
Sei que é chato, mas antes de entrar no tema, preciso voltar um pouco no tempo, 2014 para ser exato. Até aquele ano, ainda que houvesse pessoas que não confiassem plenamente no nosso sistema de votação, não havia contestação veemente sobre a lisura do processo. Não se falava em voto impresso auditável, não se cobrava a contagem pública dos votos, como está previsto na lei, pouco se sabia como eram os procedimentos que organizavam uma eleição, da preparação à divulgação dos resultados.
Desde a introdução da urna eletrônica no processo eleitoral, até nos gabávamos de termos o método mais rápido do mundo para divulgar quem foi eleito. Até 2014, questionar o resultado era coisa de político perdedor. O eleitor se conformava com quem foi eleito, tanto nas eleições majoritárias quanto nas proporcionais, modalidade que, aliás, sempre elegeu quem o sistema quis e raramente os mais votados. Portanto, não havia comoção popular ou política capaz de colocar em xeque o ideal de eleições perfeitas e regulares.
Veio então a eleição entre Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e Aécio Neves. O péssimo primeiro governo de Dilma, a escandalosa compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que tinha a digital da ‘presidenta’ no contrato, a dinheirama investida na sua campanha (legal e ilegal) e o mundo mágico criado por João Santana na propaganda eleitoral não pareciam ser suficientes para deixar que ela continuasse sentada na principal cadeira do Planalto. O vencedor, portanto, seria Aécio Neves. Sabemos que não foi.
Quem deu a senha para que a desconfiança sobre as urnas se espalhasse pela sociedade foi o próprio Aécio Neves, que ingressou com uma contestação formal do resultado no TSE. O processo, que começou ainda em 2014, foi parar nas mãos de Gilmar Mendes, que assumiu a presidência do tribunal em 2016. Nessa época, a Lava Jato já estava a mil por hora, e o próprio Gilmar Mendes havia dado declarações de que o PT construiu uma cleptocracia, cujos milhões desviados garantiriam sua permanência no poder até 2036.
Já presidente do TSE, coube a ele fazer o julgamento da ação iniciada por Aécio Neves, seu amigo. E mesmo com tudo o que a Lava Jato já havia revelado, mais as diversas irregularidades constatadas pelo próprio TSE, Aécio perdeu a ação. Por quê? Simples. Se cassassem a chapa Dilma/Temer, o impeachment de Dilma, já em vias de acontecer, tiraria de Temer, que era vice-presidente da República, a possibilidade de assumir a presidência. Havia algo mais importante: Gilmar Mendes é amigo de Temer.
Volto ao título do artigo. Já contei uma parte da história, mas não vou contar a história recente, a partir da eleição de Jair Bolsonaro, porque todo mundo já conhece.
Eleito por ser um candidato que representava o enfrentamento ao ‘sistema’, Bolsonaro comeu o pão que o diabo amassou, cuspiu e fez xixi em cima. Toda a estrutura aparelhada do poder trabalhou contra ele. Ouso dizer que até faxineira de órgão público conspirou contra ele. Mas foi a justiça, comum, suprema e eleitoral, aliada à imprensa, que fez o trabalho sujo para inviabilizar seu governo e principalmente sua reeleição.
Hoje, sabemos em detalhes como toda essa pilantragem aconteceu nas eleições de 2022, quais foram – e ainda são – os protagonistas, os coadjuvantes, o ‘modus operandi’ em cada etapa, e o mais significativo de tudo: do que eles foram e são capazes de fazer para se manterem no poder, incluindo aí terem tirado um condenado em três instâncias, por corrupção e lavagem de dinheiro praticados enquanto era presidente da república, para recolocá-lo no mesmo cargo através do qual cometeu tais crimes.
O Brasil está sob uma ditadura velada do judiciário. Lula é um presidente sem maioria no Congresso Nacional, com baixíssima popularidade, comandante de um governo incompetente, assessorado por um bando de ineptos e corruptos (incluindo aí figuras como Marina Silva e Simone Tebet que cansaram de acusá-lo de corrupção antes e durante a campanha eleitoral de 2022), que não consegue governar sem a ajuda do Supremo Tribunal Federal.
Para muito além das tarifas impostas por Donald Trump, a pressão dos Estados Unidos está tornando infernal a vida dos ministros do STF e, por consequência, do próprio Lula. A aliança petista com ditaduras e regimes autoritários, especialmente com a China, colabora profundamente para que a situação fique cada vez pior. Mas, como tudo pode piorar ainda mais, as estapafúrdias declarações e bravatas diárias de Lula já não permitem mais que ele apenas chafurde na lama de que tanto gosta. Agora ele afunda nela e está levando o Brasil junto.
A inviabilidade eleitoral causada pelo péssimo governo que faz, associada à pressão norte-americana, às ações individuais e coletivas dos ministros do STF e às revelações da interferência do governo Biden nas eleições de 2022 em parceria com o TSE, colocou Lula e o ‘sistema’ em uma “sinuca de bico”, como se costuma dizer. Não há saída institucional para esta situação. Ou entregam o jogo, ou serão obrigados a quebrar o taco na cabeça do adversário, pôr a bola no buraco com a mão e partir para a porrada. E é quando chegamos a possíveis respostas para pergunta tema deste artigo.
Em declaração recente no Chile, Lula disse: “A democracia liberal não foi capaz de responder aos anseios e necessidades contemporâneas. CUMPRIR O RITUAL ELEITORAL A CADA QUATRO OU CINCO ANOS NÃO É MAIS SUFICIENTE.”
Somo a isso a fala de Marcelo Freixo em seu discurso de filiação ao PSB em 2022: “AS ELEIÇÕES DE 2022 não são apenas ‘as mais importantes da história’, MAS PODEM SER AS ÚLTIMAS. Não é dramático o que estou dizendo. A gente precisa admitir o tamanho desse risco e o tamanho da nossa responsabilidade.”. Há quem diga que foi força de expressão. Da minha parte, desde aquele momento, entendi que aquilo era um aviso velado. Um grande amigo, Fred, chegou a me dizer que eu estava viajando, insistindo no assunto. Será que continuo?
Penso que estamos próximos de entender o que vai acontecer com Lula, com o ‘sistema’ e com o Brasil. Mas não dá só para esperar que aconteça. Temos que fazer a nossa parte, para que as falas de Lula e de Freixo nunca sejam traduzidas em realidade. E para que eles nunca possam fazer o diabo para se manterem no poder.
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