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ATÉ QUANDO FINANCIAREMOS NOSSA PRÓPRIA DESGRAÇA?

“Até quando ficaremos apenas dizendo até quando?”.

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Autoral
06/01/2026 às 21h42 Atualizada em 09/01/2026 às 12h17
ATÉ QUANDO FINANCIAREMOS NOSSA PRÓPRIA DESGRAÇA?
Imagem IA

O subtítulo deste artigo já foi título de um artigo antigo, que hoje faz parte de um acervo offline. Esta pergunta me incomoda muito, principalmente por parecer não incomodar muito outras pessoas, talvez porque não tenham nem se preocupado em fazê-la. Mas precisa ser feita pelo máximo de pessoas possíveis. Quem sabe tornando-a repetida com o acréscimo de complementos mais incômodos.

Quem vai a um restaurante cuja comida é péssima geralmente não retorna. Quem compra uma roupa de uma marca de má qualidade normalmente não recompra. Quem se hospeda em um hotel sujo e desconfortável, dificilmente voltará nele. Quem compra uma marca de carro que vive quebrando, quase certo que vai mudar de marca na próxima compra. E este comportamento serve para quase tudo pelo qual pagamos, pois trata-se do direito de escolha de quem produz e gasta em seu benefício. Mas não serve quando se trata de serviço público.

Por que continuamos financiando uma estrutura de Estado que não retorna minimamente o dinheiro que nos é extorquido via impostos? No Brasil, são praticamente 5 meses de trabalho apenas para pagar impostos, o que implica dizer que vivemos 12 meses com o que suamos 7 meses para ganhar. Já pensou nisso? Quem ganha até 2 salários mínimos por mês, recebe o total de R$ 31.512,00 – contando com o 13º salário. O governo fica com R$ 12.120,00 desse dinheiro. Sobram R$ 19.392,00 para viver 12 meses, o que reduz o ganho real a R$ 1.616,00. Esse é o ganho verdadeiro. O governo ficou com 38,46% do que o trabalhador suou.

E por que escolhi este valor como referência? Porque 68% dos brasileiros ganham até 2 salários mínimos por mês e têm os valores retidos na fonte e nas contas que pagam. Ao mesmo tempo, ainda que de forma injusta, o percentual aumenta quanto maior é o salário. O ganho e o patrimônio crescem e as alíquotas sobem. A diferença dos mais ricos está na capacidade de manobrar o dinheiro para fugir de alguns dos impostos, como, por exemplo, o imposto de renda. Leis, benefícios, brechas, maracutaias e contadores competentes fazem milagres. Mas, mesmo assim, eles também financiam a desgraça do país.

Sabemos que financiamos políticos corruptos e continuamos a financiar. Que pagamos impostos injustos e escorchantes e continuamos a pagar. O que fazem com o dinheiro e continuamos a financiar. E continuamos apenas a dizer “Até quando?”, como se esse tipo de indignação retórica tivesse a capacidade de mudar as coisas, ou fosse suficiente para aplacar a revolta que causa, tal qual um “puta que pariu” dito imediatamente após uma martelada no dedo, que continuará a doer, mas pelo menos a dor foi externada para além do dedo martelado.

Então, reforço com os seguintes complementos o “até quando”:

  • Até quando financiaremos políticos e empresários corruptos acobertados pela justiça?
  • Até quando veremos pessoas inocentes perseguidas, processadas e presas sem cometer crimes?
  • Até quando saberemos do envolvimento de autoridades com graves crimes e trataremos apenas como notícia?
  • Até quando conviveremos o luxo e a luxúria de autoridades contrastarem com a miséria do povo?
  • Até quando seremos vítimas da justiça complacente com a corrupção enquanto as vítimas de crimes hediondos assistem diariamente seus algozes saírem da cadeia pela porta da frente?
  • Até quando assistiremos passivos a um ex-presidente que não cometeu crimes, vítima contumaz de uma facada encomendada para tirar sua vida, tratado pior do que assassinos, estupradores, pedófilos, assaltantes e golpistas?
  • Até quando aguentaremos um condenado por unanimidade em três instâncias da justiça ocupando a presidência da república e destruindo nosso país?

Estamos diariamente voltando a um restaurante cuja comida é péssima. Comprando novamente uma  de roupa ruim. Nos hospedando no um hotel sujo e desconfortável. Recomprando a marca de carro ruim E fazendo isso para quase tudo pelo qual pagamos. E normalizamos tudo isso.

Até quando?

 

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AlanaHá 1 semana São José dos CamposPois é, mas o que podemos fazer?
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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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