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EXÉRCITO REESTRUTURA COMANDO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS E REDUZ AUTONOMIA DE 'KIDS PRETOS'

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
24/07/2025 às 13h40
EXÉRCITO REESTRUTURA COMANDO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS E REDUZ AUTONOMIA DE 'KIDS PRETOS'

O Comandante do Exército, General Tomás Paiva, assinou uma portaria que altera a estrutura do Comando de Operações Especiais (COpEsp), unidade de elite baseada em Goiânia, conhecida por abrigar os chamados “kids pretos” – militares treinados para missões de alto risco, incluindo operações de guerra irregular, contraterrorismo e operações psicológicas. A medida transfere o 1º Batalhão de Operações Psicológicas do COpEsp para o Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília, e reduz a autonomia da unidade. A sede do batalhão, antes em Goiânia, será realocada para a capital federal a partir de 1º de janeiro de 2026, sob maior supervisão do comando do Exército.

 

O Exército justifica a reestruturação como parte de um processo de “aprimoramento” de sua doutrina militar, destacando que mudanças em unidades de elite são práticas comuns em forças armadas modernas, visando adaptar-se a novos desafios estratégicos. A instituição nega que a medida esteja diretamente relacionada às investigações da Polícia Federal (PF) sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, que teria envolvido militares do COpEsp.

 

Contexto das Investigações e Acusações

A reestruturação ocorre em meio a denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), que apontam o envolvimento de 23 militares, 12 deles “kids pretos”, em uma suposta trama golpista após as eleições de 2022. Segundo a PGR, militares das Forças Especiais teriam utilizado técnicas aprendidas em treinamentos para planejar ações que incluíam desinformação, monitoramento de autoridades e até um suposto plano de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes, conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”. A PF alega que o plano foi descoberto em documentos no Palácio do Planalto e em mensagens de militares, mas não foi executado devido à falta de apoio do Alto Comando do Exército e à decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de não assinar um decreto de ruptura institucional.

 

No entanto, a narrativa de uma tentativa de golpe é contestada por alguns setores, que questionam a consistência das provas apresentadas pela PF e pela PGR. Críticos apontam que as investigações podem estar sendo usadas para construir uma narrativa política que enfraqueça as Forças Armadas e determinados grupos políticos. A defesa de militares denunciados, como o tenente-coronel Guilherme Marques Almeida, alega “inépcia” e “falta de justa causa” nas acusações, argumentando que áudios e mensagens foram retirados de contexto ou não comprovam intenção criminosa. Além disso, a ausência de ações concretas para consumar o suposto golpe – como a falta de mobilização efetiva de tropas ou ordens diretas – levanta dúvidas sobre a materialidade da trama.

 

Implicações da Reestruturação

A transferência do Batalhão de Operações Psicológicas para Brasília e a redução da autonomia do COpEsp sugerem um esforço do Exército para centralizar o controle sobre unidades com alto potencial operacional. Os “kids pretos” são conhecidos por sua formação em missões sigilosas, incluindo operações psicológicas e de inteligência, o que os torna uma força estratégica, mas também sensível. A decisão de limitar o acesso ao curso de Forças Especiais, reduzir o efetivo e integrar as operações psicológicas à comunicação estratégica do Exército indica uma tentativa de evitar que tais unidades operem fora da cadeia de comando ou sejam percebidas como um “exército dentro do Exército”.

 

Por um lado, a medida pode ser vista como uma resposta pragmática às denúncias, buscando restaurar a confiança na instituição e prevenir o uso indevido de habilidades especializadas. Por outro, críticos argumentam que a reestruturação pode enfraquecer a capacidade operacional das Forças Especiais, que são essenciais para missões de segurança nacional, como contraterrorismo e defesa em ambientes hostis. A pressão de setores políticos, como o PSOL, que pediu a extinção do batalhão, também levanta questionamentos sobre possíveis influências externas na decisão.

Necessidade de Transparência

A reestruturação do COpEsp ocorre em um momento delicado para as Forças Armadas, que enfrentam escrutínio público devido às investigações de 2022 e aos eventos de 8 de janeiro. Embora o Exército afirme que as mudanças visam apenas o aprimoramento operacional, a coincidência com as denúncias da PGR alimenta especulações sobre os reais motivos. A transparência sobre os objetivos da reestruturação e o andamento das investigações é crucial para esclarecer se a medida é uma resposta a falhas internas, uma tentativa de controle político ou um ajuste técnico genuíno. A narrativa de um “golpe” permanece sob intenso debate. Enquanto a PGR e a PF sustentam que havia um plano estruturado, a falta de ações concretas para sua execução e as contestações das defesas dos acusados sugerem que a história pode ser mais complexa. A sociedade brasileira merece esclarecimentos baseados em provas sólidas, sem narrativas que possam polarizar ainda mais o debate político ou comprometer a credibilidade das instituições.

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