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O BRASIL VIROU TERRA DE NINGUÉM

O CASO DA FÁBRICA CHINESA NA BAHIA

Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Por: Luiz Philippe de Orleans e Bragança
20/03/2026 às 11h40

Recentemente, soubemos de uma fábrica da China na Bahia que está empregando trabalhadores chineses, o que acende um alerta vermelho sobre a nossa economia. A primeira pergunta é: quais leis eles obedecem? Estão sob as regras brasileiras ou seguem as leis da China? Sabemos que a China não tem os benefícios da nossa CLT, mas, por outro lado, nossas leis são tão rígidas que quase impedem uma produção eficiente. Nessa fábrica, porém, a produtividade parece altíssima, o que nos faz questionar o peso do Estado na nossa indústria.

O segundo ponto é: por que trazer chineses? Não há mão de obra na Bahia ou o brasileiro não é qualificado o suficiente? Isso escancara a falência do nosso sistema educacional. Nossas escolas não parecem preparar ninguém para o século XXI, mas sim para a ignorância, sem as competências necessárias para um mundo industrial competitivo. Além disso, nossas leis trabalhistas não criam empregos; elas tiram oportunidades ao encarecer o trabalho. Enquanto a indústria nacional definha e o agronegócio se mecaniza, eliminando vagas que nunca mais voltarão, ficamos para trás.

A questão aqui é a soberania. No século XIX, a China foi retalhada por impérios estrangeiros em "áreas de concessão" onde ela não mandava em nada. Hoje, ela faz o inverso: cria parcerias em que define as regras e o país hospedeiro vira um mero espectador. O governo brasileiro deu subsídios e isenções para essa fábrica, mas onde está o benefício, se nem os empregos são para brasileiros? Estamos aceitando uma concessão injusta dentro do nosso próprio território.

Soberania não é só proteger fronteiras; é garantir segurança alimentar, energética e a dignidade do trabalho. Expor o brasileiro a essa competição sem proteção é uma violação grave. Para ser um bom negócio, a China deveria produzir aqui seguindo nossas leis e contratando nossa gente. Enquanto aceitarmos esses acordos mal costurados, continuaremos vendo nossa indústria sumir. O Brasil não pode ser apenas um espectador da própria exploração; ou retomamos o controle da nossa produtividade, ou nossa soberania será apenas decorativa.

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança está em seu segundo mandato como deputado federal (PL/SP), com mais de 500 propostas apresentadas com foco em reformas no sistema político, tributário e judiciário, defesa nacional, patrimônio histórico e relações exteriores. É presidente da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado.
Graduado em Administração de Empresas pela FAAP/SP e mestre em Ciências Políticas pela Stanford University. Trabalhou no banco JP Morgan, em Londres; e depois no Lázard Freres, em Nova Iorque. Retornou ao Brasil como diretor de desenvolvimento de negócios da America Online (AOL) na América Latina.
Fundou em 2014 o movimento Acorda Brasil e é autor de livros sobre política, constituição e História do Brasil.
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