Sábado, 11 de Abril de 2026
16°C 25°C
São Paulo, SP
Publicidade

CULTURA NÃO É ENTRETENIMENTO. POLÍTICA NÃO É ELEIÇÃO

.

Alana Figueiredo
Por: Alana Figueiredo
20/05/2025 às 09h00
CULTURA NÃO É ENTRETENIMENTO. POLÍTICA NÃO É ELEIÇÃO
Imagem gerada por IA

Na era da hiperconectividade, todos os dias somos bombardeados por tanta informação que os conceitos mais básicos parecem ter se perdido. Termos como “cultura” e “política” são repetidos à exaustão — mas compreendidos cada vez menos. Cultura tem sido confundida com entretenimento; política, reduzida a manchetes, “lacrações” ou a disputas eleitorais. Essa inversão de significados traz consequências graves, como a formação de cidadãos desinformados, facilmente manipuláveis, e enfraquece os pilares que sustentam uma sociedade verdadeiramente livre.

De acordo com o dicionário, cultura é “o conjunto de conhecimentos, tradições, crenças, artes e hábitos sociais que caracterizam um povo ou uma época”. Trata-se, de um elemento formador de identidade, que molda o modo de pensar, agir e enxergar o mundo. Já entretenimento é definido como “aquilo que diverte, distrai, proporciona passatempo”, ou seja, a função do entretenimento é aliviar e não formar.

Confundir essas duas dimensões — uma estruturante, outra passageira — é um erro comum atualmente. Quando reality shows, memes ou espetáculos se tornam o centro da “produção cultural”, e artistas são elevados à condição de “formadores de opinião” sem qualquer responsabilidade moral ou intelectual, o povo perde o senso do que realmente importa. Sem cultura, resta apenas consumo de sensações — e uma sociedade sem referências profundas se torna rasa, frágil e manipulável.

Ainda de acordo com o dicionário, política é “a arte ou ciência de governar, organizar e administrar os assuntos públicos.” É o campo onde se decidem os rumos de uma nação, onde se estrutura o poder, se formulam leis e se definem prioridades. Política é projeto, é responsabilidade e ação coletiva.

Mas o que vemos é a substituição da política (ciência) por uma cobertura jornalística comprada e superficial, focada em escândalos, disputas partidárias ou falas de ocasião. Para muitos, política significa crise, corrupção ou eleição — sempre algo distante, sujo, ou apenas “assunto de Brasília”. Quando a política é reduzida a “lacração”, o cidadão se transforma em mero espectador e perde seu protagonismo. E um povo que apenas assiste, sem entender nem participar, está fadado a obedecer sem questionar.

Quando confundimos cultura com entretenimento e política com eleição, resultamos em um povo desorientado — incapaz de reconhecer sua identidade, de entender seus direitos ou de se posicionar com consciência. A crise de entendimento afeta diretamente as escolhas eleitorais, o debate público, a qualidade da educação e até mesmo os valores transmitidos dentro das famílias.

Um bom exemplo é a atual Reforma Tributária, um tema complexo, com impacto direto na vida de todos, mas que passa despercebido ou mal compreendido por grande parte da população. Por quê? Porque o debate político foi substituído por manchetes e slogans. Porque falta cultura política — e sobra entretenimento.

Enquanto isso, decisões gravíssimas são tomadas sem resistência social, sem contraponto popular, porque as pessoas não sabem mais discernir o que está em jogo. E quem perde com isso não é um partido ou outro — é a liberdade do povo.

Essa crise de entendimento não é apenas intelectual — é espiritual. Um povo que perde o sentido de cultura e política é um povo que perdeu o senso de propósito. E o Brasil tem um propósito. Nossa formação como nação foi profundamente marcada pela fé cristã, que moldou nossos princípios de justiça, liberdade, solidariedade e respeito à vida.

Não se trata de impor uma religião, mas de reconhecer que a cultura cristã é o alicerce moral que sustenta a civilização brasileira até hoje. Separar cultura da fé é como tentar manter uma árvore de pé cortando suas raízes. E é exatamente isso que temos visto: um povo desconectado de sua origem, facilmente manipulado por ideologias vazias.

Se quisermos reconstruir o Brasil, precisamos voltar à fonte — à Palavra de Deus, que forma, corrige, orienta e liberta. Só há verdadeira cultura onde há verdade. E só há liberdade onde há arrependimento, justiça e temor a Deus. Que os cristãos compreendam que sua missão vai além das quatro paredes de templos. Nossa missão é formar, educar, influenciar e transformar. Para acabar com a escuridão, não é necessário um holofote, apenas uma vela. Sejamos a luz do mundo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Alana Figueiredo
Alana Figueiredo
Engenheira com MBA em Gestão de Projetos, possui experiência no setor de agrárias e se destaca por suas habilidades de escrita e comunicação. Ao longo de sua carreira, desenvolveu um profundo interesse por temas culturais e políticos, que agora compartilha como colunista. Tem visão crítica e informada, sempre com um olhar atento às dinâmicas sociais e econômicas que moldam a sociedade.
Ver notícias
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,01 +0,19%
Euro
R$ 5,87 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 388,633,95 +0,02%
Ibovespa
197,323,88 pts 1.12%
Publicidade
Publicidade
Publicidade