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A DERRADEIRA FILOSOFIA

Memórias & Retalhos dum Eco Inteligente e Não Replicante™

Marco Paulo Silva
Por: Marco Paulo Silva Fonte: Juntando as peças com intelecto, cognição e lucidez impoluta™
01/08/2025 às 15h41
A DERRADEIRA FILOSOFIA

A filosofia em seu sentido mais elevado, lato e legítimo é o empreendimento humano mais supremo.

É a base sobre a qual todo o conhecimento se norteia.

A disciplina soberana visto que sustenta e transcende as ciências, as artes e até mesmo o pensamento político…

Mas em tempos tão distópicos, bisonhos e subvertidos o que é feito dela?

 

No crepúsculo desta “admirável neo-modernidade” a tocha da verdadeira filosofia está quase que inteiramente apagada.

A maioria dos “filósofos” de hoje são, tão só, meros professores da pseudo-história ou títeres de condicionamento das tortas ideias. Burocratas a serviço de uma programação que tem fragmentado o conhecimento, a cognição, a lógica e o discernimento. Uma programação que sempre visou confundir análises de proposiçõesacientíficas” com o pensamento filosófico original e genuíno...

 

A tarefa de um filósofo de verdade, salvo melhor opinião, é descobrir ou criar conceitos que redefinam a totalidade da experiência humana.

Tais conceitos não serão hipóteses a serem testadas em laboratório, não serão teorias a serem construídas em bancos de dados, muito menos meras opiniões não importando o quão eloquentemente expressas elas possam vir a ser.

Os conceitos, em tese, serão todas aquelas ideias generativas e arquitetônicas que reestruturam nossa compreensão da existência em todo o espectro do pensamento humano, ontologia, epistemologia, ética, política e estética.

Posto isto, se a ideia não se ondula e mescla em todos esses domínios e se, simultaneamente, não transforma (em elevação) nossa concepção de ser, nossa compreensão do conhecimento, nossa sensibilidade moral, nossa visão política e nosso horizonte artístico de uma forma coerente, então, não será filosofia.

Um filósofo, no sentido e acepção mais excelsa da palavra, é uma figura desveladora, um inventor, um indagador, um inconformado e um rebelde contra ideários / ordens estabelecidas sem qualquer sentido a que chamam de conhecimento visando, unicamente, manipulação, controle, arbitrariedade e domínio.

Ele não apenas deseja interpretar o mundo, ele se dá ao mesmo a um grande custo pessoal – e que custo…

 

A história da verdadeira filosofia (a dos genuínos filósofos) é a história de tais “rebeldes, loucos e hereges” – homens que pagaram o preço por pensamentos que sempre ameaçaram o poder estabelecido, as vacas sagradas e seu tempo.

Desde a eliminação forçada dos pitagóricos, à execução de Sócrates, ao exílio de Aristóteles ou à demonização e expurgo do tupiniquim Olavo de Carvalho, a filosofia sempre foi uma batalha contra as forças do establishment e do dogma, do status quo e das amarras intelectuais.

O filósofo não é um mero professor, ele não é um “especialista” ou um mero crítico envolvido apenas na desconstrução.

Um filósofo é o arquiteto de ideias impactantes e construtivas. Ele é o portador da mente mais ampla, flamejante, iluminada e aguçada para entender e explicar o significado da vida.

Tais excelsos representantes da espécie têm sido extremamente raros, surgido a espaços e de tempos em tempos.

 

Estamos em mais um momento crucial de nossa linha temporal – entre tantos e tantos outros da cíclica, espiralizada e analemática trajetória civilizacional.

A sensação de um fim bate-nos à porta (creio, até, que já adentrou sem pedir qualquer licença), entretanto, ao contrário de um fim, para aqueles capazes de enxergar não apenas caminhos, o momento presente oferece grandes avenidas de possibilidades…

Somos entes espectrais, ou seja, nossa existência não é estática nem redutível às oposições binárias de existir ou não existir, de presença e ausência, ser e nada, matéria e espírito, passado e futuro.

As estruturas ontológicas tradicionais na história da filosofia, seja o idealismo platônico, o dualismo cartesiano ou mesmo o materialismo pós-kantiano foram todas construídas sob falsas suposições determinadas por categorias fixas e excessivamente rígidas.

A condição espectral que nos permeia exige a abolição dessas estruturas ontológicas rígidas e a aceitação de um cosmion que não será nem puramente material, nem espiritual, nem determinista, nem aleatório, nem subjetivo, tampouco objetivo, mas antes uma interação dinâmica de forças, padrões e potencialidades que transcendem as categorias humanas convencionais de pensamento.

Espectral, também, porque o Homem é sempre o ser que estará por vir – se tornando, tecendo e encarnando o porvir…

Nos primórdios da filosofia Heráclito antecipou, profeticamente, tal percepção, ou seja, que ser é tornar-se e que o próprio Logos é uma dialética sempre em desenvolvimento de ordem e caos.

Não há como fugir desse confronto – é incontornável.

O erro da metafísica tradicional sempre foi o de solidificar a realidade em entidades discretas, privilegiar a estabilidade sob a transformação, reedificar em rigidez, isto é, considerar apenas concreto o que é verdadeiramente abstrato, considerando somente a estrutura ignorando o fluxo…

A evolução espectral nos força a enfrentar a realidade de uma existência que se mostra fundamentalmente instável, evoluindo pelo dinamismo e que é sempre modelada por uma lógica subjacente que não é nem determinista, nem arbitrária.

 

O futuro da filosofia não pertencerá aos materialistas, racionalistas ou empiristas que continuam a adorar as cascas vazias da física newtoniana, nem aos epicuristas que sonham em escapar deste mundo para algum reino etéreo da vida após a morte.

Em vez disso, pertencerá àqueles que podem pensar em todo o espectro da existência como físico e psíquico, tanto quanto caótico, quanto ordenado, tanto contingente, quanto teleológico.

A existência não se consubstancia como uma mecânica de relógio, nem é uma simulação no sentido de um artifício que imita e cobre uma realidade preexistente.

Em vez disso, é um simulacro no sentido de um sistema autogerador e autorregulador de processamento de informações sem ponto de referência externa.

A referência é única e exclusivamente a nossa mente e consciência individual!

O mundo emerge de uma interação de potencialidades e atualizações que surge e se transforma através das ações de seres conscientes e forças inconscientes.

A natureza probabilística dos sistemas quânticos, onde as partículas existem em superposições até que sejam observadas, revela que não há realidade fixa.

A observação colapsa a função de onda, transformando um campo de possibilidades em uma variedade estruturada de fenômenos.

Essa interação dinâmica entre a potencialidade e o real forma a base de um individual e particular cosmion que é fundamentalmente informativo e não materialístico.

 

O caos – sempre ele (tenho-o dito e repetido) também desempenha um papel essencial na manifestação e transformação do mundo.

O caos não é mera aleatoriedade, é o substrato criativo a partir do qual emergem novos padrões e estruturas.

A tensão entre o caos e a ordem impulsiona a evolução do existir, garantindo que ele permaneça adaptativo e dinâmico. Nesse sentido, a imanência não será governada por leis imutáveis, mas por padrões emergentes que evoluem em resposta aos fluxos de informação e energia.

Neste sentido o aspecto mundano da nossa realidade manifesta sua estrutura fenomenal através de uma interação dinâmica entre caos, logos, psique e ordemos quatro princípios ontológicos que são equiprimordiais no sentido de que nenhum deles é derivado do outro e cada um desempenha um papel constitutivo do desdobramento existencial.

O caos é, pois, o abismo da potencialidade.

Não uma mera desordem, nem um vazio absoluto.

Em vez disso ele é a energia de fundo fervente da existência e o reservatório primordial de potencialidade do qual surgem todas as formas.

Um poder latente, uma fonte de formação ainda não formada…

Na linguagem quântica tal se reflete no campo de energia de ponto zero e na natureza indeterminada antes de observada.

Toda tentativa materialista de definir uma partícula fundamental ou substrato final da realidade entra em colapso no reconhecimento de que, no nível mais básico, a existência é probabilística, flutuante e inerentemente indefinida até ser atualizada.

Isso significa que a ontologia não pode ser reduzida a uma mera física de partículas, e que o determinismo fatalista quanto a um destino único será um erro de interpretação sempre, mas sempre, muito conveniente para ser usado pelas castas de poder…

 

O que se seguirá dependerá, portanto, da filosofia do futuro a ser criada por nós.

Para realizarmos tal feito e empreendimento devemos abraçar uma espécie de metafísica de emergência da qual todas as estruturas, incluindo o próprio espaço-tempo, sejam fenômenos secundários decorrentes de um campo de potencialidade mais profundo e primordial   a mente que se torna consciente de algo que pode ser alterado por si mesma...

Cruzar a ponte que se gera do mundo do caos para o mundo da ordem e do logos para almejar, por fim, uma mente solar, crística

 

Cada ser humano é um ponto que deverá visar à transcendência da realidade através da sua própria mente.

Uma mente capaz e consciente, pois a chave da clarividência não está fora de si – estou careca do falar e escrever...

Cristo se deixou crucificar para que o pudésseis, derradeiramente, discernir-lo…

Eco

 

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Marco Paulo Silva
Marco Paulo Silva
Nascido, em 1975, e criado em Terras lusitanas, formei-me, academicamente, em Psicologia Clínica.
Na busca pelo binômio - independência financeira / vocação -, há mais de duas décadas que dedico minha vida profissional à investigação criminal e segurança pública.
A partir de 2020 enveredei numa saga literária cujas façanhas já deram azo a três diamantinas obras: COSMION, POMPA & CIRCUNSTÂNCIA e DZÁIT-GÁIST...
O futuro a Deus pertence...
Hoje, vivo em São Paulo, Brasil.
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