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TRUMP SINALIZA MUDANÇA DE EIXO NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Por: Luiz Philippe de Orleans e Bragança
04/02/2026 às 11h15
TRUMP SINALIZA MUDANÇA DE EIXO NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
REUTERS / Kevin Lamarque

Sob a gestão de Donald Trump, os Estados Unidos consolidam uma ruptura estrutural em sua política externa, abandonando a histórica estratégia Leste-Oeste para priorizar o eixo Norte-Sul, isto é, Washington deixa de investir no desgaste do Oriente Médio e na volatilidade da Ásia e da Europa para focar na criação de um bloco autossuficiente que se estende da Groenlândia à Patagônia. Essa reorientação é vista como uma medida de sobrevivência americana diante de uma nova corrida diante de tecnologias revolucionárias e inteligência artificial.

A nova doutrina fundamenta-se em três pilares: o acesso soberano a terras raras, a segurança integral de recursos (minerais, energia e alimentos) e a capacidade de neutralizar adversários sem confrontos bélicos de larga escala. Nesse cenário, a Europa é retratada como um pilar em decadência, vítima de um "socialismo fabiano" que resultou em estagnação econômica e colapso demográfico. Em contraste, a América Latina surge como o aliado ideal, não apenas pela abundância de recursos, mas pela afinidade cristã e de valores compartilhados, tornando a integração hemisférica mais barata e pragmática do que a manutenção de alianças transatlânticas onerosas, como a OTAN.

O Brasil ocupa posição estratégica e de urgência nesse cenário. Para a viabilidade desse bloco americano, o governo dos EUA deve agir de forma implacável contra o narcotráfico e a influência de potências como China e Rússia, vistas como agentes de subversão. A soberania nacional será testada: o país terá de decidir, até o final de 2026, entre a integração a uma superpotência pragmática ou o isolamento em blocos como o BRICS, classificado como instável.

Embora o alinhamento com Washington exija concessões, é a alternativa mais segura para garantir a liberdade e a estabilidade institucional frente a modelos autocráticos. A transição para o eixo Norte-Sul é um caminho sem volta, onde a proteção contra regimes nocivos supera os riscos de uma autonomia isolada em um cenário global, em chamas.

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança está em seu segundo mandato como deputado federal (PL/SP), com mais de 500 propostas apresentadas com foco em reformas no sistema político, tributário e judiciário, defesa nacional, patrimônio histórico e relações exteriores. É presidente da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado.
Graduado em Administração de Empresas pela FAAP/SP e mestre em Ciências Políticas pela Stanford University. Trabalhou no banco JP Morgan, em Londres; e depois no Lázard Freres, em Nova Iorque. Retornou ao Brasil como diretor de desenvolvimento de negócios da America Online (AOL) na América Latina.
Fundou em 2014 o movimento Acorda Brasil e é autor de livros sobre política, constituição e História do Brasil.
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