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A SEMANA QUE MOSTROU AO BRASIL E AO MUNDO QUE TIPO DE PAÍS REALMENTE SOMOS

Lula conseguiu encontrar um responsável pela irresponsabilidade de seu governo

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
08/08/2025 às 10h31 Atualizada em 08/08/2025 às 10h49
A SEMANA QUE MOSTROU AO BRASIL E AO MUNDO QUE TIPO DE PAÍS REALMENTE SOMOS
Imagem WEB

No início dos anos 1980, um – até hoje – grande amigo, Luciano, retornou dos Estados Unidos, onde morou por alguns anos. Foi pelas coisas que ele me contava que, uma única vez na vida, me senti interessado em mudar para lá – ideia com a qual meu falecido pai não concordou nem a pau. Luciano me falava de como era viver lá, das coisas e lugares que viu, entre elas a possibilidade de ver o reflexo das luzes de Cuba a partir de Key Biscayne (Flórida).

Aquilo me fascinava, não por se tratar de Cuba, mas pela possibilidade de enxergar as luzes de outro país a mais de 150 quilômetros daquele ponto. Dizem que isso é uma raridade. Mas ele me contou. O ponto, no entanto, é outro.

Em uma de nossas conversas, foram muitas, curioso que sou, perguntei ao meu amigo o que os americanos pensavam sobre o Brasil. Ele me respondeu com uma pergunta: o que você pensa sobre Honduras ou Guatemala? Respondi que pensava serem duas m... de países.

Então, ele me disse que, no geral, os americanos pensavam de nós o mesmo. Aquilo soou um tanto chocante para mim. Ali, me vi comparado à referência que eu tinha de lugares muito ruins. Talvez até tenha sido um dos momentos que despertou meu interesse sobre o que realmente éramos como país.

Estamos nós 40 anos depois. E diante de todos os acontecimentos dos últimos anos, especialmente desde 2023, e, fundamentalmente, nas últimas semanas, culminando nos fatos somados desta semana, estou aqui me perguntando: o que será que os americanos pensam de nós neste exato momento? Será que voltamos a ser vistos como eu, hoje, enxergo a Venezuela e a Nicarágua? Seriam com estes dois países que eles nos comparam atualmente? E respondo a mim mesmo que motivos para isso não faltam.

O retorno de Lula à presidência, tirado da cadeia pelo STF após estar condenado, com provas sobradas, em três instâncias da justiça, somado às ações do próprio STF desde 2019, dão razão para qualquer um nos comparar ao que de pior existe em termos de países, sistemas de poder, regimes de governo, tirania, autoritarismo, arbitrariedades, e tudo de ruim que você possa imaginar ou chamar de um país ruim para se viver.

Pense, por exemplo, na ideia que você tem das FARC na Colômbia. Fichinha. O PCC e o Comando Vermelho são infinitamente maiores e piores para o Brasil do que foram as FARC para a Colômbia. O Brasil virou, de fato, uma republiqueta grande, por mais paradoxal que isso possa ser.

As revelações da vaza toga 2 na segunda-feira passada, somadas ao depoimento de Mike Benz na terça-feira sobre a manipulação das eleições e das informações nas eleições de 2022, são dignas de filmes de ficção que nem os filmes conseguiram ilustrar tão bem.

Ao mesmo tempo, veio a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, ilegal, injustificada, arbitrária, motivada pela tirania de um único homem, com a “vista grossa” de seus pares no tribunal que deveria representar o mais alto conceito de justiça do nosso país, mas que se tornou símbolo de vingança e justiçamento, dele próprio e do sujeito que ocupa a presidência do Brasil.

Na terça-feira, Lula emenda a desgraça brasileira afirmando estar cada dia mais esquerdista e mais socialista. Ele, que, antes de ser eleito, já havia dito que não está mais radical, está “Mais Maduro, Mais Maduro”, o que, para bom entendedor, já era um prenúncio do que pretendia fazer se voltasse ao poder. Voltou. E está fazendo.

Lula está usando a briga tarifária com Donald Trump para tirar sua popularidade do fundo do poço. Está conseguindo nesse momento. Mas não vai conseguir sustentar isso por muito tempo. Os reflexos dessa disputa não vão demorar a aparecer, e a economia, que já era ruim, vai ficar ainda pior. Mas, calma. Ainda pode piorar mais.

Lula conseguiu encontrar um responsável pela irresponsabilidade de seu governo e, simultaneamente, ainda jogou a culpa nas costas de Bolsonaro. Para caracterizar essa culpa, está disposto a quebrar o país para posar como vítima e se apresentar como solução. E sabe qual é a solução provável que se ventila nos bastidores? Apresentar alguma medida interventiva que aumente seus poderes, cancelar a próxima eleição e ampliar seu mandato.

Para quem não está atento ou não sabe do fato, em viagem recente ao Chile, Lula já andou dizendo que “esse negócio de eleição a cada 4 ou 5 anos já não está resolvendo”. Somo a isso o discurso de filiação de Marcelo Freixo ao PSB em 2022, quando disse que as eleições daquele ano eram as mais importantes, até porque poderiam ser as últimas.

Fiquei alerta a partir daquele dia, nunca esqueci e escrevi sobre isso várias vezes. Pareceu frase de quem deu recado. Entendeu quem quis.

Completando o cenário da semana, tivemos os episódios da Câmara dos Deputados e do Senado. Coisa grotesca. Não pelos atores ou pela motivação, mas pela necessidade de ser grotesco como foi. Sem mencionar os sub episódios dentro deles, que demonstram com ainda mais clareza o nível de censura que virou o Brasil.

Nossas lideranças são escancaradamente comprometidas com o atraso, com o revanchismo, com o autoritarismo e totalmente descomprometidas com o povo brasileiro, com destaque para as centenas de inocentes presos, feitos de reféns do sistema para justificar suas arbitrariedades e sua tirania.

E como em toda boa republiqueta de bananas, apesar de toda a movimentação dos poucos que querem mudar as coisas, a situação serviu para preparar uma boa pizza. Seria esperar demais que a boa vontade e voluntariedade dos poucos senadores e deputados federais bem-intencionados resultassem em algo mais do que isso.

Só o povo nas ruas, persistentemente, abrindo mão de seus confortos e privilégios, sem precisar de lideranças formais, demonstrando que sua indignação vai além das redes sociais, será capaz de mudar o Brasil. Não acredito mais em saídas institucionais para nosso país enquanto elas continuarem a ser negociadas por quem criou a crise na qual vivemos.

Se Lula partir para uma intervenção, terá o apoio desses parlamentares corruptos, desse judiciário justiçador e, provavelmente, com os atuais comandantes que têm, até mesmo das forças armadas.

Não tenho mais vontade de tentar ver as luzes de Cuba a mais de 150 quilômetros de Key Biscayne. Minha única vontade é ver a luz voltar ao Brasil. E esse bando de corruptos a milhares de quilômetros longe do poder. Sonhar ainda não paga imposto.

 

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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