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ELES PRECISAM MATAR O MITO. MAS MITOS NÃO MORREM.

Pessoas perderam a vida, famílias perderam o sustento. Mas ele não perdeu o protagonismo.

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
02/09/2025 às 07h59
ELES PRECISAM MATAR O MITO. MAS MITOS NÃO MORREM.
Foto montagem

Olavo de Carvalho falava muito do “teatro das tesouras”, movimento que colocava PT e PSDB como polos opostos na política, criando na população a ideia de que se tratava de esquerda versus direita, o que, hoje, sabemos, tratava-se de mera distração pata que o globalismo e o socialismo fossem implantados silenciosamente.

Por meio de leis e movimentos, a conta-gotas, eles foram dando ao Brasil a falsa ideia de modernidade, estabelecendo uma política social com mais direitos do que deveres, criando uma sociedade dependente do Estado, este, cada vez mais intervencionista e mais aparelhado.

Distraído com as migalhas distribuídas por quadrilhas disfarçadas de governo, o povo demorou a perceber o quanto era roubado e a entender que os autopropagados “heróis”, na verdade, eram vilões da história que há anos roubavam não apenas o país, mas, principalmente, o futuro de inúmeras gerações. Foi preciso que surgisse a Operação Lava Jato para trazer à luz o que, por décadas, realmente acontecia no Brasil.

Os brasileiros puderam, então, saber como a engrenagem da corrupção funcionava, conhecer os corruptos nome por nome, quais suas participações no sistema corrupto, quais métodos eram utilizados e o quanto do suor de seu trabalho foi desviado para o enriquecimento ilícito de poucos e, essencialmente, para que a máquina eleitoreira continuasse a produzir ilusões e manter os corruptos no poder.

Como disse o ministro Gilmar Mendes à época sobre o PT, antes da Lava Jato chegar ao PSDB e à corte da qual ele faz parte, “foi instalado um sistema de cleptocracia cujo dinheiro os manteria no poder até 2038”. Porém, como disse, chegou à corte, sendo necessária que uma nova estratégia entrasse rapidamente em ação, que novos personagens assumissem o protagonismo diante de um elenco extremamente desgastado, que é quando surge Alexandre de Moraes, um novo paladino da justiça.

De salvadora da pátria, a Lava Jato passou a ser seu maior problema. Era necessário destruir a operação e criminalizar Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e qualquer outro agente que ousou expor e enfrentar o ‘Sistema’, não importando os métodos, entre eles o uso de hackers para obter ilegalmente mensagens privadas e a utilização ilegal destas mensagens, reinterpretações e contorcionismos de leis e regimentos e a cooptação da imprensa para dar ar de legalidade à infinita sequência de ilegalidades praticadas.

Para dar satisfação ao público e fazer parecer que a justiça estava sendo feita, Lula foi temporariamente preso para ser interpretado como mártir e, vitimado pelas circunstâncias, ser transformado em cabo eleitoral oculto, capaz de transferir seu martírio para eleger Fernando Haddad presidente em seu lugar. Contudo, e com toda soberba, subestimaram os eleitores, assim como subestimaram o potencial eleitoral de Jair Bolsonaro. Deram-lhe uma facada. Bolsonaro sobreviveu e foi eleito presidente da república.

COMO SE LIVRAR DE JAIR BOLSONARO?

A partir de 1º de janeiro de 2019, esta passou a ser a preocupação e o principal objetivo do ‘Sistema’. A facada que teria impedido a eleição e a posse falhou. Foi impossível impedir que ele subisse a rampa do Palácio do Planalto. Foi assustador assistir ao tamanho do apoio popular que teve no Brasil inteiro enquanto subia. Ficou impossível arrancá-lo de lá à força. Só restava sabotar seu governo e trabalhar diuturnamente para desgastá-lo perante o eleitorado. Não deu certo.

Tal qual massa de pão, quanto mais batiam nele, mais ele crescia. Nem durante a pandemia, quando todos os adversários possíveis se uniram para derrubá-lo, conseguiram arranhar sua imagem. Cartão de vacina, baleia, leite condensado, pseudo funcionária – fantasma, patrimônio, família, carona em helicóptero, frases tiradas de contexto... Tentaram de tudo o que foi possível. Até o impossível foi tentado. Mas sabiam que Bolsonaro seria reeleito, fizessem o que fizessem. A menos que...

Tiraram Lula da cadeia. Não que ele tivesse capacidade eleitoral de ganhar. Mas fariam ele ganhar. E fizeram. Escalaram Alexandre de Moraes, que fez o que esperavam dele. Como todo vilão que se preze, usou de todos os métodos lícitos e ilícitos para garantir a eleição de Lula. O ‘descondenado’ foi eleito, mas o povo não gostou do resultado. Foi para as ruas, acampou nas portas dos quartéis, indignado com o enredo ilegal que levou o corrupto de volta à cena do crime. O ‘Sistema’ tinha de novo o comando do país. Mas precisava se legitimar.

Importaram o script da invasão do capitólio nos Estados Unidos. Quase copiaram até a data do evento, lá em 6 de janeiro, aqui 8 de janeiro. Incitaram os manifestantes a invadir as sedes dos três poderes. Infiltraram agentes para promover o quebra-quebra. Prenderam centenas de pessoas. E jogaram a culpa em Jair Bolsonaro, que nem no Brasil estava quando tudo aconteceu.

De lá para cá, o Brasil vive a maior fábula de sua história. A Constituição Federal passou a ser o que os ministros do STF decidem que é. As leis são as que eles decidem que valem e como valem. Milhares de inocentes foram feitos de reféns pelo ‘Sistema’ em troca de criminalizar Jair Bolsonaro. Pessoas morreram, famílias perderam o sustento. Mas ele não perdeu o protagonismo, não perdeu a força e não deixou de ser a esperança da maioria do povo brasileiro.

Para que uma nova versão do “teatro das tesouras” seja possível, o ‘Sistema’ precisa do ‘teatro da guilhotina’, é o que veremos a partir de hoje. O julgamento de um processo começou pela condenação, cujos crimes, de fato, são: ter sobrevivido a uma facada mortal; ter sido eleito presidente da república; ter feito um bom governo apesar de todas as oposições e interferências que enfrentou; ser capaz de ganhar a próxima eleição; ser querido pelo povo como Lula jamais será.

Lula é um nada na presidência da república. Bolsonaro é o tudo no banco dos réus.

 

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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