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VOLTAR PARA CASA

“Memórias & Retalhos dum Eco Inteligente e Não Replicante”

Marco Paulo Silva
Por: Marco Paulo Silva Fonte: Juntando as peças com lucidez & cognição impolutas
13/12/2024 às 13h48 Atualizada em 13/12/2024 às 13h58
VOLTAR PARA CASA

Assistir, in loco, a cada oferenda e espetáculo da natureza é um prodígio indelével.

Conhecer novos lugares, culturas e pessoas (interessantes, boníssimas e bem intencionadas) são das experiências mais marcantes e inolvidáveis que levamos para a eternidade.

Poder encontrar o ser amado, haver reciprocidade de fascinação, encantamento, desígnios e desideratos, estar com ele, por si só, consubstancia, sem dúvida, um inefável e idílico enlevo que cinge tempo e espaço, e cujo entorno, próximo ou distante, se torna mero acessório vacuoso.

Ver-se (e, neste caso, já num cenário mais hipoteticamente intangível ou reservado a uma minoria de privilegiados) a poder adquirir e / ou realizar qualquer fetiche mercantil, possuindo os meios próprios e lícitos para tal, seria, com certeza, algo inenarrável.

Mas poder voltar para casa, ao final do dia, sem dor física ou mental, de plena saúde, portanto, com “as contas pagas”, é sempre o supremo dos sortilégios - não achais?

Tem coisa melhor que estar em nossa casa?

Haverá uma série de coisas boas nesta vida, com certeza que as há, mas, certamente, voltar para / estar em casa, creio, será uma unanimidade.

É comum, lá está, escutarmos que viajar é das melhores experiências que podemos levar desta vida – concordo, indubitavelmente –, mas acrescentaria que na surdina da experiência veraneante e dos horizontes mentais e existenciais que se expandem a partir dela opera sempre a sensação única e inenarrável de regressarmos a casa.

Trabalhar, por variadíssimas razões, é algo vital para nós. Mas a sensação de conforto e alento que sentimos sempre que voltamos para casa após um dia de labuta, goste-se ou não daquilo que se faça, não tem preço. Se a negativa citada for uma realidade mais ela (a sensação de conforto e alento) se fará impagável...

Lar é, portanto, sinônimo de refúgio sustentador do bem-estar físico e emocional. 

Simbolicamente, representa a nossa psique e suas vicissitudes conscientes versus inconscientes.

Distingue-nos e dignifica-nos face ao outro.

A nossa memória, a nossa biografia e nossa forma de ser e estar encontra, no espaço doméstico, por um lado, um lugar, por excelência, de livre expressão, por outro, um ambiente de proteção, amparo e acolhimento uterino.

Fora dele, vimo-nos obrigados e submetidos a uma constante exigência adaptativa, a reprimir sentimentos, vontades, pensamentos, emoções e comportamentos, muitos deles, que desejaríamos expressar, até, gerando a todo o instante, desgaste, enfado e desconforto emocional.

De volta a ele, as máscaras e os filtros dissipam-se – voltamos a ser nós mesmos: íntegros, in natura, plenos e soberanos.

Obviamente, dentro de padrões e requisitos mínimos de dignidade humana, seja a casa modesta ou mais sumptuosa; humilde ou soberba; exígua ou ampla (mas sempre e sempre higienizada e arrumada), não há melhor lugar para se estar que não seja em nossa casa...

“Nossa”, por nós adquirida, conquistada, fruto, unicamente, de nosso esforço, esmero e mérito – oh, glória!...

De tal modo assim é que, reiteradamente, sempre que dela nos ausentamos, por mais que a experiência se faça deveras prazerosa e inesquecível, o retorno sempre se fará mais do que saudoso...

Eco

 

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Marco Paulo Silva
Marco Paulo Silva
Nascido, em 1975, e criado em Terras lusitanas, formei-me, academicamente, em Psicologia Clínica.
Na busca pelo binômio - independência financeira / vocação -, há mais de duas décadas que dedico minha vida profissional à investigação criminal e segurança pública.
A partir de 2020 enveredei numa saga literária cujas façanhas já deram azo a três diamantinas obras: COSMION, POMPA & CIRCUNSTÂNCIA e DZÁIT-GÁIST...
O futuro a Deus pertence...
Hoje, vivo em São Paulo, Brasil.
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