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Brasil Judiciário/Executivo

ONZE AUTOCRATAS E UM DEMÔNIOCRATA

A humanidade tem a teimosia de reproduzir comportamentos e fatos

06/06/2024 às 19h43
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
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Você pode não ter se dado conta do que realmente está acontecendo e poderá acontecer muito em breve no Brasil. Porém, pode ter se dado conta do que está acontecendo sem vislumbrar o que poderá acontecer. E não estou diminuindo sua capacidade de entendimento caso esteja em uma das duas possibilidades que citei. É que muita gente, apesar de saber, ter noção e vislumbrar o que pode ser nosso futuro, ainda deposita esperanças numa virada histórica e instantânea que, muito improvavelmente, não irá acontecer.

Infelizmente, pelas regras eleitorais vigentes, a chance de uma limpa real acontecer no Congresso Nacional é mínima. Mas, digamos que acontecesse, a chance de uma limpa acontecer no judiciário é menor que a mínima. Portanto, eleger um presidente de direita, conservador, que assuma o cargo com um Congresso Nacional e um judiciário como os que temos — e continuaremos a ter — é o que Olavo de Carvalho dizia sobre “pôr a cereja no bolo”, pois a cobertura e o recheio continuarão sendo a mesma porcaria. Assim sendo, no curto prazo, mudar tudo é algo extremamente remoto, e mesmo que acontecesse, desaparelhar o Estado, como um todo, é coisa para mais de uma década se for feito dentro das 4 linhas, e algo que sugere muito sangue derramado se for na marra.

Para entrar de fato no tema do título é preciso primeiro deixar claro o que é “autocracia”. Fiz uma busca no Google e essa definição da Wikipedia me agradou porque não apenas define o que é, mas traz junto a origem do termo, digamos um irmão malvado da democracia, também com origem grega:

“Autocracia tem o sentido, a partir da análise dos radicais gregos autos e kratos, de poder por si próprio. É uma forma de governo na qual há um único detentor do poder político-estatal, isto é, o poder está concentrado em um único governante.”

A partir desta definição, de cara temos várias afirmações necessárias. O judiciário não é uma forma de governo em lugar algum do mundo, é apenas um poder que, no máximo, tem a mesma importância que o legislativo e o executivo, cada um no seu quadrado. A segunda é que, pela legislação brasileira, é vedada ao judiciário qualquer atividade política. E por último, ainda que tal absurdo fosse real, estaríamos vivendo sob uma “junta judiciária” de onze autocratas, que, com suas onze canetas, fazem o que bem entendem. Nem a junta militar que governou o Brasil pós 1964 teve tal autonomia.

E o que seria uma demôniocracia? Bom, este termo é tão somente um neologismo que serve para definir o que fizeram (e continuam fazendo) com o que é uma democracia de fato. A utilização do termo demônio também cai bem porque quando procuramos no Google a mesma definição não se aplica a um único ser, mas a uma lista deles. Demônio, segundo a interpretação cristã, “é um anjo que se rebelou contra Deus e que passou a lutar pela perdição da humanidade”o que também parece se adequar bem à ideia de demôniocracia tupiniquim.

Não dá para dizer que isso só acontece no Brasil. Mas, fica pior quando buscamos outros lugares onde existe, ou existiu, prática semelhante, e em basicamente todos os regime que vigora é uma ditadura ou uma democracia disfarçada, ou demôniocracia: ditaduras africanas, China, Rússia, Cuba, Coreia do Norte, Nicarágua

Deixei por último a Venezuela porque é o exemplo mais bem-acabadono sentido maléficode uma demôniocracia, com a participação preponderante do judiciário no estabelecimento de um regime que finge ser uma democracia, que persegue, prende e elimina (literalmente) adversários, suprime a participação do legislativo e garante a permanência do ditador de plantão no governo por meio de processos eleitorais sem adversários e com monitoramento direto dos votos de cada cidadão (coisa que acontece também na Coreia do Norte e na Rússia, sendo que nesta última há vídeos na internet que mostram soldados entrando na cabine com o eleitor para conferir em quem ele estava votando). Ou seja, demôniocracia, todas de viés socialista/comunista.

Estamos numa fase tão complexa que já não dá mais para saber se são nossos onze autocratas, que estão alinhados aos interesses do chefe do executivo, ou, se é o chefe do executivo quem está alinhado aos interesses dos 11 autocratas, e com quem estariam alinhadas as duas faces desta moeda podre. O que é possível definir, no entanto, é que, juntos, eles estão destruindo a república, a democracia, a economia, o cristianismo, a família, a educação, os valores sociais e o futuro do Brasil. E fica então a dúvida: se, ao soltarem Dilmo para colocá-lo na presidência da república, buscavam garantir a execução do seu projeto de poder ou se o objetivo era garantir seus próprios poderes tendo um presidente disposto a obedecê-los (seja lá quem for o real mandante) e que não é muito afeito a seguir as leis, e muito menos se importa que elas sejam alteradas, reinterpretadas ou descumpridas desde que ele consiga concretizar o seu projeto de podere, especialmente, seu projeto de vingança.

Autocratas, além de ambiciosos e inescrupulosos, são também altamente vaidosos, adoram aplausos e não se importam em obter aliados, seja dando a eles benefícios e privilégios, comprando suas consciências ou perseguindo/eliminado seus adversários. Basta ter uma caneta poderosa nas mãos, a chave do cofre e a consciência de uma pulga ou um carrapato, que vivem apenas de sugar o sangue de qualquer um que estiver ao seu alcance. O que importa é que tais aliados trabalhem a favor dos autocratas e demôniocratas e colaborem para que o projeto de poder alcance seus objetivos.

Este Brasil de onze autocratas e um demôniocratas, do jeito que as coisas têm acontecido, além do fracasso econômico já anunciadoe acontecerá ainda este anoestá fadado também ao fracasso institucional e moral. Em termos de alinhamento internacional, estamos caminhando ao lado de tudo o que há de pior em termos de regime de governo e democracia. E não fica nisso. Estamos lado a lado com tipos de regimes fracassados em termos de promoção de benefícios de suas respectivas populações. Rússia, China, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, Nicarágua, ditaduras africanas, ditaduras fundamentalistas, todos vivem regimes onde castas usufruem do que há de melhor e o grosso da população vive na miséria ou com um mínimo suficiente para garantir suas necessidades básicas.

Talvez, dentre eles, a Rússia seja ainda o país cuja população em geral ainda goza de alguns privilégios em termos de qualidade de vida, mas que já não usufruem de liberdades individuais. E na China, não importa o padrão de vida, todos, exceto as castas, e até mesmo elas, não tem nenhum tipo de liberdade e vivem sob vigilância permanente do regime. Então, lembro do provérbio bíblico mais velho que andar para frente: “diga-me com quem tu andas e te direi quem tu és” (Provérbios 23:20-21). E pergunto: se, através destes autocratas e demôniocratas, nosso país se alia às nações com estes tipos de regimes, estabelece os mesmos tipos de práticas que elas, vem seguindo os mesmos modelos de leis e relações com a sociedade, porque, mesmo com toda esperança do mundo, haveríamos de ter um futuro diferente do que tiveram tais populações?

A humanidade tem a teimosia de reproduzir comportamentos e fatos que por séculos e séculos se repetiram e nunca deram certo ou produziram bons resultados. Racismo, xenofobia, guerras religiosas, guerras improdutivas, invasões, conflitos que servem a propósitos que em nada beneficiam nenhuma das partes envolvidas, que só causam mortes de inocentes, destruição de patrimônios, de culturas, civilizações, e que, sobretudo, nunca trouxeram paz a lugar algum.

Não é difícil saber como os diversos povos, hoje submetidos aos caudilhos, ditadores, autocratas e demôniocratas, chegaram na situação em que se encontram. E também não é impossível, com esperança, mas, fundamentalmente, com atitude, não permitirmos que o Brasil avance com esta agenda demôniocratas comandada pelas canetas autocratas que fazem o que querem sem que ninguém os incomode. Mas é preciso sair do marasmo, do conformismo, e estamos em um momento interessante para acordar os que ainda não se deram conta do sono profundo e nada saudável no qual vivem. E só que pode fazer isso são os formadores de opinião, os geradores de riqueza, os inconformados com o rumo das coisas, papel historicamente exercido pelas classes médias nos diversos movimentos da humanidade em que isso lhes foi exigido, pelo amor ou pela dor.

Não tenho o poder de promover mudanças. Sou apenas um “Zé Ninguém” que costuma ser lido por meia dúzia de gatos-pingados, aos quais agradeço sempre. Mas, enquanto tiver forças e liberdade, sempre convidarei os amigos à reflexão, e, quem sabe, com muita sorte, num futuro qualquer, estas reflexões sirvam de auxílio para que alguém forme suas opiniões, favoráveis ou contrárias às minhas, e promovam as mudanças pelas quais o Brasil precisará passar para que um dia possamos realmente dizer que somos uma nação. Do jeito que está agora, somos diversos povos vivendo no mesmo território, sem ambições comuns, sem projetos de futuro, como se não houvesse amanhã. Mas há. E o que os autocratas e demôniocratas estão fazendo, se concretizarem, desagradará a todos, sem exceção. Que me perdoe a grande amiga Belinha Nogueira, "aí Inês será morta”!

Mais um textão. Fazer o quê?

 

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Rogério de Carvalho Há 2 semanas Porto Alegre-RSDei-me ao trabalho de ler esta, digamos, opinião de alguém que visívelnebte tem dificuldade na escrita para se expressar, que propaga as mesmas inverdades que todos os bolsonaristas e seu simpatizantes alardem aos quatro ventos, só me leva a acreditar que seja uma estória encomendada e bem paga para alguém assinar.
Sonia NaddeoHá 2 semanas São Paulo SPMuito bom como sempre primo ❤️
MarciaHá 2 semanas Sao Paulo, SP????????????????????
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