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É A ECONOMIA ESTÚPIDO

A paridade tributária com os EUA

José Melatti
Por: José Melatti Fonte: Opinião
14/02/2025 às 16h11
É A ECONOMIA ESTÚPIDO
É a economia estúpido

Tentando responder qual fator definiria a vitória na eleição presidencial de 1992, nos EUA, o economista James Carville saiu-se com uma resposta que acabou levando Bill Clinton à vitória contra Jorge Bush (pai). Hoje, em meio ao turbilhão de novidades do governo Trump, fica difícil apontar sua pauta mais importante, geopolítica, corrupção, destruição da agenda progressista, relações internacionais, enfim, são tantas novidades que nos fazem perder o fôlego.

Um tsunami de notícias invadiu a mídia e as redes sociais, mas a novidade mais radical entre todas as medidas anunciadas corre o risco de passar despercebida, qual seja: a imposição de uma reciprocidade tarifária. Esta medida econômica, recebeu um pequeno destaque frente a tantas outras mais estridentes e glamourosas, mas pode ter reflexos mais profundos do que qualquer outro anúncio veiculado até aqui. Não devemos confundir isto com as políticas tarifarias específicas, que visam proteger determinados setores contra a concorrência desleal.

É isto que estamos vendo nas recentes imposições de tarifas sobre o alumínio e aço, estes dois setores são vitais para qualquer economia e no caso americano, sua decadência, ao longo das décadas, contribuiu muito para o declínio da indústria naquele país. A balança comercial Brasil x EUA é favorável aos americanos, nós importamos muito mais do que exportamos para o Tio Sam e isto nos abre excelentes perspectivas, o Brasil tem as maiores jazidas de ferro e manganês do mundo, temos capacidade ociosa nas nossas siderúrgicas é nestas horas que nos falta um Paulo Guedes.

Aliás, recentemente ele deu uma entrevista/aula onde menciona que Trump adora negociar à partir de uma posição de força e dá como exemplo os anúncios de anexação do Canal do Panamá e a Groenlândia, que foram feitos logo depois da sua posse, segundo nosso saudoso ministro, o laranjão gosta de fazer uma espécie de “freio de arrumação” quando sente que o interlocutor pretende levar uma vantagem numa negociação qualquer, já fez isto diversas vezes no primeiro e no segundo mandato, mas continua sendo uma novidade que pega todos de surpresa.

Olhando o contexto mais amplo, depois da segunda guerra mundial, os EUA sempre tiveram uma política tarifária extremamente generosa com seus parceiros comerciais, eles abriam os seus mercados e aceitavam como contrapartida, que seus produtos fossem sobretaxados por estes mesmos parceiros, esta política não os ajudou e criou uma espécie de paternalismo mundo afora, doravante as empresas deverão ser competitivas se quiserem vender nos EUA e isto será um desafio para todos, há que se reconhecer que era sim uma distorção artificial no mercado.

Voltando a paridade tributária: se implementada como anunciado, a tal da reciprocidade criaria um efeito cascata universal, que forçaria contrapartidas de todos contra todos, impondo uma queda generalizada nas tarifas de importação pelo mundo afora. Os EUA são o mercado mais dinâmico e cobiçado do mundo, esta medida acabaria de vez com a indústria europeia que tem custos altos, problemas com absenteísmo de seus colaboradores, regulação excessiva e energia muito cara.

Por outro lado, o impacto da reciprocidade tarifária abriria novas perspectivas para os países emergentes e poderia estimular a reindustrialização do Brasil. Claro que é um enorme desafio, o Brasil tem uma política industrial esquizofrênica, com o governo criando impostos, tarifas e taxas, excessivas, somado a uma infraestrutura caótica e a custos de energia exorbitantes, a somatória destes fatores compromete a macro competitividade do país e exige respostas dos governos.

Do ponto de vista das empresas há muito a fazer também seja em termos gerenciais e de melhoria da produtividade, a verdade  é que o Brasil abandonou qualquer perspectiva de ter uma política industrial decente, nossos empresários são tratados de maneira injusta criando um ambiente que desestimula o risco e o investimento, mas há esperanças no horizonte, a reciprocidade tarifária deverá criar as condições para que retomemos estes debates, o Brasil ainda tem uma boa base produtiva instalada e muita mão de obra treinada.

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Sergio BritoHá 1 ano Rio Grande RSO Brasil destruído pela esquerda é hoje um cemitério de talentos num deserto de oportunidades.
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José Melatti
José Melatti
Consultor de Empresas, com 66 anos de idade é pai de dois fi
lhos e acompanha a cena política e geopolítica desde sua ado
lescência, é integrante do MAB - Movimento Avança Brasil e
tem sido ativo nas principais lutas do nosso tempo.
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