
Quando um homem venera e se apaixona por uma mulher, e vem a desfrutar de certo grau de reciprocidade, ele encontra o seu templo por excelência.
Não num edifício.
Não num livro.
Num templo vivo e carnal...
Na presença sagrada do feminino.
Aparte 1: Quando se alude ao amor incondicional o homem sempre estará à margem desse sortilégio, pois que os únicos três seres que são amados incondicionalmente são as mulheres (pelos homens), as crianças e os pets.
Aparte 2: Qualquer homem que se preze só será amado por uma mulher condicionalmente – dependendo da circunstância (na esmagadora da esmagadora maioria dos casos), se servir para algo, prover, ter projeto, convencê-la do mesmo e ter a habilidade de colocá-lo em prática…
A matriz do antigo Egito deu (e dá) a letra e a decodificação do poder em torno do eterno feminino.
O Ankh era o ceptro e o amuleto congregador.
O trono transportava o poder de Ísis.
O céu estendia-se, infinitamente, sobre a terra como Nut.
E o fogo feroz da criação fluía através de Sekhmet.
Estas não eram apenas deusas — eram lembretes de que o poder divino residia na própria essência feminina gestora e geradora de vida.
O templo para os egípcios nunca estava separado da vida.
Ela — a mulher — era o templo em si.
Sua coluna vertebral o pilar da vida.
Suas ancas o altar da criação.
Seu útero a câmara oculta onde os mundos são concebidos e o espírito adentra e penetra na matéria.
Quando um homem se ajoelha diante de uma mulher, em verdade, não se posta subserviente submetendo-se ou inferiorizando-se.
Ele está, simplesmente, a enaltecer e a reverenciar sua sacra presença e existência.
Lembrando-vos sempre que o sagrado existe para ser sentido, tocado, respirado e honrado no corpo vivo.
O céu não está algures distante e altaneiro…
O céu é côncavo e possui dois pomos…
O céu irradia calor…
O céu respira…
O céu tem batida e pulso nos quais podeis colocar as mãos…
Tem colo...
O masculino não perde poder algum, jamais, ao honrar o feminino.
Desde que, claro está, seja o “feminino certo, justo e merecedor”, caso contrário é a danada servidão…
Nele, no seio e envolvimento com o feminino, ele desperta a sua forma mais elevada.
A união divina do masculino e do feminino não é mitologia.
É o equilíbrio sagrado e originário da própria vida humana.
A “mulher certa” é mais do que uma companheira – é uma força que alavanca e eleva a essência de um homem.
Quando verdadeiramente com ele, e de seu lado, ela fortalece sua masculinidade despertando-lhe um poder interior imparável.
Ela torna-se, pois, a sua maior inspiração no trilhar dos mais altos e épicos feitos.
Juntos, cultivarão um ambiente onde o crescimento será mútuo, onde cada desafio será enfrentado em sinergia e onde a viagem partilhada será de pujança, autenticidade e propósito.
E numa relação assim transcender-se-á, sem delongas ou titubeações, o comum e o ordinário.
Eco