
Aviso à navegação:
Nesta rubrica o compromisso prende-se, obsessivamente, com a busca frenética, e possível, pela verdade das coisas.
E não há como buscar a verdade no que quer que seja na mera expressão da materialidade, naquilo que só a nossa visão, percepção e idiossincrasias nos ditam ou nas doutrinas, dogmas e teses de todo o escopo e natureza com que nos programam e engessam.
Buscar a verdade e a revelação implica imergir, incontornavelmente, no desconhecido, no tenebroso, no sombrio e oculto.
E ler nas entrelinhas para desnudar todo e qualquer simbolismo ou conundrum.
Só assim, e do binômio e sinergia entre o que está recôndito com tudo aquilo que está manifesto e percepcionável, é que a emanação da clarividência ocorre e passa a ter lugar sobre todo e qualquer assunto / pauta.
Sem mais delongas. A “derradeira ceia” bíblica foi um rito de morte selado, protocolado, codificado…
Como tal, não realizada de ânimo leve.
Não foi reconfortante.
Não foi nem sequer sentimental.
Tratou-se de uma operação noturna perpetrada na surdina.
Uma imersão calculada em direção à dissolução…
Qualquer sistema iniciático que se preze jamais se inicia com a ressurreição.
Começa, pois, por um ritual de fratura.
A sagrada ceia marcou, portanto, o desmantelamento deliberado de uma gnose de identificação antes da aniquilação pública.
Os doze não foram ali discípulos / apóstolos no sentido moral.
Foram forças funcionais.
Na cosmologia oculta, o número doze rege a contenção, o cativeiro e o aprisionamento existencial.
Correntes zodiacais.
Governadores astrais.
Compulsões e afetações psicológicas.
Reunir os doze passou, então, por invocar toda a maquinaria que prende a consciência à carne...
A mesa não foi comunhão.
Foi contenção.
O pão não foi bênção.
O pão é matéria tornada obediente pelo fogo e pela pressão.
O grão é triturado, moído e assado antes de se tornar alimento.
“Este é o meu corpo” fora o anúncio da submissão voluntária ao mesmo processo…
O iniciado não escapa à matéria.
Deixa-se processar por ela, conscientemente.
O vinho, esse, teve outro escopo.
O vinho é sangue corrompido, propositadamente.
A fermentação é a decomposição controlada.
Na fisiologia oculta tal processo espelha a corrupção da força vital para que esta se possa tornar iluminada...
É por isso que os ritos de sangue aparecem nas tradições antigas, não como selvajaria, mas como mecânica.
A vida precisa apodrecer antes de irradiar…
O traidor não foi um vilão.
Judas foi, pois, o executor necessário do rito.
Toda a iniciação requer um martelo demolidor, uma força que colapsa a estrutura assim que o alinhamento passa a estar completo.
Na doutrina das sombras o traidor é a mão que abre o portão.
Sem traição, o sistema permaneceria inalterável.
A transformação exige ruptura…
A declaração de presciência não foi profecia.
Fora a confirmação de que o ritual passara a estar selado.
Uma vez proferida a sequência não mais pôde ser interrompida.
Os ritos antigos incluem sempre um momento em que o iniciado anuncia a destruição iminente.
A fala sela a realidade.
O silêncio subsequente permite que ela (a realidade) se desdobre…
A disposição dos assentos codificou o domínio e a exposição.
Qualquer mapeamento esotérico que se preze revela tríades e oposições concebidas para fazer circular a tensão pelo campo energético.
A figura central (Cristo) absorveu e redistribuiu a pressão psíquica, estabilizando o colapso durante o tempo suficiente para que a transferência se realizasse.
Engenharia quântico-frequencial-energética pura e dura…
“Fazei isto em memória de Mim” não fora uma instrução religiosa.
A recordação, na linguagem do oculto, significa a recuperação do poder através da reencenação.
Ela ordena a repetição da mecânica interna (mentalização, contrição, meditação); não de uma qualquer refeição externa (digestiva, biológica, sistêmica)…
Aqueles que repetem apenas a metonímia ou a sinédoque perdem completamente a essência (a verdade) da situação…
A Última Ceia foi a estabilização final antes de o corpo ser oferecido à execução pública como interface sacrificial.
Foi o selamento de uma fórmula que transforma a morte em ignição.
É por isso que a narrativa sobreviveu enquanto o seu mecanismo foi enterrado.
O poder esconde-se sempre no simbolismo para não ser partilhado e / ou usado a desfavor / contra…
Aqueles que interpretam a Última Ceia como ato de amor só enxergam o superficial do superficial…
Aqueles que a interpretam como obediência absorvem, somente, controlo.
Mas aqueles que a interpretam como um ritual reconhecem-na, instantaneamente, em absoluta amplitude de significado, como:
Um manual para entrar na escuridão e resgatar a revelação sem que se seja consumido por aquela…
E tal conhecimento nunca foi ou será, por óbvio, destinado a todos.
Muito pelo contrário, só por uma ínfima parte…
Eco