
Imagino que, como muita gente, você possa estar comemorando e se deliciando com as sanções impostas a Alexandre de Moraes e agora à sua família e seus negócios. Natural que pense assim. Mas o que muda de fato?
Era óbvio, previsível, insinuado com tempo mais que suficiente para articular meios de sobrevivência, até porque quem tem essa dinheirama toda não usa nem fração dela para viver.
Certamente ele salvou o necessário para manter o padrão de vida. Outra questão é: quem tem amigo dono de "lavanderia" em Portugal sempre achará um jeito de burlar o sistema. E, nesse caso, tem que chegar ao dono da "lavanderia" e a todos os seus comparsas. Ou seja, quase todos os políticos brasileiros. Mas também não será suficiente.
Quem olha para a economia pelo ponto de vista econômico reclama acertadamente das sanções: está preocupado com dinheiro e nada mais. Já quem olha pelo ponto de vista político entende e aceita que sancionar o Brasil é o caminho.
Sanções de ninar não vão mudar o rumo do Brasil. E não existem saídas institucionais para o Brasil enquanto os três poderes forem majoritariamente ocupados pelo pior que a política brasileira conseguiu produzir em toda a sua história.
As instituições são comandadas por lixos venais, corruptos de toda espécie, gente que não se importa de manter o povo na miséria e tratá-lo com injustiça, censura e violação de direitos humanos, desde que se mantenha no poder e roubando.
Querem o Brasil de papel passado. Sugiro que as pessoas se informem sobre o novo código civil, PL 4/2025, de autoria de ninguém menos que Rodrigo Pacheco. Alguma surpresa?
A Federação dos Institutos dos Advogados (FENIA) classificou o projeto como um dos "mais perigosos projetos de alteração legislativa" em tramitação no Congresso Nacional — e nós aqui, comemorando a pequena desgraça alheia.
Conforme artigo da @gazetadopovo, a FENIA diz que "o Novo Código Civil é repleto de expressões vagas e indeterminadas, o texto é ambíguo, nebuloso e sujeito a interpretações ideológicas, voláteis e inseguras”, diz o documento.
Lula fala hoje na ONU, na esteira das sanções de ninar de ontem. Imediatamente após ele, fala Donald Trump. Diria ser possível que os dois até se esbarrassem nos bastidores, antes ou depois das falas de ambos. Mas não creio. O anão diplomático brasileiro é cachorro que late atrás do portão.
A fala de Lula já se tem ideia do que será. Duvido que o cachaceiro tenha coragem de atacar nominalmente Trump. Já o presidente dos Estados Unidos não teria esse receio e, dependendo do que disser o apedeuta, a resposta pode ser ali mesmo.
Repito: não existe saída institucional para o Brasil. Mas também não serão sanções a conta-gotas que vão mudar as coisas por aqui. O Brasil precisa, de maneira imperiosa, do povo brasileiro não só nas ruas e nem apenas nos fins de semana, mas que crie coragem de ir para a rua para ficar. Não sairemos dessa sem sacrifício. Ou acabaremos sacrificados pelo sistema.
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