
A verdade é que desde aquele evento de descontentamento com Rosario (por defender Champinha), adicionada àquela entrevista sobre o presídio de Pedrinhas, Jair Bolsonaro pauta o Brasil e o convida para se olhar no espelho. Sua própria identificação com o povo mostra que o país se revisitou e começou a pensar nas suas chagas.
Insistir em negar esse sentimento nacional ou tentar calá-lo juridicamente fortalece-o política, cultural e socialmente. Além de promover a permanência nos assuntos de interesse popular. E dá audiência. Não há ninguém em sã consciência que possa negar que Jair é um grande líder. Concordando ou não com ele, enxergando-o como flagelo ou fenômeno, é preciso aceitá-lo.

E se formos sinceros intelectualmente, vamos admitir que em quase 4 anos de governo de esquerda só se falou de Bolsonaro.
Estando inelegível, doente e com sequelas de uma tentativa de assassinato; julgado e condenado por reuniões e elucubrações delatadas por um aliado que alterou 9 vezes seu depoimento. Ou seja: na prisão, em casa, na TV, no Globo de Ouro, nas ruas, o assunto é Bolsonaro.
É como se ele ainda estivesse ocupando o Palácio do Planalto.
E mesmo sendo impedido de falar com o povo, sem poder usar as redes, o assunto “Bolsonaro” não passa.
A verdade é que a gente sabe que vivia uma mentira. Também sabia que reinava a injustiça no nosso país. Sobre a máfia das elites financeiras, sobre a venda de sentenças no judiciário, sobre o crime organizado inserido na política e a lavagem de dinheiro que o pessoal do colarinho branco participa e incentiva. Sobre loteamento estrangeiro da Amazônia? Claro que parte de nós sabia. Esse não é o problema.
O problema é que o tal do Jair fez a outra parte da gente querer saber!
Ele ensinou que isso demandava responsabilidade, exigia mudança, organização, conscientização e sacrifício.
E o que essa gente quer agora?
Não mais um “Eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde...” tampouco o “Eu só peço a Deus, um pouco de malandragem”.
Agora é “Paz sem voz não é paz, é medo”.
Parece que a família Bolsonaro decidiu mostrar que a gente gostava de atuar. Percebeu que muitos de nós estávamos num filme, e ele decidiu ser o diretor.
Primeiro, veio com esse jeito de dizer “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
Talvez porque descobriu que parte de nós nunca quis ser liberta da mentira em que vivíamos. Ele então usou a tática do "Tropa de Elite": uma crítica ácida contra a corrupção no sistema e virou paixão nacional.
O tempero desse élan foi que, enquanto Jair Bolsonaro apontava nossos defeitos, direta ou indiretamente, enquanto mostrava nossa apatia cidadã, seus defeitos também vieram à tona. E descobrimos que ele sempre foi gente da gente, é um de nós. Foi identificação à primeira vista.

Aí vem o filho @BolsonaroSP falar sobre verdade, repetindo o eco do pai. E o melhor, falar de liberdade de expressão e imunidade parlamentar no exterior, expondo em inglês a nossa desgraça, a nossa bandidagem, como disse a Manu: a “nossa hipocrisia”. A gente gostou.
O pai só havia conseguido um “popcorn”.
Nós assistíamos à Globo, achávamos o futebol incorruptível, que políticos realmente ganhavam na Mega-Sena e achávamos “Teodoro” um cara chato. Preferimos sempre o “Vadinho”.
Os agentes da mídia jamais permitiriam a verdade chegar até nós. E parte da gente detestava esse negócio de “verdade”. Aí vem Jair nas redes e boom! A gente viciou.

Na República da mentira, uma família decidiu mostrar a verdade. A Michelle “dar pito” para todo mundo ouvir no Ceará. E ao demonstrar sem filtros as agruras do pai (@jairbolsonaro), @CarlosBolsonaro, que já tinha conquistado o nosso coração, reativa a fórmula “dedo na ferida” dizendo que vivemos uma mentira.

Agora é a vez do filho mais velho: @FlavioBolsonaro. Que possui uma forma mais amena e equilibrada de falar.
A verdade é que temos uma família de líderes.
Por que o ódio, por que destruí-los, por que calá-los?
Sérgio Júnior