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PRINCÍPIOS E VALORES: ESTA É NOSSA MAIOR CRISE -

O Brasil precisa ser redescoberto e recivilizado

Walter Biancardine
Por: Walter Biancardine
21/08/2025 às 17h51
PRINCÍPIOS E VALORES: ESTA É NOSSA MAIOR CRISE -

A direita brasileira demonstrou recentemente um indisfarçável assanhamento pela notícia que um avião do Departamento de Estado norte-americano, um C32-B utilizado apenas por serviços de inteligência, monitoramento de crises e militares graduados, havia pousado em Porto Alegre e depois rumado para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, onde permaneceu durante horas.

Para piorar, no mesmo momento o avião Presidencial da Venezuela, o YV2984 de Nicolás Maduro, aparentava estar aproado em rumo direto para o estado brasileiro de Roraima – o que sugeriria uma fuga do ditador, a qual estaria sendo, especulava-se, monitorado pelos integrantes do avião da CIA, no Brasil.

Pois foi no meio desta barafunda inaudita – esqueçam os aviões russos ou navios iranianos, pois os mesmos são cúmplices da atual ditadura e, deles, só podemos esperar silêncio e as piores intenções – que começaram a aparecer no X (antigo Twitter) um número impressionante de postagens perguntando se, em uma hipotética invasão do Brasil pelas Forças Armadas norte-americanas, de qual lado o leitor ficaria. Por outro lado, um número igualmente impressionante de usuários publicou postagens já se declarando voluntário, em apoio aos EUA. E o que isso significa?

Significa que, de modo quase intuitivo, grande parte do povo brasileiro parece intuir o que foi “profetizado” pelo General Olympio Mourão Filho, nos idos pré-1964, em plena era Jango: “A continuar esta forma de governo, o gangsterismo e a máfia dominarão o país até que uma guerra, acionando forças exógenas¹, nos liberte” (“Memórias de um revolucionário”, Hélio Silva – Ed. L&PM).

Sim; graças à plena e bem sucedida aplicação das estratégias gramscianas na grande mídia, ensino e cultura brasileiras, todos os valores tradicionais deste país foram paulatinamente varridos e substituídos por um confuso – e muitas vezes indecoroso – pensamento “moderno”, “progressista”, contrário às “opressões da família, igreja e tradições antiquadas, paternalistas, machistas” e a inevitável sequência de “istas” habitualmente expelidos por influencers, professores militantes, artistas de novelas, filmes ou teatro, e mesmo por músicos e suas “sinfonias” de batuques tribais, agachamentos acasalatórios e palavrões à guisa de galanteios.

O resultado é um brasileiro médio demencial e quase esquizofrênico, dividido entre os valores tradicionais que a vida real o faz intuir e a pressão social de “ser moderno”. A maioria sabe o que é certo, mas para ser aceito, precisa fazer o errado. E isto se chama “crise civilizacional”, um beco sem saída, fundo de poço o qual uma civilização atinge quando conforma-se com um viver animalesco, movido por instintos e desejos, digno de habitantes de Sodoma e Gomorra.

Infelizmente o Brasil atingiu, há tempos, tal grau de decaimento – não à toa que o filho de George Soros, em visita a líderes esquerdistas, afirmou sermos “um exemplo de progressismo para o mundo” – a ponto que as probabilidades de nos curarmos, sem acontecimentos externos e alheios às vontades de nossos governantes é, certamente, nula. O ditado debochado “médico, cura a ti mesmo” é perfeitamente aplicável aos nossos tristes trópicos dos dias presentes.

Consideremos uma hipotética invasão do Brasil por tropas norte-americanas: mais que simples derrubada de ditadores, a permanência das mesmas em nossas terras, por algum tempo, significaria verdadeira faxina moral na administração pública, a divulgação aberta de valores tradicionais – que há muito é considerada “antiquada” e hoje é, simplesmente, censurada – e a transmissão “por osmose” de exemplos de vida, demonstrada pela vivência cotidiana: boas maneiras com o próximo, a ordeira rotina comunitária, os deveres do pagador de impostos, os reais direitos dos seres humanos e as indispensáveis noções de obrigação para com Deus, o país, a família e o próximo.

Se tal fato acontecesse, seria nosso dever enxergar a Cavalaria de Trump como a Europa encarou os soldados salvadores ianques, na Segunda Grande Guerra: não se trata de soberania, mas de nos permitirmos ser salvos. E precisamos ser salvos, estamos em fase terminal de vida em sociedade e alguns ainda isso não enxergam ou aceitam.

Por óbvio não é minha intenção retratar o cidadão norte-americano como anjos puros, pastores sem pecado, voejando imaculados por nossa salvação mas – comparado com o limbo moral em que vivemos – os mesmos situam-se inúmeros graus acima, e muito poderíamos (re) aprender.

Seria a hora de engolir o orgulho e admitir, em confessionário: “perdoa-me, porque pequei”.

Haveremos de refundar e recivilizar uma terra que já foi próspera, linda, com povo acolhedor, solidário e amistoso.

Mas, sozinhos, é difícil.

 

¹ – “Exógeno”: adjetivo

  1. que provém do exterior, que se produz no exterior (do organismo, do sistema), ou que é devido a causas externas.



Walter Biancardine







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