
A intuição (a par da consciência e / ou da imaginação) não pode ser explicada cientificamente porque o próprio fenômeno, em sua essência ontológica, é imparametrizável e opera à margem de qualquer lógica ou fisicalidade.
Em última instância ela, a dita cuja, é racionalizável, mas sempre após, e só após, cada intercorrência intuitiva.
Ou seja, sua origem, localização fisiológica e forma de proceder escapam a qualquer parâmetro científico, comparativo ou racional.
A racionalização, a ocorrer, será sempre um processo diferido e só alcançará e recairá sobre o conteúdo daquilo que foi intuído.
Somente sobre “o quê?”
Jamais sobre “o como e o por quê?”
A ciência pode ajudar-nos a conhecer o universo material, sem dúvida, mas o universo material é a expressão final de uma pequena parte de tudo o que existe, pois que inserido num reino espiritual e energético invisível, inabarcável e absoluto para além do qual jamais conseguiríamos aceder ou discernir não fosse a dita intuição.
O conhecimento esotérico – aquele que se debruça sobre o desconhecido, o não manifesto, o que está oculto – procura conduzir-nos ao conhecimento daquilo que está além do físico.
E quem se tenta aproximar desse último reduto desejando conhecê-lo apenas através da racionalidade e da lógica nada conhecerá, pois Deus está além de qualquer alcance racional – Ele só pode ser intuído, primeiro, e sentido depois...
Assim sendo, para qualquer pessoa que deseje conhecer-se a si mesma, e a Deus (ousaria ecoar que o voltar a si mesmo abrange tal ordem de grandeza) o primeiro passo será compreender que a realidade é muito mais do que os seus rasos sentidos alcançam e que nunca poderá conhecer a Totalidade a não ser por meio da intuição.
Para a pessoa que não acredita em nada para além da materialidade e apenas e só naquilo que pode ser racionalmente decifrado pela cientificidade ela já se fechou para conhecer qualquer fenômeno transcendental e fechou-se a qualquer potencialidade intuitiva nesse sentido em seu âmago.
Pode a intuição ser explicada?
Depende (ao final entendereis).
Pode a intuição ser reduzida ao intelecto?
Não!
A intuição, assim como a consciência e / ou a imaginação – re-ecoo –, possui uma existência holográfica em nossa mente.
Ela não tem existência física ou localizável cerebralmente falando.
Ela transcende, pois, o intelecto – nem sequer lhe pertence.
O intelecto pode até senti-la, sente-a, mas não a consegue explicar, descrever, parametrizar, dissecar, isolar e / ou quantificar.
Pela racionalidade extraem-se dois reinos na existência: o conhecido e o desconhecido.
E o desconhecido significa apenas aquilo que ainda não é conhecido, mas que poderá sê-lo.
Já o místico viés afirma que existem três reinos: o conhecido, o desconhecido e o incognoscível.
Por incognoscível o místico entende que é aquilo que só poderá ser acedido por um Ser com uma intuição, imagética e nível de consciência potencializados ao máximo.
A intuição trabalha, pois, com o incognoscível.
É a sua área de predileção e excelência.
Não se trata apenas de uma questão de tempo até que seja conhecido — a incognoscibilidade é a sua qualidade intrínseca.
Não se trata dos seus instrumentos não serem suficientemente precisos, da sua lógica não estar atualizada ou da sua matemática ser primitiva — não é essa a questão.
A qualidade intrínseca do incognoscível é a incognoscibilidade; ele existirá sempre como incognoscível.
E é um reino que só a alta intuição, consciência e imaginação – elas e somente elas – conseguirão penetrar, aceder e decifrar…
E quando algo do incognoscível passa a ser acedido dá-se então o chamado salto; um salto de consciência.
Nele não há ligação, liame ou passagem lógica, não há, esquematizavelmente, ir de um ponto para outro.
Senti-lo-eis, mas jamais podereis compreendê-lo racionalmente, mapeá-lo ou descrevê-lo.
Poderemos chegar, então, à firme conclusão de que a intuição se explicará e encontrará a sua razão de ser porque o incognoscível existe e porque, de uma certa e especial forma, permite ser por nós intuído.
Existo (como incognoscível), logo o intuo!
Ou
Intuo (o incognoscível), logo ele existe!
Eco