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CUIDEMOS DAS NOSSAS CRIANÇAS!

Nossas crianças estão perdendo a referência do que é bom em nosso mundo

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Autoral
05/01/2026 às 15h06
CUIDEMOS DAS NOSSAS CRIANÇAS!
Imagem IA

A velocidade sempre foi um problema quando se trata de crianças. Qualquer motorista tem a obrigação de conhecer o significado desta placa aí acima. E, diria eu, os pedestres também deveriam ter.

Quem dera a velocidade no trânsito fosse a única velocidade com que devêssemos nos preocupar quando se trata de crianças. Nossas crianças estão morrendo cedo, envelhecendo cedo, adoecendo cedo, se drogando cedo, matando cedo, aprendendo cedo, se informando cedo.

Nossas crianças estão perdendo a referência do que é bom em nosso mundo. Uma criança é jogada num ribeirão por uma mãe homicida (louca?). Outra criança a encontra, numa margem do mesmo ribeirão. Ela consegue ajuda, mas, dias depois, a criança jogada no ribeirão não resiste ao seu curto destino. Perdemos uma criança? Não. Perdemos duas. A pobre menina que encontrou a criança no ribeirão perdeu ali sua infância, vítima de uma homicida que cresceu, mas que não perdeu a inconsequência de uma criança.

O que devemos fazer por nossas crianças? Não apenas as do Brasil, mas aquelas que morrem de fome na África, as que são exploradas pelo trabalho escravo em diversos países, as que vão para a frente de batalha com armas na mão, as que desaparecem "misteriosamente" nas rodoviárias, aeroportos, na porta de casa, crianças exploradas sexualmente pelos próprios pais ou abusadas por pedófilos em todos os cantos do mundo. 

Nossas crianças estão nas calçadas cheirando cola, nos presídios para menores fazendo a “faculdade” da bandidagem, engolindo fogo e dando cambalhotas nos sinais de trânsito, vendendo amendoins torrados em mesas de bar. Nossas crianças. Elas são nossas. 

Quando, em 20 de novembro de 1959, a ONU publicou a Declaração dos Direitos da Criança, ninguém imaginava que, lamentavelmente, a maioria dos países apenas usaria esta declaração como retórica. Leis foram criadas não para protegê-las, mas para explorá-las financeiramente, imbecilizá-las, sexualizá-las, doutriná-las e transformá-las em massa de manobra ideológica deste a infância. Acontece no mundo todo, diariamente.

O mundo atual já é formado por adultos que passaram por estes estágios. São eles, apenas eles, que geram e criam nossas crianças aos moldes do que aprenderam, relativizando princípios e valores, sem dar importância para a estrutura familiar na construção psicológica se seus filhos, sem boa noção de coletividade, sem fé. Os conceitos ficaram obsoletos também com muita velocidade. Esquece-se com muita velocidade. O mundo se deteriora com muita velocidade.

Sessenta e seis anos se passaram e os políticos continuam desinteressados por aqueles que deverão, ou deveriam, um dia ser seus substitutos no comando de suas nações. Eles não estão preocupados com nada, a não ser com os compromissos escusos que os colocam e os mantêm no poder. Não estão preocupados com a pobre criança jogada no ribeirão pela mãe. Essa é a velocidade do tempo. Ele não retrocede. O que se perdeu, está perdido.

Por mais contraditório que seja, o Brasil vem se atrasando com muita velocidade. O bonde da história. Corrigindo. O trem-bala da história passa e ficamos cada vez mais parados, estáticos, diante de uma velocidade que não conseguimos acompanhar.

Não importa quantos Dias das Crianças ainda sejam marcados no calendário como uma data a ser comemorada. A maioria das nossas crianças não tem, verdadeiramente, muito o que comemorar.

Cuidemos das crianças.

 

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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