
Aqui estou eu, terra adorada, com teu conhecimento empírico.
Nesse mar és uma nau, que navega no barroco e atraca no lírico.
Na inteligente ilha da alma, te medicas na fé e vives no idílico
Culpas o sobrenatural, o vento metafísico.
E assim, escapas, ou pensas conseguir
Disfarçar a realidade e ignorar o porvir
Não direi ser ignorância, ou um vício de mentir
Mas identifico em ti uma dor: o trauma de servir.

Parece-me que a fé, em que costumas te esconder;
Não foi capaz de te mostrar, ou você não quis entender.
Teu jeito bucólico tem beleza, mas a realidade não pode desfazer
Sua mudança é uma necessidade, mas depende de você.
E esse seu vício de encontrar um culpado, embora não seja totalmente sem razão;
Não seria um medo inoculado, uma cicatriz da servidão?
E sendo assim, não seria hora de se erguer, num movimento de libertação?
Ou é idílico também nosso hino, o "povo heroico" é uma mera menção?
Não vês o que acontece com os seu velhos, vítimas da corrupção?
E sobre os teus irmãos religiosos, sendo levados à prisão.
Como tu ousas dizer-te independente, ou é consciente tua ilusão?
Tens noção do que é ser uma Pátria, ou uma soberana Nação?

O curioso é que eu ao te ver assim, eu fico ansioso
Ver-te oprimido me é muito custoso
Mas como fugir do meu amor por ti, ainda que te amar ficou perigoso?
Como te esquecer, país louco, sofrido e maravilhoso?

Que tal deixar para trás, o tempo de escravos;
E sairmos às ruas, como nos tempos dos "vinte centavos"?
Se levanta de novo desse medo letárgico, Pátria que nos pariu !
Ponha a camisa amarela e abra a janela, é hora de uma nova vida: reaja, Brasil.

Sérgio Júnior
#ReajaBrasil