
Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso duas vezes, Lula duas vezes, Dilma duas vezes, Bolsonaro uma vez, Lula mais uma vez. Estes foram os presidentes eleitos pelo voto popular após a redemocratização do país. Sarney foi imposto pela morte de Tancredo. Itamar Franco assumiu com o impeachment de Collor, o mesmo aconteceu com Michel Temer com o impeachment de Dilma em 2016. Em 35 anos, com 9 eleições diretas para presidente, o Brasil teve apenas 5 presidentes diferentes.
Qual é a semelhança entre eles? Collor era o caçador de Marajás que acabou caçado e cassado pelo Sistema. FHC foi eleito e reeleito na esteira do Plano Real implantado no governo Itamar Franco. Lula era a novidade que manteve o tripé econômico herdado do governo anterior, mas que no plano social começou a implantar o lulopetismo já no primeiro mandato enquanto surfava nos altos preços das commodities no mercado internacional, entregando um Brasil já com finanças deterioradas para Dilma, que acabou de afundar o país.
Temer, apesar de não ter sido eleito, deu uma boa corrigida nas finanças, mas sem mexer no socialismo herdado de Lula e Dilma. Então veio Bolsonaro, que tentou intervir no caminho socialista do Brasil, inaugurou uma política econômica austera e liberal e entregou o país com as estatais dando lucro e saldo de mais de 60 bilhões de reais em caixa. E aí, o povo (a dúvida continua!), com a ajuda do Sistema, colocou Lula na presidência novamente.
Collor era diferente de FHC, que era (nem tanto) diferente de Lula, que elegeu Dilma achando que seria igual, mas acabou diferente para pior, que era totalmente diferente de Bolsonaro, que é completamente diferente de Lula. E foi o povo que elegeu todos eles. Pelo menos é nisso que temos acreditado ao longo dos últimos 35 anos – e que querem que continuemos a acreditar. Porém, mesmo considerando as dúvidas cabíveis, não dá para desconsiderar que o povo brasileiro vota mal e vai com o rebanho sem muita responsabilidade com o que faz com seu voto.
Quando usamos o nordeste como parâmetro, fica fácil de entender. O povo nordestino acolheu Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Uns com mais entusiasmo, outros com menos, mas sempre com a mesma esperança de que algum deles faria algo pelo nordeste além de distribuir sandálias havaianas nas eleições e pacotes de assistencialismo para mantê-los desempregados e felizes. E até quem, com alguma honestidade de propósito, tentou fazer, encontrou um empecilho no Sistema, que, através do Congresso Nacional e do judiciário, sempre impediram que a região evoluísse para além do assistencialismo eleitoral.
Se a qualidade de vida e do patrimônio da massa de eleitores brasileiros tivesse evoluído na mesma proporção que evoluiu a qualidade de vida e o patrimônio dos políticos brasileiros, a maioria deles não se reelegeria com a facilidade que isso acontece. Evolução de qualidade de vida implica em evolução educacional, e a educação, principalmente a falta dela, é a chave para a manutenção de uma população atrasada que se obriga a votar em políticos que têm o assistencialismo como plataforma eleitoral. É o povo que vota com o estômago e esquece que o que põe dentro dele irá parar no esgoto a céu aberto que tem ao redor de suas casas.
Esperar que as eleições de 2026 tenham resultados muito diferentes dos obtidos nos últimos 35 anos continuará sendo muito mais um ato de fé do que uma aposta com base na realidade. Podemos até mudar o presidente, e quem sabe formar uma maioria diferente no Senado Federal. Contudo, enquanto as regras eleitorais brasileiras permitirem que partidos tenham donos, que esses donos tenham a premissa de escolher quais serão os candidatos aos cargos eletivos, e as eleições proporcionais colocarem nas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e na câmara dos deputados pessoas que não foram eleitas com seus próprios votos, a tendência é que nada vá mudar, ou pelo menos mudar significativamente.
Apesar da incerteza de quais serão exatamente os candidatos à presidência da república em 2026, sabemos que são os eleitores. E sabemos também como o Sistema, por ações do TSE, do STF, de propostas de lei que tramitam no Congresso Nacional, pelas mãos do governo, senadores e deputados, já se prepara para produzir eleições que restrinjam ao máximo a circulação de verdades – e não falei nem informações, mas verdades mesmo – o que vai prejudicar profundamente o debate público e impedir ao máximo que a massa eleitora possa ficar mais esclarecida para decidir em quem deve votar e em quem não deve votar.
Estamos extremamente próximos da décima eleição direta para presidente da república após a redemocratização do país em 1985, mas cada vez mais distantes da democracia tão ansiada por aqueles que diziam combater o regime militar em nome dela, mas queriam mesmo a implantação de um regime totalitário de esquerda aos moldes de Cuba, do qual, se o povo brasileiro não tiver responsabilidade na hora de votar, estaremos cada vez mais próximos.
Já vivemos em um regime de totalitarismo e autoritarismo velados, no qual os poderes da república já não são mais iguais, como determina a Constituição Federal. E nem ela própria, e os demais códigos do direito, valem para nortear e conduzir a sociedade brasileira. São inúmeras e repetidas as provas de que a ideia de que todo cidadão é igual perante a lei, conforme estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos e contemplado no artigo 5º da falecida Constituição Federal, no Brasil, não passa de letra morta.
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