Quinta, 11 de Junho de 2026
12°C 21°C
São Paulo, SP

A CAMINHADA REVELADORA

COMO A DIREITA ESTÁ APRENDENDO A ANDAR COM AS PRÓPRIAS PERNAS

Alana Figueiredo
Por: Alana Figueiredo
28/01/2026 às 09h44
A CAMINHADA REVELADORA
Foto: Reprodução/X Nikolas Ferreira

A caminhada encerrada neste domingo expôs um mecanismo humano antigo e eficaz. Revelou que a união de pessoas que se movem juntas, fisicamente, constrói identidade coletiva, pertencimento e consciência de corpo político.

Ao longo da história, caminhadas sempre marcaram rupturas. Povos atravessaram desertos, cidades e fronteiras para sair de estados de submissão e reorganizar sua própria identidade. A peregrinação conduzida por Moisés foi uma ruptura psicológica com a escravidão e a construção de um povo consciente de si.

A caminhada recente nos lembrou desse princípio que permanece o mesmo. Caminhar juntos transforma indivíduos dispersos em comunidade organizada. Reduz o custo de adesão, cria continuidade, produz imagens, registros e memória política.

A ação teve começo, meio e fim definidos. Treinou base. Produziu pertencimento. O encerramento ocorreu de forma clara e o efeito simbólico se consolidou como memória política.

O ponto alto da caminhada foi a forma como a liderança atuou como catalisadora, e não como proprietária do movimento. A legitimidade veio das pessoas. Isso amplia o alcance e reduz desgaste pessoal. O gesto deslocou o debate do discurso para a ação.

A caminhada também revelou algo que muitos evitam admitir: a direita brasileira amadureceu.

O despertar político ocorreu, sem dúvida, durante o governo de Jair Bolsonaro. Existe gratidão histórica, reconhecimento legítimo e defesa da aplicação correta da justiça. Esse capítulo está escrito. Mas a permanência da direita no espaço público já não depende de um único nome.

O que se viu foi uma base capaz de agir, organizar-se e sustentar iniciativas próprias. Isso representa continuidade com autonomia, sem romper com o passado — exatamente o que define o conservadorismo. Gratidão convivendo com maturidade. Reconhecimento convivendo com independência.

Há direita com Bolsonaro. Há direita após Bolsonaro. E haverá direita além de qualquer liderança individual. Esse é o sinal mais claro de um campo político vivo.

Essa constatação incomoda porque desmonta a narrativa de dependência eterna. Também incomoda quem insiste em tratar a direita como fenômeno personalista. A caminhada mostrou o contrário: existe base ativa, consciente e treinada.

A reação progressista já é previsível. Virá a acusação de ameaça institucional, mesmo diante de uma ação pública, pacífica e organizada. Virá a tentativa de minimizar o gesto como algo vazio, apesar de seu efeito prático na mobilização e no treinamento da base.

Essas reações confirmam o ponto central: a caminhada funcionou.

Ela demonstrou capacidade de ação coletiva. Mostrou que a direita aprendeu a caminhar sem tutela permanente.

Povos que caminham juntos constroem consciência. Movimentos que constroem consciência constroem continuidade.

E continuidade política sempre começa quando alguém decide dar o primeiro passo — e seguiremos andando.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Alana Figueiredo
Alana Figueiredo
Engenheira com MBA em Gestão de Projetos, possui experiência no setor de agrárias e se destaca por suas habilidades de escrita e comunicação. Ao longo de sua carreira, desenvolveu um profundo interesse por temas culturais e políticos, que agora compartilha como colunista. Tem visão crítica e informada, sempre com um olhar atento às dinâmicas sociais e econômicas que moldam a sociedade.
Ver notícias
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,10 +0,01%
Euro
R$ 5,91 +0,14%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 344,073,03 +0,39%
Ibovespa
171,497,23 pts 1.71%
Publicidade
Publicidade
Publicidade