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MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA!

A peça de ficção criada por Alexandre de Moraes e Paulo Gonet mereceria um Prêmio Nobel de Literatura

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
15/07/2025 às 08h51
MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA!
Imagem WEB

O procurador geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de Jair Bolsonaro e de todos que estavam no núcleo 1 da denúncia pelo golpe que não aconteceu, pelos crimes que não praticaram, mas, principalmente, porque foi nomeado para fazer isso. Novidade? Nenhuma. Nem mesmo a pressa para que o julgamento ocorra em setembro causa espanto. A surpresa teria sido ele cumprir a lei.

Se eu fosse escrever uma história que envolvesse um crime, obviamente eu começaria pelo crime. Na minha cabeça, não faz o menor sentido que se invente um enredo cujo ápice é a solução de um crime se o crime não for criado primeiro. Agatha Christie, autora do famoso “Assassinato no Orient Express” e de inúmeras histórias envolvendo crimes que só mesmo seu herói, Detetive Hercule Poirot, resolveria, usava exatamente esta metodologia.

“Uma das primeiras autoras a entender seu gênero comercial, ela começava com uma ideia para um método de assassinato, depois passava para o assassino e criava um motivo interessante. Só então ela começaria a planejar todos os outros suspeitos e o que os motivaria. Foi bem fácil para ela elaborar as "pistas" importantíssimas e plantar algumas pistas falsas.”

Tudo o que envolve a denúncia contra Jair Bolsonaro, e os demais acusados do golpe que não aconteceu e dos crimes que não cometeram, partem exatamente do mesmo princípio: crime, acusados e detalhes. Também não seria incorreto fazer analogia com a célebre frase de Laventri Beria, Chefe da NKVD, a Polícia Política Soviética dos tempos de Stalin, “Mostre-me o homem e eu encontrarei seu crime”, como diz o trecho a seguir da matéria da Gazeta do Povo:

“Bajulador e mestre da intriga política, Beria desenvolveu um método muito eficaz de eliminar a oposição ao regime. Primeiro, ele acusava seus adversários por crimes imaginários. As denúncias eram cercadas de imensa publicidade. Nos julgamentos, os réus eram humilhados em público e coagidos a assinar confissões, antes de receberem a sentença. Aqueles que não eram imediatamente executados eram despachados para trabalhos forçados na Sibéria, onde a maioria morria de fome, frio ou doenças.”

Seja pensando no processo criativo de Agatha Christie, ou no método de Laventri Beria, sem precisar de uma análise muito profunda, fica claro que todo o processo envolvendo Bolsonaro e seu entorno partem da atribuição do crime, da criação do motivo que levaria ao crime, do planejamento dos suspeitos e do que os motivaria. Ou do simples raciocínio eficaz de como eliminar opositores por crimes imaginários, cercados de imensa publicidade, com direito à humilhação pública e coação para gerar confissões antes da sentença.

A peça de ficção criada por Alexandre de Moraes e Paulo Gonet, com a fundamental colaboração da digníssima Polícia Federal, certamente mereceria um Prêmio Nobel de Literatura, não fosse à semelhança com o que Levantri fez na falecida União Soviética - e foi replicada por outros ditadores em países como China, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e Nicarágua, o que só serve para reforçar a sensação de que o Brasil caminha (se já não é) uma ditadura. Outro trecho interessante da matéria da Gazeta do Povo sobre Beria diz:

“Beria foi um todo-poderoso chefe do maior Estado policial que já existiu. Ele mandou prender, deportar, torturar ou fuzilar um número incontável de inocentes, incluindo desafetos pessoais e qualquer um que ele afirmasse representar uma ameaça à democracia, digo, ao comunismo soviético.”

A parte mais assustadora de tudo o que estamos vivendo no Brasil é que este processo ditatorial parte da vingança planejada por uma única pessoa, condenada em três instâncias da justiça por corrupção e lavagem de dinheiro enquanto era presidente da república, que foi solto pelo judiciário brasileiro para ser recolocado no cargo que lhe deu poder para praticar seus crimes. O povo brasileiro está sendo punido pela vingança de um único homem, cujo narcisismo doentio não mede esforços nem poupa vítimas.

Os reais motivos pelos quais o judiciário brasileiro aderiu a este projeto de vingança, porém, possivelmente não se resumem apenas aos desejos do descondenado. É muito provável que existam compromissos (e obrigações) envolvendo agendas e personagens ocultos, além de soberba, ganância, psicopatia, muito dinheiro e muito poder. Mas tudo em nome da democracia.

Ao contrário dos romances policiais de Agatha Christie, no roteiro do golpe que não aconteceu e dos crimes que não foram cometidos, sabemos, mesmo que intuitivamente, quem são os verdadeiros vilões. Contudo, infelizmente, não existe no horizonte próximo um “Hercule Poirot” com força suficiente para provar que tudo não passa de enredo macabro, mal escrito, pelo judiciário brasileiro.

Quem sabe, um dia, a história revele a verdade, mas não antes de um país inteiro sofrer as consequências da vingança, da irresponsabilidade e da inconsequência de uma corja que se apoderou de um país.

E para finalizar... É impressionante que mais de 15 mil juízes, mais de 8 mil procuradores públicos e milhares de advogados apenas assistam isso tudo acontecendo.

Deixo aqui duas frases famosas do personagem Hercule Poirot:

“Todo assassino é, provavelmente, velho amigo de alguém.” - O Misterioso Caso de Styles (1920)

“Entenda isto: pretendo chegar à verdade. A verdade, por mais feia que seja, é sempre curiosa e bela para quem a busca.” - O Assassinato de Roger Ackroyd (1926)

 

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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