
Estamos acostumados com vilões e tiranos da ficção, mas como se eles existissem apenas na ficção. A verdade é que eles existem na realidade, com o mesmo grau de psicopatia, com a mesma falta de empatia, com a mesma certeza de que são donos absolutos da verdade, de que estão acima do bem e do mal, que é impossível derrotá-los.
Thanos, o vilão da série de cinema Os Vingadores (Avengers) representou bem este tipo de vilão. O título deste artigo é a junção de duas frases ditas por ele no decorrer dos filmes. Ele acreditava firmemente que o universo precisa de um novo equilíbrio para eliminar a fome e a pobreza, e na sua concepção isso só era possível se metade dos seres de todos os planetas fosse eliminada.
Esta outra frase define bem o que pensa um tirano quando quer sobrepor sua vontade à vontade dos demais. Faz escolhas sem levar em consideração a escolha da maioria, não se importa com o método, pratica sem piedade a tese de que os fins justificam os meios. Destrói vidas, sociedades, quebra regras de maneira contumaz, se cerca de pessoas que não se importam de obedecer às ordens mais absurdas.
Sente-se inabalável, inatingível, e justifica suas ações colocando-se na posição de salvador. Suas ações são motivadas pela crença de que um sacrifício massivo é necessário para a salvação do todo. Persegue e destrói impiedosamente seus inimigos e qualquer um que se colocar à sua frente. Ele vê o destino como algo inevitável, que chega para todos, e se coloca como seu executor.
Esta outra frase de Thanos exemplifica bem o sentimento dos brasileiros. Estamos perdendo, sentindo desesperadamente que estamos certos. É mesmo assustador. Se nossas pernas não ficam necessariamente bambas, nossas almas ficam. Não temos armaduras de aço, martelos mágicos, superforça, heróis com capacidade de enfrentar o poder do nosso inimigo.
O Congresso Nacional, que deveria cumprir este papel. Contudo, não tem coragem de fazer o enfrentamento. Pior. Teme o inimigo muito mais do que nós. Aceita acordos que lhes garantam não ser eliminado com os estalos de dedos que tiram de cena os opositores. Apenas assiste passivamente quando seus iguais são perseguidos e eliminados. Olham para os lados como se não tivessem nada a ver com isso.
Porém, o final da franquia de Os Vingadores deixa uma lição que precisamos aprender. Enfrentar sozinhos inimigos tão poderosos é burrice. Mas, juntando nossas forças, somos capazes de enfrentar qualquer inimigo. Nenhum tirano tem o direito de nos obrigar a cumprir suas vontades. Nenhum poderoso pode subverter as regras, as leis e a Constituição Federal para impor seus interesses acima da sociedade.
Diz a matéria da Gazeta do Povo de hoje: “O Supremo Tribunal Federal (STF) oficializou em seus canais de comunicação uma doutrina que, na prática, institucionaliza a interferência da Corte na formulação e gestão de políticas públicas, funções constitucionalmente atribuídas aos poderes Executivo e Legislativo.”
E continua: ‘sob o título "Processos estruturais: saiba como o STF enfrenta violações complexas e duradouras de direitos", a Corte admite que suas decisões não se limitam mais a julgar a legalidade de atos, mas buscam "reorganizar políticas públicas inteiras"’.
“Roger Stiefelmann Leal, professor de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo (USP), diz que os "processos estruturais" são uma criação jurisprudencial sem base na legislação brasileira atual.”
“A ideia do "estado de coisas inconstitucional" foi usada, nos últimos anos, para justificar intervenção direta do STF em diversas questões. Na prática, ao empregá-la, o Judiciário se sente autorizado a "alterar a agenda política de prioridades sociais", segundo Leal.”
E disse Thanos: "Eu vou destruir este universo até seu último átomo, e depois, com as joias que vocês coletaram para mim, criarei um novo. Um universo que não lamenta o que perdeu, apenas se regozija com o que foi dado. Um universo grato."
É isso que os tiranos psicopatas que estão mandando no Brasil esperam de nós. E é isso que teremos se continuarmos a acreditar que ainda existem saídas institucionais para que o Brasil volte a ser uma democracia justa, com estado de direito, com liberdade de expressão e respeito às leis e à Constituição Federal.
Acreditar em acordos, negociações ou que uma crise de consciência destas pessoas possa nos trazer de volta à normalidade é mais grave do que acreditar em Papai Noel. Se para Thanos a realidade é muitas vezes decepcionante, para nós, desde 2019, ele é diariamente decepcionante. Não podemos mais viver das consequências do estalar de dedos de nenhum tirano.
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