
A classe política, especialmente a direita, se é que isso de fato existe no Brasil, sempre viu, e continua vendo, primeiro as oportunidades de se dar bem. Inimigos de ontem tornam-se amigos fraternos de hoje, vide Geraldo Alckmin e Lula. Espera dela, portanto, que algo de bom seja feito por alguém, seja povo ou mesmo um amigo ou colega de política, de graça, que seja por humanidade, é no mínimo, para não falar outra coisa, ingenuidade. Temos aí o caso de Daniel Silveira, que não é o da Bíblia, e que também foi jogado aos leões, que não me deixa mentir.
Bolsonaro está condenado a bons anos de prisão, injustamente condenado, com sérios problemas de saúde, debilitado psicologicamente. Todos os políticos que poderiam tirar alguma coisa dele já tiraram, não há mais benefício a ser obtido. Líder incontestável dessa “direita”, inelegível, por que os abutres da política que anseiam ser presidente da república iriam fazer alguma coisa por ele? Quem, e por que, nessa altura do campeonato, iria arriscar uma encrenca com o STF, ou deixar de receber emendas do governo por causa dele? Quer cenário mais favorável?
Portanto, culpar político por agir como político é o mesmo que culpar uma mãe por ser mãe, um padre por ser padre e qualquer outra analogia que sirva para exemplificar a mesma coisa. Além disso, a regra é clara, como diria Arnaldo Coelho. Quem está nesse meio conhece o vespeiro e sabe como viver perto dele sem ser picado. Tem ainda o agravante do ano de eleição, mas, nesse caso específico, não é medo do eleitor. É medo do juiz que pode cassar a candidatura antes mesmo dela acontecer, temos visto isso todos os dias, e só com a “direita”.

Confesso que me sinto mal com o comparativo, mas ele é necessário. Durante os 580 dias de prisão do Lula, uma turba enorme ficou na porta da Polícia Federal de Curitiba. Enquanto ele “manjava" a Janja na cela 5 estrelas, esse povo dava bom dia, presidente, boa tarde, presidente, boa noite, presidente, deixo de sol, de chuva, inverno, verão. Só saíram de lá quando o descondenado foi efetivamente descondenado. Era o povo dele, gente que vota nele, gente que se beneficiou de alguma maneira em seus mandatos e talvez estivesse lá prevendo se beneficiar outra vez. E deu certo.
Possivelmente alguém dirá que esse povo não trabalha e que provavelmente alguém bancou essa galera na porta da cadeia. Talvez as duas coisas sejam verdadeiras. Mas é impossível que não haja entre os eleitores de Bolsonaro pessoas com condição de estar em vigília na porta da Polícia Federal em Brasília. Mais assustador ainda é inferir que também não há ninguém disposto a bancar pessoas para esta finalidade. Seja por imbecilidade coletiva, adoração, doença, oportunismo, ou qualquer outra classificação possível, é inegável como, tal qual os políticos de esquerda, os eleitores de esquerda são capazes de uma união que a “direita” não consegue produzir.
Entendo perfeitamente que o 8 de janeiro é um peso na alma do brasileiro de direita. Mas, se o infortúnio fizer com que Bolsonaro morra na cadeia, o peso que nós, conservadores, de direita, iremos carregar será muito maior e eterno. Foram 57 milhões, 675 mil e 427 votos (57.675.427) dados a ele nas eleições de 2022. E não tem meia dúzia de gatos pingados dispostos a retribuir o sacrifício que ele fez por nós e pelo Brasil, e este é o único crime que o Sistema não perdoou e que o levou a estar onde está.
Jair Bolsonaro está sozinho, só tem a família e Deus. E a culpa não é só dos políticos. É nossa também. Talvez até mais nossa do que deles.
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