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IRÃ: ENTRE O RESGATE DA IDENTIDADE E O COLAPSO DO TOTALITARISMO

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Por: Luiz Philippe de Orleans e Bragança
20/01/2026 às 09h38
IRÃ: ENTRE O RESGATE DA IDENTIDADE E O COLAPSO DO TOTALITARISMO
Imagem gerada por IA

O cenário político no Irã contemporâneo evoca os levantes europeus do século 19, mas com uma distinção fundamental. Enquanto a Europa daquela época buscava a utopia de novas ideias republicanas, o povo iraniano hoje luta pelo resgate de uma identidade nacional persa, sufocada pela Revolução de 1979.

Para muitos, o atual regime dos Aiatolás é percebido como uma força de ocupação estrangeira e ilegítima que não representa a essência do país.

Embora o descontentamento seja histórico, a atual onda de mobilizações foi desencadeada por uma crise econômica severa, marcada por inflação galopante e escassez de divisas. A resposta do governo tem sido pífia no campo social — limitando-se a benefícios financeiros ineficazes — e devastadora no plano militar. Relatos indicam que o número de mortos, majoritariamente jovens, pode ultrapassar a casa das dezenas de milhares. Notavelmente, a sustentação do regime depende de mercenários estrangeiros, uma vez que as forças de segurança nativas tendem a simpatizar com os manifestantes.

A ascensão dos Aiatolás não decorreu de uma maioria religiosa, mas de uma organização estratégica financiada pela antiga União Soviética. Utilizando movimentos sociais (feministas, estudantis e trabalhistas) como instrumentos de desestabilização, a liderança islâmica subverteu o reinado de Reza Pahlevi. Uma vez no poder, o regime reprimiu esses mesmos grupos e impôs a lei sharia.

A restauração da monarquia constitucional surge como uma alternativa de liberdade e modernização técnica para parte da população, evocando o período do Xá, que era alinhado ao Ocidente. A queda do atual sistema teria impactos geopolíticos profundos:

  • Geopolítica: O retorno do Irã como potência industrial e cultural no coração da Ásia;
  • Religião: O estancamento da expansão do radicalismo islâmico rumo ao Ocidente;
  • Economia: Estabilização de um mercado de 90 milhões de habitantes e vastas reservas petrolíferas.

O totalitarismo iraniano, fruto da subversão marxista do século 20, atingiu seu limite, e a resistência persa serve de exemplo ao Brasil. O caminho de resgate da identidade passa por reformas profundas do Estado, e esse é o nosso caminho.

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança está em seu segundo mandato como deputado federal (PL/SP), com mais de 500 propostas apresentadas com foco em reformas no sistema político, tributário e judiciário, defesa nacional, patrimônio histórico e relações exteriores. É presidente da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado.
Graduado em Administração de Empresas pela FAAP/SP e mestre em Ciências Políticas pela Stanford University. Trabalhou no banco JP Morgan, em Londres; e depois no Lázard Freres, em Nova Iorque. Retornou ao Brasil como diretor de desenvolvimento de negócios da America Online (AOL) na América Latina.
Fundou em 2014 o movimento Acorda Brasil e é autor de livros sobre política, constituição e História do Brasil.
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