
Chega de paninhos quentes, campanhas coloridas, ou hashtags que duram menos que uma estação. A cura para o cachete cívico brasileiro talvez esteja ali mesmo, no baú da história: a guilhotina. Sim, aquela senhora afiada da Revolução Francesa, símbolo de que há um limite — e que, ao contrário da paciência do brasileiro, esse limite não é elástico.
Imagine o cenário: praça pública, bandeirinhas, pipoca e… prestação de contas. Não em planilhas ocultas ou CPIs que terminam em pizza, mas no fio da lâmina. Porque talvez só assim se cure essa amnésia coletiva em que o brasileiro é roubado hoje, se indigna até o próximo meme, e amanhã está de volta à fila — sorridente — para votar no mesmo corrupto que o deixou sem hospital, sem escola, mas com camiseta e churrasco na véspera da eleição.
A guilhotina não seria um ato de violência. Seria um monumento à memória. Uma pedagogia nacional. Um alerta constante de que a política não é um eterno “vale tudo” e que o voto não é licença para ser idiota em série.
E que fique escrito na base do monumento, em letras de bronze e sarcasmo:
“Liberté, égalité… et bandidos guillotinés.”
Uma versão abrasileirada do lema francês, adaptada ao surrealismo cívico do trópico: liberdade para votar mal, igualdade na miséria, e bandidos — pelo menos em teoria — no cadafalso simbólico. Porque enquanto não houver custo real para a corrupção, seguiremos premiando canalhas com mandatos e aplausos.
Claro, não precisamos usar de verdade (ainda). Mas talvez devêssemos deixá-la lá, bem no centro da praça dos Três Poderes. Como quem diz: “Lembrou agora, cidadão?”. Porque, no Brasil, só choque visual parece atravessar o torpor do “deixa disso”.
Enquanto isso não acontece, seguimos com o teatro eleitoral. O povo aplaude os algozes, os corruptos se reelegem, e a indignação… bem, essa dura menos que o prazo da urna.
Dr. Guilhotein vive!