
Aos poucos, a esquerda limpinha — e seus primos ricos da Faria Lima — começam a perceber que o cobertor ideológico deles é curto. Muito curto. Se cobrem a bunda com o discurso progressista, os pés da coerência ficam de fora. Se puxam pros pés, mostram o rabo da hipocrisia.
Vivem chamando Bolsonaro de fascista — um clichê automático que já perdeu qualquer valor semântico. Fascista, por quê? Porque falava grosso? Porque dava xilique com a imprensa esquerdista patrocinada? Bolsonaro não flertou com autoritarismo: ele flertava com a grosseria, talvez, com o churrasco de caserna e o pastel com caldo de cana de beira de estrada. Era tosco, mas inofensivo no sentido revolucionário. Se houve um “golpe”, foi no bom gosto e na articulação institucional. No máximo, um motim de PowerPoint.
Já Lula é outra história. Lula não disfarça. Ele tem admiração genuína por autocratas. É íntimo de ditadores latino-americanos, afaga terroristas com retórica de “povos oprimidos” e cita assassinos com o mesmo carinho que cita Jesus. Não há flerte: há casamento. Com papel passado. E a esquerda finge não ver — ou pior, vê e aplaude.
O mais patético? O sujeito do meio. O que se diz “de centro”, “racional”, “moderado”. Aquele que dorme entre os dois, achando que está acima disso tudo. Enquanto Bolsonaro reclama da perseguição implacável de um lado e Lula acena pra Teerã do outro, ele ronca sob um edredom de falsa superioridade, com os pés pra fora e a cabeça enterrada num travesseiro feito de manchete da Folha e planilha da XP.
A real é simples: dá pra detestar Lula sem precisar idolatrar Bolsonaro. Dá pra dizer que o PT é um projeto de poder autoritário travestido de inclusão sem virar fã de fuzil e pintores de meio fio…. Mas isso exige uma coisa rara no Brasil: honestidade intelectual. Porque pensar com a própria cabeça dói. Dói mais do que ser chamado de “bolsonarista” por quem ainda usa “fascista” como sinônimo de “discordo de você”.