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A maturidade do Bolsonarismo

A transição de Jair Bolsonaro para Flávio

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
18/01/2026 às 06h08 Atualizada em 18/01/2026 às 06h22
A maturidade do Bolsonarismo
A MATURIDADE POLÍTICA DO BOLSONARISMO: A TRANSIÇÃO 
 
Uma gama de pessoas aparentemente de bem (nem tanto) ganhou destaque no debate público, pontuando sempre (às vezes exagerando ou fingindo não entender linguagem hiperbólica) os comportamentos, palavrões, piadas de ambíguas ou com viés de preconceito que o presidente da República adotava. Eram filósofos, intelectuais, artistas, jornalistas e analistas políticos. Nunca se houve tamanha severidade e julgamento com um chefe do executivo como foi com ele. Todos os dias se falava da quantidade de xingamentos, das respostas sem filtro, da abordagem da nacionalidade ou ascendência de uma jornalista "japonesa", enfim, o rigor foi sem precedentes. Assim, Jair Bolsonaro, foi elemento de debate, crítica ácida e perseguição política e midiática incessantes.
 
Desse modo, o movimento bolsonarista ganhou a pecha de reacionário e perigoso para a democracia, baseado apenas no tom (tido como belicoso) adotado pelo seu fundador. Bem, nem toda crítica a Jair é injusta, e um líder precisa realmente fazer uma autocontenção, mas essa nunca foi uma premissa utilizada para perseguir o seu adversário de São Bernado do Campo, que já falou coisas absurdas que nem vou repetir aqui.
Pois bem! De uma forma ou de outra, Bolsonaro não está mais na disputa eleitoral e já delegou a continuidade do movimento político para o seu sucessor. E a crítica feita ao Bolsonarismo perde toda a eficácia, pois com a nova roupagem, se tornou absolutamente incriticável. E agora os agentes do debate público precisam baixar a guarda de modo a pacificar o país.
 
SIM! Não importa se você é de esquerda ou de esquerda e até de centro. Se de alguma forma, você, pela ausência de referência de liderança à época e a crítica da imprensa, odiou veementemente, ou até você apoiador, que se encheu de esperança, se conectando com o barulho daquela "retroescavadeira" verde-folha produzida pelo exército de Caxias e pela Câmara dos deputados; que entre 2016 e 2018 entrou pelas ruas das cidades e nos aeroportos, removendo entulhos culturais antigos; aplainando o solo e derrubando cativeiros da ignorância do então politicamente sufocado "país do futuro": é hora de você ampliar a sua percepção.
 
De fato, devido ao período de três décadas (1985-2016) de supressão da "voz conservadora" e das constantes diatribes da incauta sociedade que, induzida pela mídia, tripudiou e ridicularizou o Dr. Enéas Carneiro, se fazia necessário alguém que tivesse: um "grito beligerante", disposição para protestar e de demonstrar autêntica indignação. Inclusive, sabendo que corria risco de morte, se o fizesse. Por exemplo, a facada em Juiz de Fora.
Contudo, é extremamente importante entender esse perfil como uma necessidade temporal.
 
Primeiro, porque a essência do conservadorismo é proativa e carregada de: construção, reflexão, diálogo, estratégia e execução.
Logo, na década inaugural da direita "pós-redemocratização", que nasceu milagrosamente através da pessoa de Jair Bolsonaro, convém que seus adeptos (novos ou antigos), encantados com a potência de agir do "Mito" de 2018, não confundam aquela "época de guerra", onde a postura era de embate incessante e de fogo-contra-fogo, com o período atual, onde o terreno, ou parte dele já foi conquistado. Sobretudo quando já aconteceram várias baixas e quando se deve gastar um tempo para preparar a próxima fase da "guerra".
Certamente, alguém pode dizer: "mas o que foi conquistado? Só vimos "mortos" do nosso lado; do lado de lá está tudo bem. Eles venceram".
Bem, podemos não ter conquistado o que desejávamos, mas o fato de existirmos e estarmos todos os dias nas manchetes dos jornais e nas redes já é uma grande vitória. Na última "batalha" perdemos por apenas 2 milhões de soldados. Ou seja, não estamos tão longe assim.
A verdade é que, antes do capitão, nós nem existíamos. E se de fato não tivéssemos um poder relevante, o adversário não empregaria tanta energia em tentativas de nos calar. Portanto, menos emocionalismo, por favor.
 
Segundo ponto é que a inteligência estratégica pós-conquista, requer uma postura de firmeza e de vigilância constante, mas também de maturidade e de conciliação, a fim de evitar eternizar estereótipos, o que o "inimigo" poderia facilmente utilizar para criar caricaturas e para eliminar do debate público, ou inocular no imaginário popular a ideia de despreparo, de desequilíbrio ou de movimento histriônico da nossa parte. Ninguém aqui é revolucionário. Isso aqui não é esquerda, somos a direita, somos conservadores. Que fique claro.
Nesse sentido, a direita, que só existe e permanece em crescente no Brasil, em virtude da bravura de um único homem, deve entender a sinalização dele, respeitando-o como seu fundador e único líder. Enquanto estiver vivo, é dele o sinal de deslocamento, avanços ou recuos estratégicos. O "aluno-soldado" que permanecer afeiçoado ao método dos "primeiros combates" deve ser compreendido como alguém de virtude, mas inapto para o projeto de estabilidade do território conquistado. Este, deve ser honrado pelo serviço prestado e convocado para um eventual "fronte" onde suas competências possam ser melhor aproveitadas.
 
Esta é a essência atual do conservadorismo no Brasil que deságua do nascedouro chamado Bolsonaro. E esta, foi refinada, provada, repensada e maximizada na pessoa do seu filho mais velho: Flávio Bolsonaro. Ele recebeu a benção do pai para avançar com um projeto de pacificação.
 
Ao observar a postura de @flaviobolsonaro nas suas entrevistas e, como discorre sobre os múltiplos cenários políticos e sociais do país, inclusive em assuntos complexos, fica consignado na sua pessoa: a maturidade, a profundidade da análise, a experiência e, o indiscutível poder de criar identificação com os anseios do povo.
Nele, está patenteado o que se pode chamar de Neo-Bolsonarismo. O Bolsonarismo transpôs, amadureceu e agora flui natural e organicamente. Não que isso já não acontecesse, mas o modo atual é muito mais producente e abrangente. Com um método de debate mais reflexivo e menos aguerrido, menos ruidoso, mais estratégico e altamente político.
 
O que se pode constatar nesses últimos anos, é que dentre tantos outros vértices surpreendentes do Bolsonarismo, ainda havia um grande segredo encoberto desse novo elo político-social brasileiro: a sua capacidade de crescer numérica e politicamente, mesmo em tempos de intensa perseguição.
E na pessoa de Flávio, o movimento tende a expandir e a abarcar estratos brasileiros que ainda não tinham sido alcançados. A postura de pacificador político adotada por @flaviobolsonaro é uma clara demonstração da compreensão do cenário fragmentado do país. Isso é algo que não pode ser ignorado se baseando na postura antiga do movimento.
 
O Bolsonarismo realmente se tornou politicamente imprescindível. E como profetizou o seu fundador: imorrível.
 
Sérgio Júnior
 
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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

Site do autor na Amazon.

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