
PARA QUÊ TER FILHOS?
Recentemente fiz mais duas inimizades com mulheres sensacionais e este foi o motivo. Uma no meu trabalho e outra, uma amiga.
Eu simplesmente respondi sobre a pergunta sobre por quê ter filhos.
As pessoas se enganam muito comigo, pois esperam que eu vou usar argumentos religiosos sobre essa questão. A verdade é que, antes de ser cristão, eu estudei muitas áreas, além da psicologia ou filosofia, frutos da minha experiência ateísta anterior. Então, eu sei do que falo.
A verdade é que a era dos "país de pets" está em alta e as pessoas se ofendem a cada dia mais com verdades tão simples. Ter um cachorro ou um gato, não te faz um pai ou uma mãe. Eu não vou aprofundar o aspecto psicológico dessa questão, pois ficaria muito acadêmico. Tampouco usarei a bíblia pois acho que é uma questão tão intima, tão reveladora, que não é preciso usar de nuances tão rebuscadas.

Quando uma pessoa diz que não quer ter filhos (seja um homem ou uma mulher), ela está falando muito mais que uma expressão de seu direito de reproduzir.
E àqueles argumentos de que o mundo está muito ruim para por uma vida nele ou que a carreira precisa ser construída e solidificada antes, ou ainda o de que engravidar estraga o corpo, etc: são meras justicativas para esconder a superficialidade dessa era.
Os indivíduos estão cada vez mais vazios e sem senso de propósito a longo prazo. Quando uma pessoa decide não investir na ideia de ter um filho, dizendo que é algo que a vai prender para a vida toda, ela está dizendo nas entrelinhas: não quero ser responsável. Não quero assinar um contrato de vida com outra pessoa, mesmo que carregue o meu DNA. Prefiro um cachorro ou um gato.
A pessoa que pensa assim, chegou num estado de egoísmo e de culto a si mesmo tão profundo, que realmente é melhor não ter filhos.
Gerar um novo ser requer coragem, demanda maturidade para instruir, para se dedicar, para motivar, sorrir e chorar dependendo da situação. Ser pai ou mãe demanda conhecer a arte de se importar, de dar a própria vida e de adicionar à sua existência, uma nova camada de sentido.
Ser pai ou mãe é ser confrontado diuturnamente pelas exigências do ser gerado nas entranhas, que, aumenta de nível a cada dia e, muitas vezes, é um incômodo clone do genitor.

O que um filho receberia ou aprenderia com uma mulher que já passou dos 30 e continua fútil, cultuando o seu próprio corpo e se autoiludindo com os coraçõeszinhos no seu post do Instagram?
E o que um homem de quase 40, com um subemprego, que não larga o pacote de fandangos e o controle do vídeo game, poderá transmitir para seu filho?
Então, a pergunta essencial não é o que essa pessoa vai sentir nos seus 50 ou 60 anos, quando não puderem mais ter filhos. Arrependimento? Remorso? Não importa.
A pergunta certa seria: gente tão mal resolvida, frustrada e deprimida assim, para quê ter filhos ? Eles estão certos.
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