
Ó verbo sublime, nascido não da Academia, mas do deslize divino de uma Primeira Dama — um Big Bang gramatical, de onde a língua se estremece.
Eu abrido, logo existo.
Tu abridas, logo embarcas.
Ela abrida — ah, sim, abrida em Colônia com taças de champanhe, abrida em Paris com foie gras, abrida em Pequim sob dragões de seda,
abrida sempre com o cartão do povo, abrida na leveza do dinheiro alheio.
Nós abridamos, pobres pacientes, na fila do SUS, enquanto ela abrida no duty-free.
Vós abridais as carteiras, Eles abridam o orçamento — conjugação nacional da paciência.
Tempos do Passado: O Esplendor Retrospectivo
Eu abridava enquanto o Brasil contava moedas.
Ela abridava passagens executivas.
Ele abridava, o marido— esfinge da diplomacia ao contrário, abridindo com sorrisos tiranos, abridindo com discursos inflamados contra Israel,
abridindo de ternura com Havana, Caracas, Teerã.
Nós abridávamos a credibilidade, ele abridava brigas com Washington, fazendo da política externa um carro alegórico: purpurina barata,
penas emprestadas, uma alegoria de soberania falida.
Tempos do Futuro: As Promessas de Amanhã
Ela abridirá novas sacolas em Provença, abridirá varandas de hotéis em Xangai, abridirá cartões de embarque dourados — sempre em missão “cultural”.
Ele abridirá tribunas de fúria, abridirá ataques contra Israel, abridirá abraços a regimes que abridam a garganta da democracia.
E nós?
Nós abridiremos nossos impostos, fiéis dízimos na religião da ironia.
Condicional: Ah, se ao menos…
Se ela abridiria com a própria bolsa, o mundo cairia de espanto.
Se ele abridiria respeito à liberdade, a História pararia perplexa.
Se ambos abridiriam humildade, talvez o verbo significasse “abrir” — e não “consumir”.
Imperativo: O Clamor Popular
Abrida tu, senhora, os portões da transparência!
Abrida tu, senhor, as janelas da coerência!
Mas não: eles abridam o cofre público, eles abridam o palco da hipocrisia.
Coda: O ABRIDO Universal
Assim o verbo se ergue, monumento nacional de riso e desespero: mais belo que “abrir”, mais duradouro que “aberto”, mais brasileiro que a própria língua.