
Um relatório do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgado hoje e pouco noticiado, expõe uma crise grave na educação brasileira: 35% das 140 mil escolas públicas do país, ou 49 mil unidades, não possuem bibliotecas funcionais, afetando 3 milhões de alunos, especialmente no Nordeste (45% das escolas sem bibliotecas, 1,35 milhão de alunos) e Centro-Oeste (20%, 600 mil alunos). O Censo Escolar 2024 detalha a precariedade: 60% dessas escolas não têm bibliotecários capacitados, 40% possuem acervos com menos de 500 livros (contra 2.000 recomendados pela UNESCO), e 25% das bibliotecas estão fechadas por falta de espaço físico ou infiltrações, com 15% sem cadeiras ou mesas adequadas. No Maranhão, 55% das escolas públicas não oferecem acesso a bibliotecas, enquanto em Goiás, o índice é de 30%, segundo o Inep.
O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2024 mostra o impacto: 70% dos alunos do 5º ano têm habilidades de leitura abaixo do básico, piorando para 80% em escolas sem bibliotecas, onde a compreensão de textos simples é limitada. O IBGE aponta que 15% dos alunos de baixa renda, cerca de 450 mil, abandonam os estudos por falta de recursos educacionais, com bibliotecas fechadas contribuindo para 20% dessa evasão no ensino fundamental. Historicamente, o problema persiste: em 2010, 30% das escolas públicas não tinham bibliotecas, e a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de universalizar o acesso até 2020 foi descumprida, com apenas 5% de avanço em 14 anos, segundo o Ministério da Educação. Comparado a países da OCDE, onde 95% das escolas têm bibliotecas com 5.000 livros em média, o Brasil investe apenas US$ 12 por aluno em acervos, contra US$ 50 na média global.
O governo Lula destinou R$ 400 milhões ao Programa Nacional de Bibliotecas Escolares (PNBE) em 2024, mas apenas 20% (R$ 80 milhões) foi executado, conforme o Portal da Transparência. O Tribunal de Contas da União (TCU) revela que 30% dos recursos (R$ 120 milhões) foram desviados para despesas administrativas, como salários de cargos comissionados, e 25% dos projetos de bibliotecas não têm cronogramas definidos. Em 2024, apenas 2.000 escolas receberam novos livros, contra 10.000 previstas, e 70% dos acervos distribuídos tinham menos de 200 títulos, segundo o Inep. No Nordeste, 40% dos municípios não receberam verbas do PNBE devido a falhas na prestação de contas, agravando a desigualdade educacional. O orçamento de 2025 prevê R$ 450 milhões para o programa, mas apenas 10% foi empenhado até maio, conforme o Portal da Transparência.
A crise das bibliotecas reflete uma gestão ineficaz: o Brasil gastou R$ 207 bilhões em educação em 2024, mas apenas 2% (R$ 4,14 bilhões) foi para infraestrutura escolar, enquanto 18% cobriu despesas administrativas, segundo o TCU. A falta de bibliotecas limita o desenvolvimento cognitivo e perpetua a evasão, com 1,1 milhão de jovens fora do Ensino Médio, segundo o IBGE. Em 2024, 12 mil escolas rurais, atendendo 800 mil alunos, não tinham bibliotecas, e 30% dependiam de acervos doados, muitas vezes desatualizados. Dados oficiais podem destacar incentivos, mas as bibliotecas fechadas, os livros desatualizados e as crianças sem acesso à leitura revelam uma situação terrível: os alunos são privados das ferramentas para desenvolver o pensamento crítico, as comunidades rurais perdem oportunidades de progresso e as famílias de baixa renda enfrentam barreiras à mobilidade social.
A sociedade deve compreender sua responsabilidade em cobrar políticas públicas eficazes, pressionando o Legislativo por leis que garantam bibliotecas equipadas e fiscalizando a aplicação dos recursos, para que a educação vá além de promessas e forme cidadãos preparados.