
O único precedente no Brasil de policiais dentro da casa de um réu em prisão domiciliar é o do ex-desembargador Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, que desviou cerca de 170 milhões de reais da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. Condenado por peculato, corrupção, estelionato, quadrilha e lavagem de dinheiro, sua parceria incluiu o ex-senador Luiz Estevão, hoje dono do site Metrópoles e primeiro senador cassado do país.
Jair Bolsonaro, ao contrário, não responde por nada parecido. Nenhum peculato, nenhuma lavagem, nenhuma quadrilha. As acusações que enfrenta carecem de provas, testemunhas ou evidências. Desde o início, cumpriu todas as medidas cautelares impostas – ilegais, diga-se. Até mesmo o episódio do suposto pedido de asilo à Argentina não passou de um papel sugerido por terceiros, que nunca se concretizou.
Ainda assim, a Polícia Federal pediu que policiais passem a vigiar dentro da casa de Bolsonaro. O absurdo é de tal ordem que torna o caso Lalau uma piada de mau gosto. É o autoritarismo em seu estado mais puro, ignorando a presença da esposa e da filha adolescente do ex-presidente. O objetivo é claro: transformar a intimidade da família em espetáculo e vender a ideia de que Bolsonaro seria um perigo social.
Corruptos notórios como Geddel Vieira Lima e André Vargas estão soltos em liberdade condicional. O réu confesso Sérgio Cabral, condenado a mais de 400 anos, goza de plena liberdade. Lula, Dirceu, Cunha e Palocci tiveram condenações anuladas ou renegociadas. E os que ousaram enfrentar o esquema – Sérgio Moro e Deltan Dallagnol – foram destruídos. A Lava Jato, único marco real de combate à corrupção, virou pó.
Mesmo assim, o verdadeiro “homem perigoso” para o Sistema é Jair Bolsonaro. Não porque tenha roubado, mas porque sua mera existência mantém viva a necessidade de um inimigo que justifique o teatro da “defesa da democracia”. Bolsonaro virou combustível para a narrativa oficial: seu “sangramento diário” alimenta manchetes, pauta o ódio à direita e fortalece a imprensa militante. Não se trata mais de combater um político, mas de tentar destruir um símbolo – de liberdade, de direitos civis, de voz incômoda contra a “verdade permitida” pelo cartel do poder.
Nos bastidores, o Judiciário brasileiro virou escritório de advocacia de corruptos e ONGs internacionais, rasgando a Constituição, a lógica e a moralidade. O Congresso, infestado de réus e investigados, segue como balcão de negócios para dar sustentação ao autoritarismo togado. Interesses da população? Nem de longe entram na pauta.
Por isso, Bolsonaro é, sim, o homem mais perigoso do Brasil – mas não para o Brasil, e sim para quem se alimenta da impunidade. O Sistema precisa dele vivo, solto e humilhado todos os dias. Preso, perderia a retórica que justifica a blindagem dos verdadeiros criminosos. Por isso, é mais provável que tentem empurrá-lo para uma prisão domiciliar eterna, onde sirva de espantalho para a direita e lembrete de que todos estão sob ameaça.
Se, por acaso, decidirem prendê-lo em regime fechado, o risco é outro: a convulsão social. Embora, convenhamos, o histórico de apatia do brasileiro não inspire muita esperança. Falta maturidade cívica, especialmente ao empresariado, que prefere bancar lagostas e vinhos de ministros a liberar funcionários para protestar sem medo de perder o emprego.
Assim, Bolsonaro será sempre perigoso: solto, porque simboliza resistência; preso, porque pode acender revolta. O Sistema sabe que símbolos não morrem. E, quando a liberdade já se arrasta em agonia, um símbolo pode ser mais ameaçador que mil discursos.
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