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LULA ESTÁ “MAIS MADURO”. O BRASIL ESTÁ “MAIS VENEZUELA”

Quando o roteiro já foi escrito em Caracas, qualquer déjà‑vu em Brasília deveria acender o sinal vermelho.

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
16/07/2025 às 19h27
LULA ESTÁ “MAIS MADURO”. O BRASIL ESTÁ “MAIS VENEZUELA”
Imagem WEB

Ainda em 2017, antes de ser preso, durante o 6º Congresso do PT, tendo o falecido ex-presidente uruguaio Pepe Mujica sentado ao seu lado, Lula disse claramente que iria trabalhar para regulamentar os meios de comunicação. Em seguida, em tom jocoso, disse “Então, gente, eu não fiquei mais radical, eu fiquei Mais Maduro, Mais Maduro!”, momento em que a plateia lulista vai ao delírio ao entender o duplo sentido de sua fala.

Os 25 anos do chavismo mostram que autoritarismo não acontece de um dia para o outro. Ele cresce por resoluções, portarias e decisões monocráticas que soam razoáveis até que seja tarde demais. A história venezuelana nos oferece um espelho, e nele, vemos hoje, ainda em estágio inicial, o reflexo de Brasília. O roteiro seguinte é conhecido: inflação, êxodo, colapso fiscal. Mudá-lo depende de reconhecermos as semelhanças enquanto ainda são só coincidências, não destino.

O FIO QUE COSTURA TUDO

  • Narrativa única. “Combate ao ódio” ou às “fake news” torna-se salvo-conduto para censura.
  • Judicialização. Cortes supremas passam a legislar e vigiar, encurtando o espaço do Congresso.
  • Militar-Estado. Purga ou cooptação de oficiais garantem obediência tática ao Executivo.
  • Cofre estatal. Estatais ou bancos públicos financiam o projeto, amortecendo desencontro econômico.
  • PIB castiga. Quando a divergência sai de cena, o capital também sai — e não volta fácil.

O FIO CONDUTOR

  • Crise real + pretexto discursivo. Na Venezuela, a “democratização da mídia” justificou as leis Resorte e Ódio; no Brasil, “combate à desinformação” sustenta PL 2630 e bloqueios judiciais.
  • Normas provisórias que viram permanentes. Leis habilitantes em Caracas e decisões liminares em Brasília se prolongam indefinidamente.
  • Concentração de poder econômico. PDVSA+militares então; BNDES+verba pública de mídia agora — ambos reduzem a autonomia do setor privado.
  • Judicialização para contornar maiorias adversas. TSJ anulou o Parlamento venezuelano; STF redefine regras sem aprovação congressual.
  • Relação causa-efeito entre liberdade e renda. O colapso venezuelano começou quando o cerco institucional já estava fechado; o Brasil mostra sintomas iniciais (PIB lento, fuga de capitais), mas ainda dispõe de um tecido institucional mais robusto.

Ao longo de 25 anos, o chavismo transformou instituições que tradicionalmente limitavam o poder do Executivo em extensões do próprio projeto — primeiro se blindando contra golpes internos, depois contra maiorias eleitorais adversas, e por fim contra pressões internacionais. Essa cronologia mostra que cada ajuste “legal” ou “disciplinar” foi menos um fim em si mesmo e mais um passo calculado para consolidar um Estado‑partido‑quartel, no qual toga e farda se entrelaçam na defesa de um mesmo comando político. 

Enquanto a farda e a toga eram incorporadas ao projeto bolivariano, a liberdade de expressão foi sendo sufocada em três ondas legislativas (2004, 2010, 2017) e sucessivas purgas de mídia. O resultado econômico acompanha a curva da liberdade: sobe no boom petrolífero, colapsa quando o regime fecha o país e estatiza a informação. Hoje, a Venezuela combina controle quase total da narrativa interna com uma economia reduzida a um quarto do tamanho que tinha no auge – prova prática de que, quando se censura ideias, o PIB acaba censurado pela realidade.

Em dois anos e meio, o Brasil percorreu várias etapas iniciais que a Venezuela levou quase uma década para completar: purga seletiva nas Forças Armadas, protagonismo de um Supremo “guardião da democracia”, projetos de lei que ampliam controle de conteúdo e a revalorização de bancos estatais como braços de política pública.

A diferença de escala e timing (o Brasil ainda tem imprensa plural e reservas cambiais, a Venezuela já enfrentava hiperinflação) não apaga o padrão de coincidências estruturais: sempre que o Executivo e o Judiciário alegam proteger “o povo” ou “a democracia” via decretos, leis‑coringa ou decisões monocráticas, cresce o risco de repetir o roteiro que levou Caracas do superávit ao êxodo.

Embora o Brasil mantenha instituições mais plurais que a Venezuela de Maduro, o roteiro de alianças com Irã, Rússia e China — acompanhado de uma narrativa anti-ocidental — reproduz marcas do percurso bolivariano. A história recente de Caracas mostra que esse alinhamento cobra seu preço em crédito, tecnologia e liberdade. A escolha brasileira entre equilibrar interesses ou seguir o “caminho venezuelano” continua em aberto, mas os paralelos são claros e crescentes.

A conclusão que podemos chegar é que enquanto Lula fica “Mais Maduro, Mais Maduro”, nosso judiciário fica “Mais bolivariano, Mais bolivariano”, nossas forças armadas ficam “Mais subservientes, Mais subservientes”, o Brasil fica “Mais Venezuela, Mais Venezuela”, e nós, o povo, ficamos “Mais ferrados, Mais ferrados”.

Felizmente, ainda é possível colocar um freio nisso tudo, engatar uma marcha ré e encaminhar o Brasil para o reestabelecimento da democracia, das liberdades e recolocar as instituições nos seus devidos lugares dentro da nossa república. Mas, para que isso aconteça, ao invés de abraçar o discurso anti ocidente de Lula, o setor produtivo e financeiro brasileiros precisam se afastar da agenda pré-bolivariana lulista enquanto é tempo.

 

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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