
No dia 29 de maio de 2025, o Jornal do Brasil trouxe à tona um desafio que afeta metade das crianças e adolescentes no espectro autista: a seletividade alimentar. Mais do que uma questão de paladar, esse problema impacta diretamente o aprendizado, o desenvolvimento social e a tão sonhada inclusão escolar. Para famílias que convivem com o autismo, essa realidade não é apenas uma estatística, mas um obstáculo diário que exige paciência, recursos e, acima de tudo, apoio.
A seletividade alimentar em autistas não se resume a "birra" ou preferências simples. Crianças no espectro muitas vezes rejeitam alimentos devido a sensibilidades sensoriais, como texturas, cheiros ou cores, que podem causar desconforto intenso. Isso leva a dietas restritivas, que, segundo nutricionistas citados pelo Jornal do Brasil, podem resultar em deficiências nutricionais, afetando a concentração, o comportamento e até a saúde física. Em sala de aula, uma criança mal alimentada pode ter dificuldades para se engajar, interagir com colegas ou absorver conteúdos, comprometendo a inclusão já dificultada pelas ideologias.
O impacto vai além do prato. A seletividade pode gerar isolamento social, já que momentos como o recreio ou festas escolares, onde a comida é central, tornam-se barreiras para a socialização. Para essas crianças especiais, isso significa perder oportunidades de construir laços e se sentir parte do grupo. Escolas, muitas vezes despreparadas, enfrentam dificuldades para adaptar cardápios ou criar estratégias que respeitem essas particularidades, enquanto famílias lutam para encontrar orientação acessível.
O governo, no entanto, parece distante dessa realidade. Apesar de a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) garantir direitos à educação especial, os recursos para formação de professores e apoio especializado são escassos. Dados do IBGE apontam que apenas 1,4% do orçamento educacional é direcionado à educação inclusiva, deixando famílias e escolas desamparadas. Para o brasileiro comum, que nem sempre tem acesso a nutricionistas ou terapeutas ocupacionais, o desafio é ainda maior. Muitos pais, como você, recorrem a grupos de apoio ou à internet, mas essas soluções improvisadas não substituem políticas públicas consistentes.
A Revista Oeste destacou em 2025 que a falta de investimento em educação inclusiva reflete uma visão estatal que prioriza discursos em vez de ações. Para o cidadão conservador, que valoriza a família e a responsabilidade individual, é frustrante ver o governo negligenciar algo tão básico: o direito de uma criança autista de aprender sem barreiras. Especialistas sugerem que escolas adotem estratégias como cardápios adaptados, atividades sensoriais e parcerias com profissionais de saúde, mas isso exige vontade política e recursos.
Para famílias como a sua, que enfrentam o autismo com amor e resiliência, a mensagem é clara: seu filho merece um sistema educacional que o acolha, não que o exclua. O Brasil precisa de mais do que promessas. Investir na formação de professores, na contratação de nutricionistas para escolas e em programas de apoio às famílias é o mínimo para garantir que crianças autistas tenham a chance de crescer, aprender e brilhar. A inclusão começa na mesa, mas depende de um governo que coloque o cidadão em primeiro lugar.