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AS MANIFESTAÇÕES DE ONTEM FORAM “MAGNITSKY”. QUANDO SERÃO AS PRÓXIMAS?

O mundo já entendeu que o Brasil vive uma ditadura. O que falta para a maioria do povo brasileiro entender?

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
04/08/2025 às 11h23 Atualizada em 04/08/2025 às 12h05
AS MANIFESTAÇÕES DE ONTEM FORAM “MAGNITSKY”. QUANDO SERÃO AS PRÓXIMAS?
Imagem WEB

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Garanto que você conhece esse ditado, expressão que se traduz em persistência e esforço contínuo, através dos quais mesmo o obstáculo mais resistente acaba sendo vencido.

O mundo já entendeu que o Brasil vive uma ditadura. A aplicação da Lei Magnitsky foi apenas o “carimbo” que faltava para “oficializar” a tirania empreendida pelo sistema judiciário brasileiro, do qual Alexandre de Moraes é um expoente, mas não é o único, nem é o principal articulador. Se fosse a hierarquia do tráfico de drogas, ele seria o que se chama de “O Frente”, aquele que aparece enquanto os verdadeiros chefes se escondem nas coberturas com vista para o mar, protegidos pelo sistema, que de fato comanda tudo protegido pelo granito de seus gabinetes.

O que falta para a maioria do povo brasileiro entender?

Eis a questão. Sempre fui um crítico das manifestações dominicais, não pela utilidade delas, mas por serem esporádicas, necessitarem de convocação e presença de celebridades da política, e, principalmente, pelo caráter festivo que as envolve. Estas três condicionais juntas não refletem a urgência e a gravidade do momento em que o Brasil vive, nem dão a dimensão exata da indignação da população. Manifestação não é festa, não é ato de idolatria às celebridades. Indignação é sentimento de cólera, de desprezo experimentado diante de indignidade, injustiça, afronta, repulsa, revolta. E não com sorrisos e selfies para redes sociais que estes sentimentos são demonstrados.

Podemos (e devemos) aprender com o movimento das Diretas Já!

Entre 31 de março de 1983 e 16 de abril de 1984, foram realizados 41 comícios do movimento Diretas Já. Destes, apenas 14 foram realizados nos finais de semana, reunindo, no total, aproximadamente 268 mil pessoas. Os demais 27 comícios foram realizados durante os dias de semana, sempre a partir das 17 horas, e reuniram cerca de 4 milhões e 400 mil pessoas. Os eventos eram realizados em regiões centrais das cidades, aproveitando os horários em que as pessoas saíam do trabalho, facilitando o engajamento. Será que é tão difícil entender isso?

Outro aprendizado simples é que realizaram 41 comícios em 12 meses e meio, média de 3 por mês, ao contrário das manifestações esporádicas que se realizam atualmente. Em 1983, quando o movimento começou, foram realizados apenas 6 comícios. Já em 1984 foram 35, sendo 10 em janeiro, 12 em fevereiro, 6 em março e 7 em abril. Destes 35, 12 foram em finais de semana e 23 em dias úteis. São dados históricos, disponíveis em diversos sites, entre eles a Wikipédia.

Não foi necessário atrapalhar o trânsito, a rotina das cidades, nem o dia de trabalho de ninguém. Foi apenas uma questão de ter estratégia para facilitar a vida das pessoas sem ter que tirá-las de casa nos dias que têm afazeres domésticos ou querem ficar com a família, sem ter que fazê-las se deslocar grandes distâncias para participar de atos que duram 2, 3, 4 horas. A diversificação de locais teve o objetivo de levar a manifestação até as pessoas, e não apenas ficar esperando que as pessoas fossem até elas.

A situação no Brasil é extremamente grave, e a demonstração de nossa indignação, para fazer efeito, para mostrar a realidade do que sentimos, não pode ser trimestral, nem ter caráter festivo. Manifestação não é evento dominical familiar, nem culto às celebridades – muitas das quais mais se aproveitam da exposição pública em busca de votos para a próxima eleição do que se comprometem com mudanças se forem eleitas em função dela.

Deixo claro, no entanto, que não estou desvalorizando as manifestações que aconteceram neste domingo, 3 de agosto de 2025. Pelo contrário. O que sugiro é que precisamos de muito mais manifestações como essa, todos os meses, todas as semanas possíveis, em dias de semana, levando o ato até o povo ao invés de pedir para as pessoas irem até o ato. Não são as bandeiras brasileiras ou as camisas amarelas que demonstram patriotismo ou indignação. É a quantidade de pessoas que elas conseguem reunir e o descontentamento que conseguem demonstrar.

Reforço: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Mas é preciso muita água batendo, com persistência e esforço contínuo para vencer os obstáculos que tiram nossos direitos, nossa liberdade, e que transformam o Brasil em uma tirania de toga garantidora de um governo que está quebrando nosso país e cada dia mais avança para transformá-lo em um regime socialista/comunista que, se instalado, impedirá pela força que voltemos a nos manifestar. Basta olhar para Cuba, Venezuela e Nicarágua.

 

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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