
Coisas do verão passado!
A revista IstoÉ publicou uma matéria em 17 de maio de 2006, intitulada "O contrabando do urânio brasileiro", denunciando o contrabando de urânio e tório no Amapá, com base em uma investigação da Polícia Federal. A reportagem apontou que uma quadrilha extraía e enviava ilegalmente material radioativo, com possível destino à Coreia do Norte, segundo áudios e rastreamentos citados pela PF.

A matéria de 2006 detalhou uma operação sigilosa da PF que investigava a extração ilegal de minerais radioativos. Não há registros de confirmação oficial pelo governo da época sobre os destinos mencionados ou desdobramentos significativos da denúncia.
https://revista.istoe.com.br/o-contrabando-do-uranio-brasileiro/
Caso o link não esteja acessível ou tenha sido arquivado, você pode encontrar referências ao conteúdo da matéria em outros sites que reproduziram trechos, como:
https://uc.socioambiental.org/o-contrabando-do-uranio-brasileiro/
Contexto: A matéria, escrita por Rodrigo Rangel, detalha uma investigação da Polícia Federal sobre uma quadrilha que extraía e contrabandeava urânio e tório no Amapá, com possíveis destinos como Coreia do Norte, Rússia e outros países.

A denúncia se baseia em apreensões de material radioativo em 2004, escutas telefônicas e relatórios sigilosos da PF.
Além da matéria da IstoÉ de 17 de maio de 2006 sobre o contrabando de urânio e tório no Amapá, outras denúncias ou incidentes relacionados ao contrabando ou tráfico de materiais radioativos no Brasil foram registrados, embora nem todos sejam diretamente ligados a urânio. Abaixo estão os casos mais relevantes com seus contextos:
Apreensão de material radioativo em 2004 no Amapá (Operação Ouro Negro):

Descrição: A Polícia Federal apreendeu 18 sacas de torianita, um minério com alto teor de urânio e tório, no interior do Amapá. Exames da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmaram a presença de compostos radioativos. A partir disso, a PF passou a monitorar três grupos organizados com base em Macapá suspeitos de contrabando.
Contexto: Essa apreensão deu origem à Operação Ouro Negro, que investigou a extração ilegal de minerais radioativos. A matéria da IstoÉ de 2006 detalhou que o material poderia estar sendo enviado para destinos como a Coreia do Norte, com base em áudios e rastreamentos logísticos. Não há registros de desdobramentos judiciais significativos ou confirmações oficiais sobre os destinos.
Ataque a comboio de transporte de urânio em 2019 (Angra dos Reis, RJ):
Descrição: Em 19 de março de 2019, um comboio transportando urânio para as usinas nucleares de Angra 1 e 2 foi atacado por homens armados na rodovia próximo à cidade de Frade, a 30 km de Angra dos Reis. A polícia que escoltava o comboio respondeu ao ataque, mas não houve prisões, feridos ou roubo do material.
Contexto: A Eletronuclear, responsável pelas usinas, informou que o urânio transportado era de baixo enriquecimento, não perigoso, e que o ataque não atrasou a entrega. A polícia sugeriu que o incidente pode ter sido um assalto comum, não necessariamente voltado ao urânio, já que os atacantes fugiram após troca de tiros. Não há evidências de que o ataque visasse o contrabando do material.
Acidente de Goiânia (1987) e possível relação com mercado ilegal:
Descrição: Em 13 de setembro de 1987, uma cápsula contendo césio-137 foi roubada de um hospital abandonado em Goiânia, Goiás, causando um dos piores acidentes radiológicos do mundo. O material foi vendido a um ferro-velho, resultando em quatro mortes e contaminação de 249 pessoas.
Contexto: Embora o incidente não tenha sido classificado como contrabando internacional, a facilidade com que o material radioativo foi roubado e comercializado localmente levantou preocupações sobre a segurança de fontes radioativas no Brasil. O caso expôs vulnerabilidades que poderiam ser exploradas por traficantes de materiais nucleares. A cápsula foi recuperada pelas autoridades, mas o evento gerou críticas à fiscalização de materiais radioativos.
Denúncias não confirmadas sobre urânio na década de 1970 e 1980:
Descrição: Há relatos históricos de que, no final dos anos 1970, o Brasil teria exportado urânio para o Iraque em troca de petróleo a preços reduzidos. Cerca de 20 toneladas de urânio teriam sido enviadas antes que a exportação fosse interrompida devido à intensificação da Guerra Irã-Iraque. Além disso, há menções de que o Brasil teria comprado urânio altamente enriquecido da China na década de 1980.
Contexto: Essas alegações aparecem em relatos orais e algumas fontes secundárias, mas não há documentos oficiais que as confirmem. O programa nuclear brasileiro da época, conduzido sob regime militar, era sigiloso e incluía tentativas de acessar o mercado internacional de materiais nucleares, o que alimentou especulações sobre tráficos.
Não há evidências concretas de contrabando, e o Brasil nega ter possuído material de grau armamentista.
https://parquesnobrasil.org.br/en/noticia/41419
Sérgio Júnior