Aécio Neves pedia interlocução política; em outra, um ex-governador recebia solidariedade do ministro, que mencionava disposição para dialogar com colegas da Corte.

Mas... O que mais teriam encontrado em telefones de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Luís Roberto Barroso, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Edson Fachin se os sigilos de seus celulares tivessem sido quebrados em algum momento? Imagine, na época da Lava Jato, por exemplo, se o telefone do então advogado Cristiano Zanin tivesse ido parar nas mãos da Polícia Federal para extração de conteúdo. Com quem teria conversado? E o que teria sido conversado?

Fico aqui imaginando quantos celulares não estariam sendo destruídos em Brasília nas últimas semanas. Como exemplo, o celular do presidente da AMPREV, sistema de previdência estadual do Amapá, não foi apresentado na operação da Polícia Federal em sua casa — tendo ele entregue outro aparelho, alegando que o anterior estava com a tela quebrada e teria sido repassado a um terceiro na noite anterior. Até mesmo o síndico que assassinou a corretora em Caldas Novas, Goiás, usou expediente semelhante para justificar a ausência do aparelho antigo.

Celulares não registram apenas ligações ou mensagens de texto. Registram geolocalização, horários, itinerários — coisas que às vezes pensamos ter desabilitado, mas que softwares forenses conseguem resgatar, até mesmo quando mensagens e ligações são deletadas. Foi exatamente a extração desse tipo de dado no celular de Daniel Vorcaro que trouxe à tona registros de contato com autoridades, entre elas o ministro Dias Toffoli. E, segundo reportagens, outros personagens com foro privilegiado e sem foro também teriam surgido nos registros de interlocução do empresário.

O QUE ACONTECE AGORA?

Tudo. Ou talvez nada.

Como dito no título, Toffoli é peixe pequeno. O cardume entendeu o recado e já está agindo para não cair na rede da Polícia Federal. Enquanto isso, a oposição tenta instalar uma CPMI do Banco Master no Congresso, dependendo, para isso, da boa vontade de Davi Alcolumbre, que indicou o presidente da AMPREV — entidade que investiu recursos relevantes em títulos ligados ao banco, que não dispões da cobertura do Fundo Garantidor do Banco Central e cujo dirigente é hoje citado nas investigações.

Para quem não sabe, a AMPREV investiu cerca de 400 milhões de reais em papéis relacionados ao Banco Master, em três etapas: 200 milhões na primeira, 100 milhões na segunda e mais 100 milhões na terceira. Dois conselheiros votaram contra nas três ocasiões, mas foram vencidos. Um dos conselheiros que aprovou a operação é, coincidentemente, irmão de Davi Alcolumbre.

Portanto, parece não haver muito interesse de Alcolumbre nessa CPMI — seja por cautela política, seja por eventuais impactos colaterais que uma investigação parlamentar mais profunda poderia produzir sobre personagens mais graúdos.

Então, o “tudo” pode significar o colapso institucional caso toda a rede de interlocutores e intermediários de Daniel Vorcaro seja exposta em investigação ampla — especialmente numa CPMI sem interferências judiciais que limitem depoimentos ou presenças.

E o “nada” significa que o Sistema — envolvendo os três poderes — prevaleça para transformar o caso Banco Master em pizza, impedindo que o cardápio final dessa história resulte numa grande peixada nacional.

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Isabel Há 4 semanas Belo Horizonte Minas Gerais Será o destino do Brasil ser Bostil mesmo?
Dirceu AntunesHá 4 semanas Brighton InglaterraParabéns pelo texto e clareza dos fatos.
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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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